• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

‘O riso dos ratos’: a Babel de Joca Reiners Terron

'O riso dos ratos', novo romance de Joca Reiners Terron, é tão atual e assombroso quanto o anterior, uma obra que retrata como poucos o Brasil de Bolsonaro.

porJonatan Silva
17 de setembro de 2021
em Literatura
A A
Joca Reiners Terron, autor de 'O riso dos ratos'

Joca Reiners Terron cria paralelo assombroso entre ficção e realidade. Imagem: Renato Parada/Divulgação.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Quando Joca Reiners Terron publicou A morte e o meteoro, em 2019 – o primeiro ano do trágico governo de Bolsonaro –, não imaginávamos que o livro, ao discutir o genocídio indígena, encamparia ares de literatura de antecipação, para não dizer profético. Seu romance mais recente, O riso dos ratos, publicado durante a pandemia, soa um retrato desse mesmo mundo pós-apocalíptico traçado há dois anos. Aqui, um pai, sedento de vingança, embarca em uma jornada para encontrar o homem que agrediu a sua filha.

Não é de hoje que a literatura de Terron vagueia nesses mares revoltos, entretanto, seus dois últimos livros – ambos parte do catálogo da Todavia – resumem a angústia e a raiva de uma país curvado à extrema-direita. Em O riso dos ratos, existe uma pulsão negativa que é o espelho do real, que resgata a indignação de um povo arruinado. A pai é o personagem-síntese de todo um projeto político e social fracassado. É a terra devastada. “Os mortos somos nós, eu e você. Nasceu, fodeu”, escreve, já para o final do livro. Essa frase, tão curta, concentra todo o espírito da narrativa.

O riso dos ratos não é uma obra sobre a tragédia, mas uma ode à sobrevivência.

O pai é um sobrevivente, que encontra outros pobres-diabos como ele abrigados em supermercado, o Futurama, uma espécie de refúgio dos rebeldes e o único local mencionado no livro. Terron cria um simulacro do Brasil de Bolsonaro. Nesse xadrez bizarro – em que o gerente de uma fábrica e um bispo são a representação do poder patronal e da milícia travestida de religião –, O riso dos ratos é, como A Estrada, de Cormac McCarthy, ou O último gozo do mundo, de Bernardo Carvalho, um drama pessoal, mas que escancara as feridas mais comuns. O verso de Cazuza em “Blues da piedade” – “somos todos iguais em desgraça” – nunca pareceu fazer tanto sentido e ser tão atual.

Fisicalidade

A narrativa de Terron possui uma fisicalidade que extrapola o texto. Escrito à mão, o livro é, em sua essência, uma luta contra os limites do próprio corpo do autor. Essa fisicalidade, para além da experiência criativa, é um elemento estético que reflete na Babel que compõe a história. Ao longo de O riso dos ratos, Joca explora a coloquialidade da linguagem, os dialetos e as muitas línguas dentro da língua portuguesa – ou brasileira, como chama Sérgio Rodrigues. Nesse sentido, Joca Reiners Terron compõe a verdadeira figura do apátrida: alguém que não pode pertencer nem mesmo à sua memória.

Em paralelo a tudo isso, existe uma camada imagética que percorre todo o livro. A ruína dos personagens é descrita com uma precisão fílmica. Se no início dos anos 2010 havia uma espécie de realismo frio na literatura brasileira, encapado sobretudo por Barba ensopada de sangue – quem sabe uma consequência direta dos tempos mais esperançosos que vivíamos naqueles dias –, Terron desenvolve uma prosa realista que não cabe em si, que – como A morte e o meteoro – se projeta para o futuro mais imediato.

Entretanto, O riso dos ratos não é uma obra sobre a tragédia, mas uma ode à sobrevivência. O pai é um homem kafkiano, ou talvez uma criação de Will Self, e ambos os casos é um sujeito preso na loucura e na paranoia que só existe na sua cabeça.

O RISO DOS RATOS | Joca Reiners Terron

Editora: Todavia;
Tamanho: 208 págs.;
Lançamento: Maio, 2021.

Tags: A Estradaa morte e o meteoroBarba Ensopada de SangueBernardo CarvalhoCormac MCCarthyEditora TodaviaJoca Reiners TerronLiteraturaO Riso dos ratosPndemiaTodavia

VEJA TAMBÉM

A escritora Joan Didion. Imagem: Dorothy Hong / Reprodução.
Literatura

‘Para John’ causa desconforto ao invadir a privacidade de Joan Didion

25 de novembro de 2025
Ainda que irregular, romance guarda todas as virtudes que tornaram a autora reconhecida. Imagem: Isadora Arruda / Divulgação.
Literatura

A presença das faltas em ‘Uma delicada coleção de ausências’

14 de novembro de 2025
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Provável aquisição deve representar perigo para setor audiovisual brasileiro. Imagem: Escotilha.

Netflix compra Warner: o que vai mudar no Brasil?

10 de dezembro de 2025
Filme foi vencedor da Palma de Ouro em Cannes. Imagem: Jafar Panahi Film Productions / Divulgação.

Jafar Panahi e os cárceres que carregamos em ‘Foi Apenas um Acidente’

9 de dezembro de 2025
Espetáculo segue em São Paulo após sucesso em Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Imagem: Guto Muniz / Divulgação.

‘(Um) Ensaio Sobre a Cegueira’ mergulha o público numa experiência ética e sensorial do caos

8 de dezembro de 2025
Casal na vida real, Mary Steenburgen e Ted Danson fazem par romântico na nova temporada. Imagem: Dunshire Productions / Divulgação.

Nova temporada de ‘Um Espião Infiltrado’ aposta no conforto e perde o peso emocional

4 de dezembro de 2025
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.