• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Crônicas Henrique Fendrich

Sete a um

porHenrique Fendrich
13 de junho de 2018
em Henrique Fendrich
A A
"Sete a um", crônica de Henrique Fendrich.

Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Sou liberado do serviço na hora do almoço e volto para casa: é dia de jogo do Brasil. Não estou lá muito confiante e botei 2 a 0 para a Alemanha no bolão. Mas, que diabo, eu prefiro que o Brasil vença a partida a ganhar o bolão. Vamos torcer, é claro, apesar do Fred. Estamos sem Neymar, mas isso já aconteceu em 1962. O Pelé se machucou, entrou o Amarildo e mesmo assim fomos campeões. É só fazer o mesmo. Hoje em dia, o Amarildo está com mais de 70 anos, mas joga mais do que o Fred. Falo, falo, mas torço para que o Fred faça três gols hoje e peça música no Fantástico. Cheguei a sonhar que o Brasil jogava com quatro volantes. Mas não pode ter medo! A Alemanha tem um bom ataque, mas o seu goleiro é meio nóia e, se apertar, ele entrega o ouro.

Bem, bem, começa o jogo. Modéstia à parte, eu sempre me destaquei pelos comentários precisos que faço das partidas a que assisto. É por isso que, com cinco minutos de jogo, eu já sou capaz de dar um panorama geral, e ele é o seguinte: os alemães estão com medo do Brasil! O goleiro e a zaga estão trocando passes lá no campo de defesa, os caras nem pensam em ultrapassar o meio de campo. Só o Brasil que ataca, só o Brasil que joga! Essa vitória é nossa.

Com cinco minutos de jogo, eu já sou capaz de dar um panorama geral, e ele é o seguinte: os alemães estão com medo do Brasil!

Só agora a Alemanha passou do meio de campo, mas nada que possa assustar. Esse time da Alemanha, na verd… Gol. Gol dos caras. Pelo amor de Deus, cadê a marcação? Aí fica difícil. Os caras têm uma única chance no jogo e fazem o gol. Agora é “correr atrás do prejuízo”, como diz o outro. Vai, Marcelo, chuta direito. A minha vizinha de quarto aparece e pergunta quanto está o jogo. Ela não está assistindo, está limpando a casa. Eu respondo e digo que dá para virar. Principalmente se o… Gol. Outro gol! Não boto fé! Um gol até que dá para buscar, dois já é bem mais… Gol. MEU DEUS! O QUE É ISSO, VIROU GOLEADA AGORA? Virou passeio, um chocolate, uma vergo… Gol. AAAAAAAAAAH! E lá vem os caras de novo, meu Deus, que absurdo, diz o Galvão, que absurdo, que absurdo. Gol.

(…)

CAIAM, JOGADORES! FAÇAM O FAVOR DE CAIR EM CAMPO! Se um time tiver menos de sete jogadores em campo o juiz é obrigado a encerrar a partida! Eu não estou interessado em honra, valor, em nada disso. Apenas acabem com esse vexame! O que mais tem pra ser jogado? Não vai mudar nada!

Vem a vizinha de novo. Quer saber quanto está, se o Brasil já conseguiu virar. Como contar a alguém que é chegado o apocalipse? Talvez fosse o caso de simular um ataque epilético. Não respondo.  “Henrique?”. “Ainda estamos perdendo”. “Mas de quanto?”. “COF COF a zero”. “Quanto?”. “Cinco a zero. E cabe mais”. “Meu Deus!”. Nessa hora, eu penso se não devia começar a limpar o meu quarto.

Vem o intervalo. Eu mudo para a Band, e foi bom, porque o Neto soltou uma pérola que hahaha, não paro de rir hahaha. Juro pra vocês, o Neto está falando em “tentar empatar”. Só por Deus mesmo.  O juiz apita, começa de novo essa desgraça. Agora é ficar todo mundo lá atrás para não levar mais. Mas não, os caras atacam, chutam, VAI! Argh, nem para fazer o gol de honra. Agora, agora! HAHAHAHA!!! O BRASIL TÁ PERDENDO DE CINCO A ZERO E O PAULINHO TENTOU FAZER UM GOL DE BICICLETA! Só rindo mesmo. Gol. GOL! Agora a gente grita junto. GOOOOOOOL. Virou piada. E lá vem eles, lá vem eles… GOOOOOOL!!! Tem até foguete. A vizinha vem de novo. TÁ SETE A ZERO, VIZINHA. Agora tenho certo prazer no sofrimento.

Gol do Oscar.

Finalmente acabou. A turma de 1950 enfim pode descansar em paz. Fomos humilhados dentro de casa. Mas nunca perdemos uma guerra mundial.

Tags: Alemanha 7 a 1BrasilCopa do MundoCrônicafutebolsete a um

VEJA TAMBÉM

"Drama da mulher que briga com o ex", crônica de Henrique Fendrich.
Henrique Fendrich

Drama da mulher que briga com o ex

24 de novembro de 2021
"A vó do meu vô", crônica de Henrique Fendrich
Henrique Fendrich

A vó do meu vô

17 de novembro de 2021
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Filme de Rafhael Barbosa faz parte da Mostra Competitiva Brasileira na 15ª edição do Olhar de Cinema. Imagem: Olhar Filmes / Divulgação.

Crítica: Os mistérios da ausência em ‘Olhe para Mim’ – Olhar de Cinema

9 de junho de 2026
Milla Fernandez é autora e estrela em 'TIP
 (Antes que me Queimem Eu Mesma me Atiro no Fogo)'. Imagem: Divulgação.

‘TIP’: retrato vivo de uma atriz em chamas

8 de junho de 2026
Cena de 'Telúrica: a Íntima Utopia', exibido no Olhar de Cinema: Imagem: Gilvan Barreto / Divulgação.

Crítica – ‘Telúrica: a Íntima Utopia’ encontra humanidade onde o mundo prefere enxergar diagnóstico – Olhar de Cinema

8 de junho de 2026
Tânia Maria e Rejane Faria dividem cena em 'Yellow Cake'. Imagem: Urânio Filmes / Divulgação.

‘Yellow Cake’ abre o Olhar de Cinema entre aplausos e controvérsia

5 de junho de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.