• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

‘Ruína y Leveza’: enquanto ainda somos (tão) jovens

Em 'Ruína y Leveza', publicado pela Não Editora, Julia Dantas cria uma fábula sobre perdas e ganhos.

porJonatan Silva
18 de março de 2016
em Literatura
A A
'Ruína y Leveza': enquanto ainda somos (tão) jovens

A autora Julia Dantas. Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

O que será que nos faz jovens? Se a pergunta fosse feita há exatas três décadas, a resposta seria certeira: temos nosso próprio tempo. E hoje? Fica a incógnita de um mundo conectado, capaz de nos carregar em jangadas de gigabytes pelo mar sem fio. A juventude não é a mesma, mas as incertezas são. Ruína y Leveza (Não Editora, 210 págs.), de Julia Dantas, é a síntese da insatisfação de uma juventude que, ao ter tudo, fica sem nada nas mãos.

O livro é a história de Sara, que deixa o Brasil para se aventurar no Peru – onde conhece Lucho, um argentino com quem pouco simpatiza. Não demora para entendermos que a viagem é o escape de um amor perdido. Sara não é tão ingênua quanto parece, mas não é tão esperta quanto deveria ser. Com a sutileza da idade, vai descobrindo que o amor é uma ferida: está presa ao corpo e aonde formos, ela também irá. O Peru não é aquilo que ela imaginava. E a vida também não é.

Henrique, o namorado que a traiu e arruinou o fairy tale de Sara, é um homem bem-sucedido: rico, jovem e sedutor. Mas ele não faz o tipo “príncipe encantado”. Julia consegue criar uma boa antítese: o homem cheio de melindres e delicadeza, mas que falha ao ser leviano demais. Ruína y Leveza é um romance à beira do real, às raias do que se vê ao olharmos pela janela. Por isso ele nos fala de perto, intimista e trágico.

Perdas e ganhos

Julia Dantas constrói um livro sobre perdas e ganhos – em que tudo acontece porque Sara decide que sim, é preciso perder-se para que se encontre. Sara é uma espécie de Macabeia ou a menina de Felicidade Clandestina, que precisa sentir a dor para entender o que é o prazer. A personagem de Ruína y Leveza não é exatamente clariceana. E isso não importa. Não é preciso ser assim para ser forte.

Ruína y leveza é um romance à beira do real, às raias do que se vê ao olharmos pela janela. Por isso ele nos fala de perto, intimista e trágico.

E eis papel da escritora gaúcha: ser original, ainda que cause certa estranheza em que não esteja acostumado à nova safra – que, por sinal, parece abundante no Rio Grande do Sul: os Danieis Galera e Pellizari, Carol Bensimon, Michel Laub, Luísa Geisler, Paulo Scott e Antônio Xerxenesky.

Desconforto

Para transformar a realidade em algo mais aceitável, Sara se perde em sonhos – como a Judy do Belle & Sebastian – dentro do livro, como se houvesse um livro dentro de livro ou diversas camadas em uma narrativa que se cruza, mas não se confunde.

A vida de Sara é um grande desconforto, uma imensa necessidade de criar raiz em algum lugar. Ainda que saiba que o Peru não é o seu lugar, ela precisa testar, tentar, arriscar. A resposta é óbvia e amarga como todo remédio. “Agora eu começo sozinha”, diz Sara no final livro. Somente na última página ela percebe que é preciso se reconstruir como um barão partido ao meio e deixar de lutar contra moinhos de vento.

RUÍNA Y LEVEZA | Julia Dantas

Editora: Não Editora;
Tamanho: 208 págs.;
Lançamento: Janeiro, 2015.

COMPRE O LIVRO E AJUDE A ESCOTILHA

Tags: Antônio XerxeneskyBelle & SebastianCarol BensimonClarice LispectorCríticaDaniel GaleraDaniel Pellizarificçãoficção gaúchaJulia DantasLegião UrbanaLiteraturaLuísa GeislerMichel LaubNão EditoraPaulo ScottRenato RussoRuína y Leveza

VEJA TAMBÉM

Novas obras da autora neozelandesa começam a ganhar corpo no Brasil. Imagem: Alexander Turnbull Library / Divulgação / Montagem: Escotilha.
Entrevistas

Katherine Mansfield no Brasil; agora, por inteiro

9 de abril de 2026
Autora conversou com exclusividade com nossa reportagem. Imagem: Sebastián Freire / Divulgação.
Entrevistas

Mariana Enriquez: “Minha primeira impressão do mundo foi sob um regime autoritário muito feroz”

25 de março de 2026
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

'Apopcalipse Segundo Baby' foi produzido ao longo de dezoito anos. Imagem: Dilúvio Produções / Divulgação.

‘Apopcalipse Segundo Baby’ ilumina a jornada musical e espiritual de Baby do Brasil – É Tudo Verdade

17 de abril de 2026
Documentário sobre David Bowie abriu a edição 2026 do É Tudo Verdade. Imagem: ARTE / Divulgação.

‘Bowie: O Ato Final’ aponta para a genialidade do artista em seus momentos finais – É Tudo Verdade

15 de abril de 2026
Registro de 'Piracema', do Grupo Corpo. Imagem: Humberto Araújo / Divulgação.

Crítica: ‘Piracema’ e o Corpo que insiste no movimento – Festival de Curitiba

14 de abril de 2026
Malu Galli em 'Mulher em Fuga'. Imagem: Annelize Tozetto / Divulgação.

Crítica: ‘Mulher em Fuga’ é encontro de Malu Galli e Édouard Louis em cena – Festival de Curitiba

13 de abril de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.