• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Teatro

Crítica: ‘Piracema’ e o Corpo que insiste no movimento – Festival de Curitiba

Apresentado no Guairão durante o Festival de Curitiba, 'Piracema', espetáculo do Grupo Corpo, reafirma a capacidade de reinvenção da companhia, em contraste com 'Parabelo', que abre a noite como memória viva de sua linguagem.

porPaulo Camargo
14 de abril de 2026
em Teatro
A A
Registro de 'Piracema', do Grupo Corpo. Imagem: Humberto Araújo / Divulgação.

Registro de 'Piracema', do Grupo Corpo. Imagem: Humberto Araújo / Divulgação.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

A noite de domingo começa antes de começar. Do lado de fora do Teatro Guaíra, há um certo tipo de expectativa que não é exatamente ansiedade, mas, sim, reconhecimento. O público que entra para ver o Grupo Corpo já sabe, em alguma medida, o que o espera. Ou acha que sabe. É esse pequeno descompasso entre memória e experiência que a apresentação, no último fim de semana do Festival de Curitiba, se encarrega de tensionar.

Parabelo vem primeiro. E vem como aquilo que resiste ao tempo não por permanecer igual, mas por continuar pulsando. A coreografia de Rodrigo Pederneiras, de 1997, ao som de Tom Zé e José Miguel Wisnik, ainda carrega uma força difícil de domesticar. Há nela um Brasil que não se oferece como paisagem, mas como tensão: o corpo que avança e recua, que se organiza em conjunto e, ao mesmo tempo, ameaça escapar dele.

Não é uma peça de repertório no sentido acomodado do termo. É uma espécie de matriz. Um modo de organizar o movimento que segue reverberando, mesmo quando o grupo já não precisa afirmá-lo.

Quando Piracema começa, algo muda e não muda de forma evidente. Não há ruptura, não há gesto inaugural. O que se percebe é outra qualidade de tempo. A coreografia assinada por Rodrigo Pederneiras e Cassi Abranches já não carrega o peso da novidade. E talvez por isso funcione melhor.

Os corpos entram mais contidos. Não há pressa. Há um certo tatear, como se o movimento precisasse se reconhecer antes de se afirmar. Aos poucos, ele se abre, ganha amplitude, cria fluxos internos que lembram correntes não lineares, mas instáveis. A ideia de piracema, esse nadar contra o curso, não aparece como ilustração, mas como insistência. Como esforço contínuo.

Se Parabelo ainda opera na chave de uma identidade – um corpo coletivo reconhecível –, Piracema desloca essa segurança. O que se vê é um grupo em estado de processo.

A trilha de Clarice Assad acompanha esse percurso sem se impor. Parte de um terreno mais orgânico, quase percussivo, e avança para camadas que incorporam o eletrônico, o artificial, o que ainda não está totalmente assimilado. Não há hierarquia clara entre esses registros — e é justamente nesse atrito que o espetáculo encontra sua forma.

Em cena, os encontros são provisórios. Duos que se formam e se desfazem, agrupamentos que se reorganizam, linhas que nunca se fixam por completo. Há momentos de aproximação, quase de intimidade, que logo cedem lugar a uma espécie de dispersão. Não é desordem. É movimento.

Se Parabelo ainda opera na chave de uma identidade – um corpo coletivo reconhecível –, Piracema desloca essa segurança. O que se vê é um grupo em estado de processo. Um corpo que já não precisa provar sua coesão, mas que insiste em colocá-la em risco.

No Guairão, o efeito dessa justaposição é silencioso, mas preciso. Não se trata de comparar duas obras, mas de perceber o intervalo entre elas. O que permanece, o que se transforma, o que insiste.

Ao final, não há conclusão evidente. O movimento se desacelera, mas não se resolve. Fica a sensação de que algo continua – fora de cena, talvez, ou no corpo de quem assistiu.

E é nesse ponto que o Grupo Corpo acerta com mais força: não em afirmar o novo, mas em sustentar o movimento. Como quem entende que, na arte, permanecer é sempre uma forma de nadar contra a corrente.

ESCOTILHA PRECISA DE AJUDA

Que tal apoiar a Escotilha? Assine nosso financiamento coletivo. Você pode contribuir a partir de R$ 15,00 mensais. Se preferir, pode enviar uma contribuição avulsa por PIX. A chave é pix@escotilha.com.br. Toda contribuição, grande ou pequena, potencializa e ajuda a manter nosso jornalismo.

CLIQUE AQUI E APOIE

Tags: Cassi AbranchesClarice AssadFestival de CuritibaGrupo CorpoPiracemaRodrigo PederneirasTeatro

VEJA TAMBÉM

Malu Galli em 'Mulher em Fuga'. Imagem: Annelize Tozetto / Divulgação.
Teatro

Crítica: ‘Mulher em Fuga’ é encontro de Malu Galli e Édouard Louis em cena – Festival de Curitiba

13 de abril de 2026
Celso Frateschi e Zé Carlos Machado comando o espetáculo. Imagem: Annelize Tozetto / Divulgação.
Teatro

Crítica: ‘Dois Papas’ encontra força no duelo entre dois grandes atores – Festival de Curitiba

8 de abril de 2026

FIQUE POR DENTRO

Registro de 'Piracema', do Grupo Corpo. Imagem: Humberto Araújo / Divulgação.

Crítica: ‘Piracema’ e o Corpo que insiste no movimento – Festival de Curitiba

14 de abril de 2026
Malu Galli em 'Mulher em Fuga'. Imagem: Annelize Tozetto / Divulgação.

Crítica: ‘Mulher em Fuga’ é encontro de Malu Galli e Édouard Louis em cena – Festival de Curitiba

13 de abril de 2026
Sarah Snook e Jake Lacy são a família Irvine em 'All Her Fault'. Imagem: Universal Studios / Divulgação.

‘All Her Fault’ acerta quando mira o privilégio

10 de abril de 2026
Gabriel Leone estrela a adaptação de 'Barba Ensopada de Sangue'. Imagem: Globoplay / Divulgação.

‘Barba Ensopada de Sangue’ é forte na atmosfera e frágil na dramaturgia

9 de abril de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.