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‘Anne with an E’ e o poder de olharmos para o mundo com delicadeza

porRodrigo Lorenzi
10 de julho de 2018
em Televisão
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'Anne With Na E', pequena pérola escondida no catálogo da Netflix. Imagem: Divulgação.

'Anne With Na E', pequena pérola escondida no catálogo da Netflix. Imagem: Divulgação.

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É bater na mesma tecla, mas sempre digo que não há superprodução, dinheiro e efeitos especiais que superem uma boa e simples história sendo contada por mãos delicadas. É exatamente o que faz Anne with an E, série original da Netflix adaptada do livro Anne of Green Gables, da canadense L. M. Montgomery.

Relativamente escondida no catálogo, a série é uma criação de Moira Walley-Beckett, premiada roteirista e produtora de Breaking Bad. A história segue a jornada de Anne (Amybeth McNulty), uma menina de 13 anos, órfã, que passou por diversos abusos vivendo num orfanato cruel. Anne tem a chance de morar em uma fazenda em Green Gables com Marilia Cuthbert (Geraldine James) e Matthew Cuthbert (R.H. Thomson), dois irmãos já idosos que resolvem adotar um menino para ajudá-los nos serviços da fazenda. Por algum erro no sistema, ao invés de um garoto, eles recebem Anne e aos poucos vão se afeiçoando a uma menina tagarela, inteligentíssima e que consegue usar a imaginação para fugir de lugares muito obscuros da sua vida.

Embora formulaica em sua execução (conseguimos identificar claramente as fases da jornada de herói, desde o problema até a recompensa final) Anne with an E não derrapa nos clichês, graças à força dos personagens e de uma história consistente. Tudo soa simples, leve e mágico, mas a vida de Anne é triste. Sempre que vemos fagulhas de alegria no olhar da garota, o mundo real aparece para lembrá-la de que o caminho será longo.

Amybeth McNulty dá vida à Anne. Foto: Divulgação.

Embora formulaica em sua execução, Anne with an E não derrapa nos clichês, graças à força dos personagens.

Ao encontrar amor em um novo lar, Anne também precisa enfrentar o preconceito da sociedade, os comentários maldosos das outras crianças, o conflito de classe entre sua nova família e os mais abastados e ainda lidar com todos os traumas psicológicos sofridos ao longo dos anos. Assim, a série assume ares de conto de fadas, sem nunca perder um tom sombrio. O recurso serve para que, mesmo contando uma história que se passa nos anos 1900, a narrativa seja atual e torne aqueles personagens os mais humanos possíveis.

Escolhendo olhar sempre algum lado positivo e poético da vida, Anne consegue encontrar um encantamento pela vida nas pequeninas coisas. Com um recado claro e que jamais soa cafona, Anne with an E nos diz que jamais devemos parar de saborear os fatos da vida, desde os mais simples até os mais complexos, dos mais felizes aos mais difíceis. É, enfim, uma série para ter esperança mesmo vivendo em um mundo tão cruel.

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Tags: Amybeth McNultyAnneAnne of Green GablesAnne with an EGeraldine JamesMarilia CuthbertMatthew CuthbertMoira Walley-BeckettNetflixR.H. ThomsonResenhaReviewSeriadosSérie

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