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Home Crônicas Paulo Camargo

A assustadora atemporalidade de ‘Vale Tudo’

porPaulo Camargo
21 de julho de 2020
em Paulo Camargo
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"A assustadora atemporalidade de 'Vale Tudo'", crônica de Paulo Camargo.

Imagem: Reprodução.

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Vale Tudo, um dos grandes sucessos do novelista Gilberto Braga e clássico absoluto da teledramaturgia nacional, foi disponibilizada, na íntegra, no último domingo, pela Globoplay. Na campanha de divulgação do folhetim, exibido há 32 anos em horário nobre, o canal de streaming aposta na “atualidade” da trama.

Isso mesmo! Para convencer o público noveleiro de que vale a pena ver de novo uma produção com mais de três décadas de existência, a estratégia não é apenas a de recorrer à nostalgia: o gancho defendido é que, depois de todo esse tempo, o Brasil de 2020 continua sofrendo das mesmas mazelas e é um país igual, senão pior, do que aquele governado pelo então presidente da República José Sarney, de inflação galopante e bandalheira generalizada.

A trama de Vale Tudo, cujo tema de abertura era a canção “Brasil”, composição de Cazuza na voz de Gal Costa, pretendia mostrar a cara do país, exibir a face mais horrível de uma terra regulada pela lei do mais forte e também pela de Gerson (sim, o jogador tricampeão do mundo de futebol): vencia (ou ainda vence) na vida por aqui quem tira vantagem de tudo e de todos. A frase, tirada de um comercial de cigarro estrelado pelo craque, o marcaria por toda a vida.

A trama de Vale Tudo, cujo tema de abertura era a canção ‘Brasil’, composição de Cazuza na voz de Gal Costa, pretendia mostrar a cara do país, exibir a face mais horrível de uma terra regulada pela lei do mais forte e também pela de Gerson (sim, o jogador tricampeão do mundo de futebol): vencia (ou ainda vence) na vida por aqui quem tira vantagem de tudo e de todos.

No centro do enredo da telenovela de Gilberto Braga está uma relação delicada entre mãe e filha. Raquel (Regina Duarte, hoje persona non grata na emissora) vive em Foz do Iguaçú e quando seu pai morre, ela vê Maria de Fátima (Glória Pires), sua “garotinha”, passar-lhe uma rasteira épica: vende a casa da família, pega todo o dinheiro e se manda para o Rio de Janeiro, onde quer se dar bem na vida a todo custo, arrumando um marido rico e enterrando para sempre seu passado de classe média baixa.

Inspirada no melodrama Almas em Suplício (Mildred Pierce, de 1945), que deu a Joan Crowford o Oscar de melhor atriz pelo papel da mãe traída, Vale Tudo cria dois polos: um, da virtude e esforço, e o outro, da ambição e oportunismo, representado por Raquel e Maria de Fátima, respectivamente.

Com uma mão na frente e outra atrás, Raquel chega ao Rio com o objetivo de confrontar a filha e recomeçar. Para sobreviver começará vendendo sanduíches naturais na praia. Maria de Fátima, por sua vez, já terá encontrado um pretendente rico, um inocente útil chamado Afonso (Cássio Gabus Mendes), herdeiro da família Roitman, liderado pela implacável matriarca, Odete, (Beatriz Segall), talvez a mais icônica vilã na história das telenovelas brasileiras, uma megera elitista e preconceituosa que despreza profundamente o Brasil e seu povo.

Ah, Maria de Fátima tem um amante, César (Carlos Alberto Riccelii), um cafajeste tão inescrupuloso quanto ela. Juntos, vão tocar o terror, sob o pretexto de que, no Brasil, vale tudo.

No polo virtuoso, também está Ivan (Antonio Fagundes), um sujeito honesto que, embora ambicioso, é ético e honesto. Separado e pai de um filho, ele formará um triângulo amoroso com Raquel e Heleninha Roitman (Renata Sorrah), filha de Odete, uma mulher frágil, alcoólatra, que nele verá o homem de seus sonhos, a possibilidade de salvação. Seu ex-marido, Marco Aurélio (Reginaldo Faria), um empresário cínico, corrupto e homofóbico, representa o que há de pior no Brasil.

Braga, com Vale Tudo, implode algumas convenções da telenovela clássica brasileira, aquela de Janete Clair, e deixa de lado o maniqueísmo, elevando os antagonistas, muitos dentro do enredo, ao mesmo patamar de importância que os protagonistas. Tanto que Odete, Maria de Fátima, César e Marco Aurélio, que representam o lado perverso, ganancioso, cruel e oportunista da identidade nacional, são hoje mais lembrados do que Raquel ou Ivan.

Sem desprezar a matriz melodramática do gênero, Braga, que já havia triunfado com outra grande novela das oito, Dancin’ Days, disseca os pecados no lado de baixo do Equador. Fala sem moralismos de vários tipos de corrupção, deixando muito claro que ela é um traço inerente do que somos, do qual é muito difícil nos livrarmos, porque também talvez defina o que seja a cara do Brasil, que 32 anos após a estreia de Vale Tudo, segue às voltas com seus carmas e flagelos.

Tags: Antônio FagundesCrítica SocialCrônicaGilberto BragaGloria PiresNovelaRegina DuartestrewamingVale Tudo

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