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‘Os Jornais de Geraldine’: Jaqueline Conte e a incrível arte das sutilezas

Em 'Os Jornais de Geraldine', Jaqueline Conte narra a história de uma menina que coleciona nomes do obituário para dar a eles uma nova vida.

porJonatan Silva
1 de novembro de 2019
em Literatura
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'Os Jornais de Geraldine': Jaqueline Conte e a incrível arte das sutilezas

Imagem: Reprodução.

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A vida é aquilo que está entre o nascer e o morrer? E depois? Talvez, mais um nome no jornal – sem história. Apenas dados e estatísticas. Em Os Jornais de Geraldine, publicado pela editora Arte & Letra, a escritora curitibana Jaqueline Conte desvenda as histórias por trás das pessoas que figuram invisíveis – e, vamos lá, anônimos – nos obituários.

Com sensibilidade, e evocando clássicos da literatura infanto-juvenil, a escritora tece um libelo para entender questões fundamentais da natureza humana como a brevidade da vida, o luto e a necessidade contar histórias para explicar o mundo – e o que está além dele.

Geraldine é uma menina comum, não fosse o estranho hábito de colecionar nomes que encontra nos obituários. Com a ajuda do pai, em um plano supersecreto, a garota cria uma história para cada uma dessas pessoas. A partir dessa premissa, a autora escreve novos contos, mostrando o maravilhamento que pode estar escondido nos lugares que, à primeira vista, estão inacessíveis.

Com sensibilidade, e evocando clássicos da literatura infanto-juvenil, a escritora tece um libelo para entender questões fundamentais da natureza humana.

Se por um lado Os Jornais de Geraldine trata de questões complexas, em certa medida, é na abordagem criativa e bastante inteligente que Jaqueline Conte faz da obra um livro rico e recheado de elementos lúdicos, capaz de estabelecer uma conexão com o fantástico – com a caneta laranja de tinta invisível. Ao longo de toda a narrativa, a escritora reforça a ideia da vida como um legado. Muito mais que o tempo cronológico, falho e dispendioso, Os Jornais de Geraldine é um discurso sobre o infinito e as possibilidades de tocar o inefável.

Vozes

Como parte do seu fazer literário, Conte explora o poético e o lírico do cotidiano, colocando em evidência a relação entre pai e filha para a construção de um sujeito que esteja na vanguarda da compreensão do outro. Narrar a vida, ainda que imaginária, de desconhecidos, é, acima de tudo, colocar-se no lugar do outro como exercício prático de empatia e fé nas pessoas. Imaginar Os Jornais de Geraldine como livro para os pequenos é pensar como adulto: com suas limitações e imprecisões.

Todo o livro, desde o seu conceito – impresso e encadernado de maneira artesanal –, demonstra a preocupação em fazer da obra um pedaço único do leitor. É nas sutilezas, nas construções cuidadosas das histórias, que a autora se consolida como uma das novas – e mais interessantes – vozes da literatura infantil e infanto-juvenil do estado.

OS JORNAIS DE GERALDINE | JAQUELINE CONTE

Editora: Arte & Letra;
Tamanho: 59 págs.;
Lançamento: Outubro, 2019.

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Tags: Arte e LetraBook ReviewcontosCrítica LiteráriaJaqueline ConteLiteraturaLiteratura BrasileiraOs Jornais de GeraldineResenha

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