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‘Para John’ causa desconforto ao invadir a privacidade de Joan Didion

Livro póstumo da escritora Joan Didion, 'Para John' reúne as anotações que ela fez, durante três anos, das suas sessões com um psiquiatra.

porMaura Martins
25 de novembro de 2025
em Literatura
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A escritora Joan Didion. Imagem: Dorothy Hong / Reprodução.

A escritora Joan Didion. Imagem: Dorothy Hong / Reprodução.

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Uma discussão recorrente na literatura diz respeito aos direitos exercidos pelos escritores sobre a sua obra e sua vida depois de sua morte. Esse debate talvez tenha encontrado a sua melhor exposição em A Mulher Calada, livro ensaio em que a jornalista Janet Malcolm analisava os relatos biográficos sobre a trágica poeta Sylvia Plath – alguns deles engendrados pelo seu ex-marido, Ted Hughes, que lhe causou muitos sofrimentos.

Mas o que dizer então sobre as sessões de terapia de uma autora famosa? Ao longo de três anos, a cultuada escritora Joan Didion – conhecida por seus roteiros de cinema e por obras como O Ano do Pensamento Mágico – registrou, em cento e cinquenta páginas, relatos das sessões que manteve com o psiquiatra Roger MacKinnon. Esses escritos foram encontrados em sua escrivaninha pouco depois de sua morte, em 2021, e eram direcionados ao seu marido John Gregory Dunne, falecido em 2003. Daí surge o título.

Os relatos foram unificados e publicados recentemente no Brasil no livro Para John (editora HarperCollins, 2025; tradução de Marina Vargas). Sua leitura causa sensações conflitantes. Há um deleite em desfrutar da prosa bem escrita de uma grande escritora; mas isso não apaga o desconforto perante a bisbilhotice sobre o relato íntimo que certamente ela não gostaria que chegasse ao público.

Uma “biografia não autorizada” de Joan Didion e de sua filha

Capa da versão brasileira de ‘Para John’. Imagem: HarperCollins / Arte: Escotilha.

Ao longo das mais de 200 páginas de Para John, Didion descreve, com uma surpreendente objetividade, detalhes sobre os encontros com o seu psiquiatra, cujas sessões giravam sobretudo em lidar com uma questão séria: a preocupação que ela e o marido tinham sobre a filha, Quintana. Já adulta à época da análise, Quintana havia sido adotada pelo casal e enfrentava a depressão e o alcoolismo. O medo iminente era sobre a possibilidade de suicídio.

Ao mesmo tempo, para poder conduzir essa terapia no intuito de salvar a filha (Quintana se consultava ao mesmo tempo com outro psiquiatra, e ambos os médicos dialogavam sobre a sua situação), Joan Didion passa a revisitar a própria vida. Ela buscava entender o seu passado e lidar com a culpa velada de que poderia ter provocado o sofrimento de Quintana de alguma forma.

As situações relatadas por Didion são profundamente humanas e tratadas de maneira franca, provocando uma identificação fácil em qualquer um que já vivenciou a criação de filhos.

As situações relatadas por Didion são profundamente humanas e tratadas de maneira franca, provocando uma identificação fácil em qualquer um que já vivenciou a criação de filhos. Elas vão desde questões relativamente banais (como um debate sobre assistir ao filme A Noite dos Mortos Vivos quando Quintana era criança teria a prejudicado) a outras bem mais profundas. Uma delas envolve as dúvidas de Joan Didion sobre a adoção da filha e os temores sobre traumas que pudessem ser mais genéticos do que causados pela educação que ela recebeu e o meio em que cresceu.

Em boa parte das páginas, as sessões são descritas na estrutura de diálogos diretos entre a escritora e Roger MacKinnon, o que traz muito dinamismo à leitura. Pulsa nas palavras registradas a tensão de uma mãe (mas, de forma vicária, também do pai, com quem tudo era compartilhado) que revisita as possibilidades de que o excesso de proteção (e também de sucesso) tenha prejudicado a filha.

Os escritores John Dunne e Joan Didion com a filha Quintana. Imagem: Reprodução.

Contudo, o principal destaque de Para John está nas luzes que traz à vida da escritora, o que também esclarece questões sobre o seu processo criativo. A crítica literária viu neste livro póstumo o embrião das ideias que posteriormente gerariam O Ano do Pensamento Mágico (em que escreve sobre a morte de John Dunne e de Quintana, em um curto intervalo de tempo) e Noites Azuis (livro de memórias em que fala de Quintana e do próprio envelhecimento).

Há muitos detalhes sobre a criação de Joan Didion como uma filha do pós-guerra, e o quanto isso moldou a sua família e as suas relações. Isso acaba posicionando Para John como uma espécie de biografia não-autorizada da escritora, o que pode ser um deleite para os seus muitos fãs.

Mas vale lembrar que isso acontece com a exposição do que ela tinha de mais íntimo, ocorrido justamente no momento em que baixava a guarda ao longo de anos de terapia. Ainda que seja uma obra com qualidades inegáveis, fica no ar a sensação de uma invasão passível de muitos questionamentos éticos.

PARA JOHN | Joan Didion

Editora: HarperCollins;
Tradução: Marina Vargas;
Tamanho: 224 págs.;
Lançamento: Agosto, 2025.

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Tags: Harper CollinsJoan DidionJohn DunneLiteraturaPara John

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