• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Crônicas Eder Alex

O olhar da coruja

porEder Alex
26 de agosto de 2016
em Eder Alex
A A
"O olhar da coruja", crônica de Eder Alex.

Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Vi uma coruja dias atrás. Eu caminhava para casa com a noite já bem adiantada, a rua iluminada apenas de quando em quando conforme a coreografia dos faróis dos carros passando, e de repente, num dançar de luzes, lá estava ela me encarando do galho de uma pequena árvore.

O animal não usava óculos como nos desenhos animados e não havia nenhum livro sob suas patas, o que me fez questionar se aquela era uma coruja de verdade.

Ela não me pareceu muito preocupada por ter sido descoberta, decerto que não estava a cometer delitos noturnos. Parei para olhá-la – aqueles olhos cheios de silêncio -, mas o trânsito barulhento não parou e entre uma escuridão e outra, o galho vazio.

Causou-me certo estranhamento aquele encontro (Bandeira diria que foi um “alumbramento”). É claro que já vi corujas antes, mas foi menos num zoológico ou na natureza do que na tela do computador ou da TV.

Causou-me certo estranhamento aquele encontro. É claro que já vi corujas antes, mas foi menos num zoológico ou na natureza do que na tela do computador ou da TV.

Lembro-me também que uma vez fui à casa de uma amiga cujos pais eram professores e, na sala de estudos, havia, entre apostilas e livros sem pó, uma centena de corujas de madeira, argila, plástico, vidro, porcelana, etc. Era para representar a inteligência, mas o negócio era meio bizarro, com jeitão de seita satânica docente. Na época achei legal.

Voltemos à minha coruja no galho. Como disse, eu caminhava para casa quando fui surpreendido pela visão daquele animal. Digo surpreendido, pois neste ir e vir cotidiano, pouco me dou conta da paisagem, uma vez que a repetição tende a ir borrando os contornos da visão. Parece necessário que algo atípico cruze nosso caminho para enfim diminuirmos o passo: é como andar apressado pela cidade, todos sempre atrasados, e do nada cruzar o olhar com alguém no meio da multidão: basta-nos um belo sorriso e o atropelo do tempo nos dá uma folga, há silêncio, conjecturas de um futuro sem solidão…

Se isso for verdade, as coisas e as pessoas só passariam realmente a existir para nós depois que parássemos para olhá-las com mais atenção, caso contrário seriam apenas um borrão, uma sombra. Perceber o outro num mundo que olha apenas para si mesmo nesse universo todo feito de espelhos e celulares, deveria ser um tipo de vanguarda ou pelo menos alguma forma de poesia de resistência.

Eu vi a coruja, não foi apenas um vulto. E quando essa possibilidade surge – parar e observar o mundo acontecendo – é como se nos reconciliássemos com a vida, pois sei que a coruja também me viu e, neste breve segundo, por meio dos seus olhos, de certa forma eu também passei a existir.

Tags: corujaCrônicaexistênciaLivros

VEJA TAMBÉM

ruído
Eder Alex

Ruído

2 de junho de 2017
"Dois amigos", crônica de Eder Alex.
Eder Alex

Dois amigos

26 de maio de 2017
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Timothée Chalamet está indicado ao Oscar de melhor ator por sua interpretação de Marty Mauser. Imagem: A24 / Divulgação.

‘Marty Supreme’ expõe o mito da autoconfiança americana

5 de fevereiro de 2026
'Guerreiras do K-Pop' desponta como favorito na categoria de melhor canção original no Oscar 2026. Imagem: Sony Pictures Animation / Divulgação.

O fenômeno ‘Guerreiras do K-Pop’

4 de fevereiro de 2026
Rhea Seehorn encarna Carol Sturka diante de um mundo em uma violenta transformação. Imagem: High Bridge Productions / Divulgação.

‘Pluribus’ faz da felicidade obrigatória uma forma de violência

3 de fevereiro de 2026
A escritora argentina Samanta Schweblin. Imagem: Alejandra Lopez / Divulgação.

Em ‘O Bom Mal’, Samanta Schweblin mostra que o horror mora ao lado

30 de janeiro de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.