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‘Birdman’ tem protagonista que parece um “Ícaro hollywoodiano”

'Birdman' brilha ao misturar metalinguagem e sarcasmo na indústria cinematográfica, com destaque para Michael Keaton.

porTiago Bubniak
7 de agosto de 2018
em Cinema
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Birdman - Alejandro González Iñarritu

Michael Keaton em 'Birdman'. Imagem: Reprodução.

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Muito se falou de Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) assim que foi lançado, em 2014. Comentou-se que este integrante da filmografia de Alejandro González Iñárritu é de alta qualidade por misturar, com capricho, a discussão de temas caros à própria arte, investir na metalinguagem ao tratar de cinema, indústria cultural, celebridades e ego e, além disso, pela escolha técnica de ousar na edição. Tudo foi filmado para parecer que se trata de um único e longo plano-sequência, destacando a impressão de não haver cortes entre uma cena e outra.

Pode-se dizer que todo esse falatório é justificável. Birdman mostra-se extremamente sarcástico com o próprio universo cinematográfico (e artístico em geral), alfinetando atores e diretores sem piedade e brincando com a avalanche de filmes de super-heróis que domina o cinema hollywoodiano. Sobrou até para a crítica. E isso é ótimo. A plateia ri aqui e ali. Entre um riso e outro, no entanto, há muita acidez séria sobre esse meio que pode ser tão libertador e inebriante, mas, também, tão claustrofóbico e vazio.

Cômico e multirreferencial, Birdman torna difícil não lembrar da conexão existente entre o ator/personagem Riggan Thomas/Birdman (ficção) e o ator/personagem Michael Keaton/Batman (realidade).

A história lança os holofotes sobre Riggan Thomson, interpretado por Michael Keaton. Riggan é um ator que ainda sobrevive no imaginário popular por ter interpretado no cinema, por vários anos, o super-herói Birdman. Agora decadente e atormentado por uma voz misteriosa, ele tenta provar seu talento dirigindo e protagonizando uma peça na Broadway. O filme acompanha Thomas nessa empreitada e sua conturbada convivência com todos que o cercam, incluindo a filha Sam (Emma Stone).

Por mais que possa não parecer, Birdman ainda é uma obra de coloração mais alegre em meio aos demais integrantes da filmografia de Iñárritu, na qual constam diversas produções densas. É o caso de Amores Brutos, 21 Gramas, Babel e Biutiful (que, de bonita, só tem o arremedo do título em inglês). Cômico e multirreferencial, Birdman torna difícil não lembrar da conexão existente entre o ator/personagem Riggan Thomas/Birdman (ficção) e o ator/personagem Michael Keaton/Batman (realidade). Afinal, Keaton encarnou o super-herói na franquia comandada por Tim Burton.

O protagonista é uma espécie de “Ícaro hollywoodiano”, alguém que faz de tudo para alçar voos elevados, mas as condições do meio elevam as chances de fazê-lo cair. O resultado, no geral, é surpreendente, com todo o elenco entregando-se apaixonadamente à tarefa de dar vida aos personagens. Vale destacar, ainda, o sarcasmo que jorra da situação que explica o porquê de o filme também chamar-se A Inesperada Virtude da Ignorância.

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Tags: Alejandro González IñárrituBirdmanBirdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)CinemaCrítica CinematográficaEmma StoneMichael KeatonResenhaReviewRiggan Thomson

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