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Home Crônicas Yuri Al'Hanati

Farto de semideuses

porYuri Al'Hanati
1 de fevereiro de 2016
em Yuri Al'Hanati
A A
"Farto de semideuses", crônica de Yuri Al'Hanati

Imagem: Reprodução.

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Tivesse Álvaro de Campos vivido em época de Facebook, teria desencanado de seu “Poema em Linha Reta”. Um desavisado poderia, com uma passada de olhos por qualquer linha do tempo, constatar que todos os seus conhecidos têm sido campeões em tudo. Vitórias pessoais, lições de moral para todos os gostos, frases sobre dedicação, perseverança, amor, bondade, exemplos de ética, mini dissertações sobre política, literatura, filosofia e um sem número de fotos felizes estão aí aos borbotões para que nunca deixemos de nos sentir irrespondivelmente parasitas e indesculpavelmente sujos.

Mas que discrepância é essa entre esse mundo virtual e a sociedade defeituosa que acontece do lado de fora da janela, alguém poderia perguntar depois de meio minuto de ponderação. É muito, muito fácil verificar que a parte em que Confúcio dizia para eliminar a distância entre o que se pensa e o que se diz foi ignorada por boa parte da humanidade. Se é que Confúcio ainda está na moda. Mas se já existe a noção do que é bom e do que é mau, as coisas continuam como estão simplesmente porque ser uma pessoa boa é uma das coisas mais difíceis desse mundo. E quem diz o contrário está errado ou provavelmente não cresceu no mesmo meio que a maioria de nós, e vive em uma ilusão livre de desconfiança, de preconceito, de mentira, de ódio e de outros sentimentos vis.

Não se engane pelos abraços que seus pais te deram na infância, nada é mais verdadeiro do que a negatividade humana. É quase biológico, o instinto animal processado, racionalizado e aplicado a uma construção social torpe que, de algum modo, fez a roda da história girar da Mesopotâmia até aqui. A coisa anda tão mal que parar para conversar com mendigo rende likes a perder de vista e, pra piorar, essa é a nossa maior commodity interpessoal.

Não se engane pelos abraços que seus pais te deram na infância, nada é mais verdadeiro do que a negatividade humana.

E, por favor, não ache que isso é um discurso moralizante para que se ponha mais boas ações em prática. Não há nenhuma fórmula para mudar o mundo, mas certamente mais bondade só iria resolver parte do problema. Talvez o mundo se enchesse de mais empatia e a internet se enchesse de mais likes, mas nenhuma semente do mal vai deixar de germinar pelo excesso de calor humano. Provavelmente você discorda e acredita nas campanhas publicitárias de sabonete que realçam a beleza real da mulher, e que o amor vai salvar o mundo ou coisas assim, e tudo bem. Isso sou eu. Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Tags: álvaro de camposconfúcioCrônicafernando pessoaLikespoema em linha retasemideuses

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