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Home Crônicas Eder Alex

A vingança

porEder Alex
24 de março de 2017
em Eder Alex
A A
"A vingança", crônica de Eder Alex.

Imagem: Reprodução.

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Já que o caixa da cafeteria era meio estreito, resolvi pagar primeiro, para depois solicitar o café no balcão, que fica a dois passos de distância. Como fui contemplado com o dom do estabanamento, achei por bem evitar apoiar o copo ali naquele pequeno espaço e correr o risco de dar um banho quente na maquininha de cartão.

– Bom dia, por favor, me cobra um café aqui que depois eu pego ali com a moça.

– Não posso.

– Como?

– Primeiro o senhor precisa pegar o café no balcão e depois o senhor volta aqui e paga.

– Como assim “volta aqui”? Não tem nem meio metro de distância, é só esticar o braço.

– Primeiro o senhor…

– Mas tá vazio. É que tem pouco espaço pra apoiar o café aqui e aí eu nem vou conseguir pegar a carteira direito e…

Virei as costas e saí de lá sem comprar nada e sem olhar para trás, com a postura falsamente segura daqueles que carregam o orgulho ferido.

O atendente bufou, arregalou os olhos e me interrompeu em tom didático:

– Primeiro… o senhor… precisa… pegar…

– Então enfia esse café no meio do seu cu, seu filho da puta do caralho. Eu pensei. Ok. Eu disse.

Virei as costas e saí de lá sem comprar nada e sem olhar para trás, com a postura falsamente segura daqueles que carregam o orgulho ferido.

Mas isso não ia ficar assim, ah, mas não ia mesmo. Comprei café pra viagem duas quadras adiante e fiz questão de passar na frente da cafeteria para que o atendente lazarento visse que havia perdido um cliente.

Ele estava atendendo uma moça, então eu diminui o passo preparando para dar um golão no café bem na hora em que o atendente olhasse.

Ele continuou atendendo, a guria estava sorrindo. Coitada, havia cedido ao joguinho ardiloso de síndrome do pequeno poder dele.

Diminui a velocidade ainda mais.

Nem uma olhadinha.

Meus movimentos já estavam em super slow motion e nada do desgraçado olhar.

Quando os pedestres começaram a desviar de mim com cara de assustados acabei desistindo.

Contudo segui em frente sem me deixar abalar, mantive a cabeça erguida, fitei o horizonte com cara de vencedor e tomei um gole do café. Já estava frio.

Tags: atendimento ao clientebebidaCafécafeteriaCrônicavingança

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