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Benedetti narra, em ‘A Trégua’, o inferno de um homem comum

Publicada originalmente em 1960, a novela ‘A Trégua’, de Mario Benedetti, revela os conflitos da relação entre um homem de meia-idade e uma jovem.

porJonatan Silva
5 de dezembro de 2018
em Literatura
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A Trégua, de Mario Benedetti

Falecido em 2009, Mario Benedetti ainda é relativamente desconhecido no Brasil. Imagem: Reprodução.

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Sumidade latino-americana, o uruguaio Mario Benedetti ainda é um ilustre desconhecido no Brasil. Seus livros, cujos enredos desbravam a rotina gris da classe média, são um olhar sincero sobre as gentes comuns que andam de bonde e se enfurnam atrás de mesas de escritórios. A Trégua, publicado originalmente em 1960, um ano depois de Montevideanos, é o retrato mais fiel das gerações uruguaias que veem no pai o traço mais forte da personalidade família.

A Trégua é a crônica de Martín Santomé, um homem de meia-idade, viúvo e às raias de se aposentar – situação usada como marcador de tempo ao longo da novela, escrita em forma de diário. A sua vida é simples: se divide entre o trabalho, o café e as horas partilhadas com a família – que passa de um comercial de margarina para uma fórmula disfuncional, o que serviu de sobra para chocar os mais puristas no seu lançamento.

À medida em que o narrador está prestes a deixar o trabalho, a perspectiva de alhear-se da mesa do escritório se transforma em desespero. Tentando se acostumar ao tédio que o aguarda e à solidão despejada sobre os mais velhos, o sujeito se esgueira atrás de razões para manter-se vivo. “Si alguna vez me suicido, será en domingo”, diz em dos cumes de descompasso.

A Trégua é a crônica de Martín Santomé, um homem de meia-idade, viúvo e às raias de se aposentar – situação usada como marcador de tempo ao longo da novela, escrita em forma de diário.

Santomé vai vivendo no piloto automático até aparecer a jovem Laura Avellaneda. Ainda que não faço o tipo de femme fatale, Avellaneda – como constantemente o narrador se refere a ela – pode muito bem representar a dama do noir. Sem dissimular inocência ou qualquer outra afetação, é a “trégua” de Santomé. Inicialmente, o romance acontece na surdina: encontram-se escondidos em um apartamento no centro de Montevidéu e pouco conversam no trabalho.

Benedetti constrói na moça o avatar do fruto proibido. É Laura a fuga para todo o constrangimento social que Martín passa por se aposentar, por não saber lidar com Jaime, filho cuja homossexualidade é escamoteada, ainda que todos saibam ou por viver em constante cessar fogo com Bianca e Esteban, seus filhos mais próximos.

Os conflitos de A Trégua vão além das questões geracionais – ou morais para a época –, mas atravessam a relação do sujeito com a cidade e com os demais. Ao esconder seu relacionamento com uma mulher mais jovem, com idade para ser sua filha, Santomé se vê em um jogo gato e rato pela arquitetura da urbe. Precisa escolher os pontos de ônibus nos quais descer, as ruas em que andar, os cafés os quais frequentar. É um esconde-esconde que o rejuvenesce.

Benedetti se abraça ao conceito de inferno de Sartre. Avellaneda é a materialização do paraíso, mas também a danação do narrador. Ao contrário de Dante, não há Virgílio que o leve ao hades. O caminho é percorrido sozinho e no escuro.

A TRÉGUA | Mario Benedetti

Editora: Alfaguara;
Tradução: Joana Angelica D’Avila Melo;
Tamanho: 184 págs.;
Lançamento: Março, 2007.

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Tags: A TréguaBook ReviewCríticaCrítica LiteráriaEditora AlfaguaraLa TreguaLiteraturaLiteratura UruguaiaMario BenedettiMontevideanosMontevidéuResenha

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