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Home Crônicas Yuri Al'Hanati

Ainda sobre os trinta

porYuri Al'Hanati
12 de setembro de 2016
em Yuri Al'Hanati
A A
Ainda sobre os trinta anos

Imagem: Reprodução.

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A expectativa se sobrepõe ao fato. Fazer 30 anos não significa realmente nada. Mesmo assim preciso voltar ao tema para algumas considerações de tempo real que não pude abordar na última crônica.

Algumas coincidências fizeram com que eu passasse meu aniversário em programas “jovens”. Isso porque minha namorada queria dançar num sábado a noite, e também porque o comércio de bares é miseravelmente escasso aos domingos em Curitiba, de maneira que comecei o dia em uma boate e terminei bebendo na rua com amigos. Eu, que sempre fui de reunir meia dúzia em uma lanchonete, de comemorações não alcóolicas, de celebrações pacíficas, acabei passando para a próxima dezena como um rapazote de dezenove anos.

No gelo do negroni, vi minha vida chegar até aquele momento. E percebi que tinha me tornado um adulto muito melhor do que imaginava que seria até então. Apesar dos piercings e das tatuagens, a maturidade em suas formas de diversão sempre me caiu bem.

Mas não era bem isso o que eu queria falar. Queria falar que tive um momento, no meio disso tudo. Foi lá pelas duas da manhã. Estava esperando minha namorada voltar do banheiro e, enquanto estava encostado na parede com um copo de negroni na mão, me percebi irreversivelmente adulto pela primeira vez. O gelo do meu copo refletia as luzes da pista de dança, em seus muitos tons quentes, e minha mão pareceu uma mão finalmente formada, de homem. Era uma mão de homem que segurava aquele copo de negroni. Sempre achei que tinha a mão – e a pele — muito infantil, por não ter veias aparentes nem muitas marcas do tempo. Quando muito alguns pelos nas costas da mão, mas sempre dedos muito arredondados e pequenos, unhas bem rosas e cutículas que conviviam bem com a pele das falanges. Mas de repente ali estava aquela mão de adulto segurando um copo. Era a minha mão. E mergulhei o olhar naquele gelo brilhante e, quando menos percebi, me vi de fora. O que eu vi foi um homem calado, muito pouco animado com aquele ambiente, mas feliz por estar cumprindo a nobre tarefa de levar a namorada para dançar. Não estava emburrado nem entediado, apenas estava ali, imutável e em silêncio, entretido mais com a combinação de gin, campari e vermute rosso que bebericava de tempos em tempos. Não era possível fazer aquilo sem ser um adulto.

No gelo do negroni, vi minha vida chegar até aquele momento. E percebi que tinha me tornado um adulto muito melhor do que imaginava que seria até então. Apesar dos piercings e das tatuagens, a maturidade em suas formas de diversão sempre me caiu bem. Mas que tenha me descoberto uma pessoa diferente da que eu era em uma boate, em uma madrugada de sábado para domingo, sinalizou a diferença dos caminhos, a liberdade da escolha.

A inevitabilidade ainda é inevitável. E fazer 30 continua não significando nada. Talvez, apenas, um novo olhar.

Tags: adultoboateCrônicagelohomemmaturidadenegronirevelaçãotrinta anos

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