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‘Tentativas de Capturar o Ar’: arqueologia do ser

Em 'Tentativas de Capturar o Ar', Flávio Izhaki demonstra uma prosa muito madura e desponta com um dos ótimos autores da atual geração de romancistas.

porEder Alex
21 de setembro de 2016
em Literatura
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'Tentativas de Capturar o Ar': arqueologia do ser

Flávio Izhaki. Imagem: Divulgação.

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Após fritar alguns neurônios tentando montar o quebra-cabeça de Atlas de Nuvens (leia a crítica aqui), pensei em ler algo mais leve, então, após a indicação de amigos, parti para este Tentativas de Capturar o Ar, do carioca Flávio Izhaki, já que a capa toda clean dava a entender que seria bem tranquilão. Horas depois lá estava eu, com o livro no colo e chorando de forma constrangedora no meio de um café curitibano. Porra, Flávio!

Mas ok, nada como ser surpreendido por um livro, não é mesmo?

A literatura contemporânea anda, há algum tempo, nessas de se dobrar sobre si mesma. Livros que falam sobre os livros já estão quase dando em árvores e obviamente não são todos que prestam pra alguma coisa. Felizmente, Tentativas de Capturar o Ar, lançado este ano pela editora Rocco, funciona que é uma beleza.

Tal como no livro de David Mitchell, guardadas as devidas (e discrepantes) proporções, há aqui um imbróglio na estrutura narrativa que o leitor deverá organizar para então tentar construir uma teia de significados (ok, isso serve pra linguagem em geral, mas você entendeu o que eu quis dizer). Nem sei direito como descrever o enredo do livro, mas vamos tentar: digamos que é a história de um biógrafo, Alexandre Pereira, que morreu num acidente de automóvel antes de concluir o livro que estava escrevendo sobre um escritor chamado Antônio Rascal. Temos acesso então às anotações de Pereira, entrevistas com a mulher e com os editores de Rascal, textos originais do próprio escritor biografado e ainda relatos do filho sobre a convivência com o pai. Ele (o escritor) havia parado de escrever há muito anos, apesar de todo o sucesso de seus livros, então o biógrafo tentará descobrir o que o levou a “largar os betes”. Outro detalhe importante é que entre estes textos originais há um conto/confissão de um crime cometido por Rascal, que não sabemos se é real ou apenas ficção.

Parece complicado?

Essa é uma das coisas mais legais do livro, pois temos uma inusitada mistura, em termos de estrutura mesmo, de um romance policial com uma biografia, que as poucos se torna também uma autobiografia.

E é mesmo, inclusive essa é uma das coisas mais legais do livro, pois temos uma inusitada mistura, em termos de estrutura mesmo, de um romance policial com uma biografia, que as poucos se torna também uma autobiografia. Estes jogos de espelhos, do biógrafo que tenta compreender a si mesmo ao passo em que estuda o outro, aliado às inúmeras incertezas que borram os limites da realidade, causam desconforto no leitor, que fica o tempo todo sem saber direito o que diabos está lendo, afinal.

Mesmo utilizando uma linguagem esteticamente bastante sofisticada (é o tipo de livro pra ir lendo e grifando, pois uma frase é mais linda do que a outra), Flávio Izhaki escreve um tipo de literatura que busca certo nível de entretenimento, nisso de criar uma estrutura que obriga o leitor a “participar” do livro, a tentar encaixar as coisas feito um Sherlock Holmes, o que é bem divertido etc. No entanto, me parece que há um interesse maior em criar uma obra que cause incômodo, que gere perplexidade, mais no sentido de confundir/deslocar o espírito do que no de meramente chocar o leitor. Só os bons livros conseguem esse efeito, pois é justamente desta relação de projeção, identificação e estranhamento que surge a boa literatura. Izhaki conseguiu isso em pouco mais de 200 páginas.

Tentativas de Capturar o Ar não é o tipo de obra da qual você sai ileso. Particularmente, segui firme e forte até o meio, quando então surge o trecho em que o filho do poeta começa a contar a relação que tinha com o pai. Ali eu desabei. Esta parte do livro é tão inesperada quanto intensa e acabei sentindo o golpe. Há tempos não me emocionava desse jeito.

Este trecho foi tão impactante para mim, que no terço final o livro me pareceu perder muito de seu vigor, apesar da coragem em manter as inúmeras lacunas da narrativa, mas é bastante possível que essa seja uma observação bem mais subjetiva do que técnica, já que ficou praticamente impossível analisá-la com algum distanciamento emocional.

De todo modo, cabe dizer que uma obra com essa de Flávio Izhaki (assim como as obras de vários outros escritores analisados aqui, como André de Leones, Michel Laub, Edyr Augusto e Vanessa C. Rodrigues) demonstra que a literatura contemporânea brasileira vive um bom momento. Nós, leitores, agradecemos.

TENTATIVAS DE CAPTURAR O AR | Flávio Izhaki

Editora: Rocco;
Tamanho: 224 págs.;
Lançamento: Julho, 2016.

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Tags: biografiaBook ReviewCríticaCrítica LiteráriaEditora RoccoficçãoFlavio IzhakiLiteraturaLiteratura BrasileiraLiteratura ContemporâneaResenhaTentativas de Capturar o Ar

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