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Em ‘Águas Rasas’, tubarão ensina lições existenciais

'Águas Rasas' é um eficiente thriller que usa o confronto com o mundo natural como metáfora para falar do enfrentamento com fantasmas pessoais.

porPaulo Camargo
25 de agosto de 2016
em Cinema
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Em 'Águas Rasas', tubarão ensina lições existenciais

Blake Lively em 'Aguas Rasas'. Imagem: Reprodução.

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Há algo bastante instigante em Águas Rasas, thriller que estreia hoje nos cinemas brasileiros. Recebido nos Estados Unidos com relativo entusiasmo pelos críticos, que chegaram a compará-lo a Tubarão (1975), o filme do cineasta catalão Jaume Collet-Serra (de A Orfã) pode não ter toda a complexidade dramática, e implicações políticas e sociais do clássico de Steven Spielberg, uma obra-prima consumada. Mas dá conta de não apenas manter a tensão ao longo de quase toda a narrativa, ao optar pela contenção, consegue estabelecer uma forte empatia entre a protagonista e o público.

Nancy (Blake Lively, de A Incrível História de Adaline) é uma jovem estudante de Medicina, que parece ter resolvido dar um tempo em sua vida acadêmica: a morte da mãe, vítima de câncer, a faz desacreditar na profissão que escolheu seguir. Essa crise existencial a leva a uma praia deserta do México, onde pretende surfar e, de alguma forma, se reconectar com o amor materno.

Sem entregar muito, a mãe de Nancy também era surfista e passou um período da gravidez desfrutando da beleza incrível desse paraíso tropical, cujo nome é propositalmente omitido por razões que não cabe aqui explicar.

Em Águas Rasas, Nancy vai se confrontar com um grande tubarão branco, que, de certa forma, representa tanto a força indomável do mar, mas também o turbilhão psicoemocional que vem enfrentando.

A jornada de autoconhecimento Nancy, portanto, está fortemente conectada a outros filmes, que também abordam uma espécie de mergulho solitário no mundo natural, como Na Natureza Selvagem (2007), 127 Horas (2010) e Livre (2014). Essa aproximação, em todos os títulos citados e também em Águas Rasas, envolve muitos riscos, alguns potencialmente fatais. Os protagonistas, de alguma forma, não se dão conta de sua fragilidade e partem movidos por uma certa ingenuidade pretensiosa. A natureza lhes ensina lições, algumas extremamente dolorosas, porém transcendentes.

Em Águas Rasas, Nancy vai se confrontar com um grande tubarão branco, que, de certa forma, representa tanto a força indomável do mar, aparentemente pacífico e amistoso aos olhos da protagonista, mas também o turbilhão psicoemocional que vem enfrentando. O que parecia ser uma fuga se revela um confronto dela com seus fantasmas pessoais.

Atacada, ferida e perdendo muito sangue, ela se vê refém do animal, que a ronda, ameaça e desafia, embora ela não esteja muito distante da praia, da segurança representada pela terra firme. Essa situação torna o filme particularmente interessante.

Revelada pelo seriado Gossip Girl, Blake Lively, também presente no elenco Café Society, novo longa-metragem de Woody Allen, outra estreia desta semana, tem um desempenho bastante sólido e nuançado em Águas Rasas. A personagem se mostra bastante empática, dramaticamente consistente, por conta da habilidade de Blake, sem recorrer a excessos, se conectar com os espectadores.

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Tags: Águas RasasBlake LivelyCinemaestreiajaume collet serranaturezathrillerTubarão

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