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O fenômeno ‘Guerreiras do K-Pop’

Subestimada na largada, a animação 'Guerreiras do K-Pop', da Sony para a Netflix, virou hit global ao transformar cultura pop em narrativa sobre identidade, vergonha e pertencimento — e já desponta como favorita ao Oscar de melhor animação, com “Golden” forte candidata à canção original.

porPaulo Camargo
4 de fevereiro de 2026
em Cinema
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'Guerreiras do K-Pop' desponta como favorito na categoria de melhor canção original no Oscar 2026. Imagem: Sony Pictures Animation / Divulgação.

'Guerreiras do K-Pop' desponta como favorito na categoria de melhor canção original no Oscar 2026. Imagem: Sony Pictures Animation / Divulgação.

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É preciso começar com uma admissão franca: Guerreiras do K-Pop parecia, à primeira vista, mais um produto ruidoso da linha de montagem do streaming. Colorido, acelerado, aparentemente descartável. Um daqueles lançamentos que passam rápido demais para justificar atenção crítica. Mas o filme contrariou todas as expectativas — inclusive as da crítica.

Lançado em meados de junho, o longa animado da Sony Animation não apenas resistiu ao giro vertiginoso do catálogo da Netflix como se consolidou como um de seus maiores sucessos originais recentes. No momento em que este texto é escrito, ocupa posição de destaque entre os títulos mais vistos da plataforma, logo atrás de Happy Gilmore 2 e de seu antecessor. Em um ecossistema onde nada permanece em evidência por muito tempo, essa longevidade é tudo menos trivial.

O que explica esse fôlego raro? A resposta não está só na trilha sonora viciante ou no impacto visual imediato, mas na maneira como o filme articula espetáculo e emoção. Guerreiras do K-Pop funciona porque entende que a cultura pop — especialmente a música — é, antes de tudo, um território de construção de identidades, máscaras e desejos. E é exatamente aí que o filme encontra sua força.

A história apresenta o trio Huntr/x — Rumi, Mira e Zoey — superestrelas do K-pop que dividem a rotina entre palcos lotados e batalhas contra forças demoníacas. Ídolos midiáticos de um lado, guardiãs sobrenaturais do outro. A premissa dialoga com arquétipos conhecidos, algo entre As Panteras e Buffy, mas ganha densidade ao se ancorar na mitologia coreana. As protagonistas são responsáveis por manter o Honmoon, uma barreira mística que protege a humanidade da ameaça ancestral representada por Gwi-Ma, líder de um exército de criaturas das sombras.

Desde as sequências iniciais, o filme deixa claro seu projeto estético e narrativo: Huntr/x precisa derrotar demônios que tentam sabotar um show — e fazê-lo sem perder o ritmo da coreografia. Combate e performance se fundem, revelando que aqui a ação não é apenas física, mas simbólica. Tudo gira em torno de controle de imagem, exposição e sobrevivência no espetáculo.

O conflito se adensa com a chegada de Jinu, um demônio carismático que propõe a criação de uma boy band, os Saja Boys. O sucesso é imediato e quase caricatural, funcionando como comentário irônico sobre a lógica da indústria pop. O filme brinca — nem tão sutilmente — com a ideia de que esse universo pode soar como uma engrenagem de sedução cuidadosamente planejada. Ou algo ainda mais obscuro.

O núcleo emocional da narrativa, no entanto, está em Rumi. Ela esconde um segredo essencial: é parte demônio, algo que não revela nem mesmo às companheiras mais próximas. Jinu, por sua vez, carrega o peso de uma humanidade que tenta apagar. Ambos vivem marcados pela vergonha e pela recusa de si, num espelhamento que dialoga diretamente com o funcionamento da música pop contemporânea — um espaço onde imagens são polidas ao extremo enquanto as canções frequentemente expõem fragilidades profundas.

Não por acaso, versos como “I should have let the jagged edges meet the light instead” soam como confissões íntimas travestidas de hit. A música “Golden”, em especial, sintetiza essa tensão entre brilho e fratura, e já desponta como forte favorita ao Oscar de melhor canção original. O próprio filme aparece, hoje, como um dos principais candidatos ao prêmio de melhor animação, ampliando seu impacto para além do circuito do streaming.

Guerreiras do K-Pop atinge seu ápice quando mantém o ritmo acelerado — quando aposta na velocidade como linguagem.

Guerreiras do K-Pop atinge seu ápice quando mantém o ritmo acelerado — quando aposta na velocidade como linguagem. A hiperatividade visual, que em outros filmes animados pode cansar, aqui é coerente: caçar demônios ao som de K-pop exige urgência. É nesse registro que o filme se torna mais vibrante, impulsionado por números musicais como “Golden” e “Takedown”, já consolidados como sucessos. Não por acaso, a trilha sonora se tornou a mais vendida entre animações desde Encanto, em 2021.

Quando desacelera, o filme perde parte de sua potência. O excesso de explicações verbais sobre traumas e processos de superação enfraquece a experiência e subestima o poder da imagem e da música. Há uma versão ainda mais forte desse filme que confiaria mais no audiovisual — talvez algo a ser corrigido em uma continuação, que já começa a ser ventilada.

Visualmente, o filme é arrebatador. A animação dialoga com quadrinhos e anime, com ecos evidentes da revolução estética de Spider-Verse. Mas aqui o estilo não é ornamento: ele sustenta a narrativa, traduz emoções e dá corpo aos conflitos identitários das personagens.

No fim das contas, Guerreiras do K-Pop é exatamente o que os grandes hits costumam ser: algo que parece familiar desde o primeiro contato, mas ainda assim surpreende. Como aquela música que você escuta pela primeira vez e tem a estranha sensação de já saber a letra. É assim que um sucesso permanece — e é assim que este filme escapou do destino de ser apenas mais um.

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Tags: AnimaçãoCinemaGuerreiras do K-PopK-PopNetflixOscar

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