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Crítica – ‘O Malefício da Mariposa’ – Festival de Curitiba

porGuylherme Custódio
31 de março de 2017
em Teatro
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‘O Malefício da Mariposa’ e o poético das pequenezas

“Não há cores nem sons em si, desprovidos de significação: tocados pela mão do homem, mudam de natureza e penetram no mundo das obras. E todas as obras desembocam na significação; aquilo que o homem toca se tinge de intencionalidade: é ir em direção a… O mundo do homem é o mundo do sentido. Tolera a ambiguidade, a contradição, a loucura ou a confusão, não a carência de sentido”.

Dessa maneira, Octavio Paz trata em O Arco e a Lira da maneira como transformamos o universo para encontrar sentido. Isso é o que guia a Ave Lola em O Malefício da Mariposa ao usar justamente os seres da natureza para realizar essa busca.

Primeiro espetáculo da trupe, criado em 2012, e que lhe rendeu os seus primeiros reconhecimentos no Troféu Gralha Azul, a obra voltou à cena na mostra paralela do Festival de Curitiba, o Fringe, deste ano.

Antecessora dos também premiados Tchekhov e Nuon, o espetáculo que retorna aos palcos em um meio efêmero como o teatro reafirma os motivos que fazem a Ave Lola ter todos os seus méritos reconhecidos em peças bastante distintas entre si.

Uma dessas diferenças se mostra, por exemplo, por meio das expressões faciais bastante usadas nas demais montagens e que, em O Malefício da Mariposa, por ora são dispensadas.

Uma dessas diferenças se mostra, por exemplo, por meio das expressões faciais bastante usadas nas demais montagens e que, em O Malefício da Mariposa, por ora são dispensadas ao trazer o rosto dos atores cobertos e um cenário inteiro branco, mesmo que a peça do poeta e dramaturgo Federico Garcia Lorca se passe em um jardim.

Entretanto, como aponta Octavio Paz, essas escolhas não estão desprovidas de sentido, o que faz com que a cor que emerge ao final do espetáculo ganhe ainda mais destaque, da mesma maneira que ao abdicar da face estejamos mais atentos para aspectos como a voz, os gestos, a expressão física, as marionetes e, principalmente, a poesia que envolve todo o espetáculo.

Mas o que é poesia?

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Na diferenciação entre ela e o poema Paz diz:

“Um soneto não é um poema mas uma forma literária, exceto quando esse mecanismo retórico – estrofes, metros e rimas – foi tocado pela poesia. Há máquinas de rimar, mas não de poetizar. Por outro lado, há poesia sem poemas; paisagens, pessoas e fatos podem ser poéticos: são poesia sem ser poemas. Pois bem, quando a poesia acontece como uma condensação do acaso ou é uma cristalização de poderes e circunstâncias alheios à vontade criadora do poeta, estamos diante do poético”.

É justamente dessa forma, sem poema, mas extremamente poético, que O Malefício da Mariposa se efetiva, o que se dá não apenas pelo fato de o espetáculo tratar da imensa temática amorosa, mas, sim, por conseguir captar a poesia das pequenezas.

SERVIÇO | ‘O Malefício da Mariposa’

Quem: Ave Lola;
Onde: Ave Lola Espaço de Criação | Rua Marechal Deodoro, 1227;
Quando: De 31 de março a 02 de abril, sexta, sábado e domingo, às 17h;
Quanto: Pague quanto vale.

Tags: Ana Rosa TezzaAve LolaFederico Garcia LorcaFestival de CuritibaFestival de Teatro de CuritibaFringeO Malefício da Mariposaoctavio pazTeatro CuritibanoTroféu Gralha Azul

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