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Home Crônicas Paulo Camargo

As cores de Almodóvar no melodrama

porPaulo Camargo
10 de março de 2020
em Paulo Camargo
A A
Cena de "Tudo sobre Minha Mãe", de Pedro Almodóvar. Imagem: Divulgação.

Cena de "Tudo sobre Minha Mãe", de Pedro Almodóvar. Imagem: Divulgação.

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O melodrama, por muito tempo, foi menosprezado como um gênero popular demais, destinado ao público feminino que frequentava os cinemas à tarde, enquanto os maridos trabalhavam, para fugir da realidade, sonhar (e chorar) um pouco. Histórias dramáticas, caudalosas, marcadas por reviravoltas por vezes inverossímeis, sempre sob o compasso de trilhas sonoras feitas para emocionar (o tal melos, de melodrama), essas histórias não eram levadas a sério, salvo por suas fiéis espectadoras.

Até que os acadêmicos e pesquisadores de cinema nos anos 1960 e 1970, na esteira do movimento crítico iniciado pela revista francesa Cahiers du Cinéma, começaram a olhar para esses filmes de outra forma. Um diretor como o  alemão Douglas Sirk (1897-1987), por exemplo, foi elevado da condição de artesão, pau mandado, a de grande criador, e observador crítico da sociedade norte-americana de seu tempo, quando títulos como Tudo o Que o Céu Permite (1955), Palavras ao Vento (1957) e Imitação da Vida (1958) passaram a ser vistos com outros olhos.

O melodrama, por muito tempo, foi menosprezado como um gênero popular demais, destinado ao público feminino que frequentava os cinemas à tarde, enquanto os maridos trabalhavam, para fugir da realidade, sonhar (e chorar) um pouco.

Por baixo do excesso formal, das vastas emoções esparramadas pelas tramas arrebatadas, feitas sob encomenda para emocionar o grande público, havia contundentes comentários sobre a condição da mulher, o patriarcado, a distinção entre classes e o racismo, entre outras mazelas varridas para baixo dos tapetes das confortáveis cidades da classe média americana do pós-Segunda Guerra Mundial.

Na década de 1980, o melodrama ressurge no cenário cinematográfico internacional com cores fortes, e fortes expressividade, pelas mãos do espanhol Pedro Almodóvar. Antes deles, o também alemão Reiner Werner Fassbinder (1945-1982), em filmes como O Casamento de Maria Braun (1978) e  O Desespero de Veronika Voss (1982), já havia revisitado o melodrama de Sirk e de outros mestres hollywoodianos enquanto forma cinematográfica popular e acessível, para discutir temas muito sérios, ao exagerar nas tintas dramáticas das trágicas histórias da suas protagonistas.

Mas é, talvez, Tudo sobre Minha Mãe, de Almodóvar, o maior clássico contemporâneo do gênero. O filme, que deu ao cineasta o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2000, tem uma premissa que não poderia ser mais melodramática: o jovem Esteban (Eloy Azorín) quer descobrir, a todo custo, a identidade paterna, escondida pela mãe, Manoela (Cecilia Roth, outra habituée dos filmes do diretor). O rapaz acaba morrendo aos 17 anos, tentando pegar o autógrafo de uma atriz famosa, Huma Rojo (Marisa Paredes, de A Flor do Meu Segredo) sem saber quem é, afinal, seu pai. Mais tarde vamos descobrir que ele é hoje um travesti soropositivo chamado Lola (Toni Canto).

Desesperado com a perda do filho, Manuela parte para Barcelona em busca de Lola e lá se torna, por força do acaso, assistente de Huma, a mulher que Esteban idolatrava.

Na trama de Tudo sobre Minha Mãe, tudo, como nos melhores (e piores) melodramas, parece submetido à mão inclemente do destino. As situações se encadeiam de forma aparentemente forçada, com a evidente intenção de emocionar, o que, no cinema de Almodóvar, sempre coloca as histórias que conta na fronteira do ridículo, do tragicômico: ele é capaz de fazer o público morrer de rir e se emocionar em questão de poucos minutos.

Há sob essa artificialidade formal, no entanto, esse intuito de brincar com os caminhos narrativos e os sentimentos do espectador, uma impressionante autenticidade emocional. Como se o diretor quisesse dizer que, apesar de ridículas, as emoções não são menos, e talvez até mais, reais. E assim, no caso específico de Tudo sobre Minha Mãe, Almodóvar discute a maternidade, a dor da perda, a aceitação do outro, a possibilidade de recriar uma família a partir de paradigmas nada convencionais, alternativas, e a solidariedade entre as mulheres. Não é pouco. E faz uma obra-prima, uma entre tantas, que passam por esses mesmos caminhos. Genial­mente melodramáticos.

Tags: CinemaCrônicaDouglas sirkImitação da VidamelodramaO Casamento de Maria BraunPalavras ao VentoPedro AlmodóvarRainer Werner FassbinderTudo o Que o Céu PermiteTudo Sobre Minha Mãe

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