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Home Literatura

A sutileza do discurso em ‘Pedro Páramo’

porJonatan Silva
2 de março de 2018
em Literatura
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Juan Rulfo - Pedro Páramo

'Pedro Páramo' é obra máxima de Juan Rulfo. Foto: Reprodução.

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A obra do mexicano Juan Rulfo é curtíssima, mas de imensa vastidão. Como Raduan Nassar, escreveu pouco, porém, o suficiente para que revolucionasse a literatura de seu país. Pedro Páramo, seu texto mais importante e conhecido, era um dos livros prediletos de Jorge Luís Borges e foi considerado por Susan Sontag um dos marcos da literatura hispânica.

Pedro Páramo é uma novela sobre o tudo e sobre o nada. A busca do narrador, cujo nome só descobrimos ao avançar da história, pelo pai – que título ao livro – é, ao mesmo tempo, um jornada pessoal e espiritual. Eventos que extrapolam o plano físico se desenleiam por todo o enredo, criando uma linha tênue entre o real e o sobrenatural. Ao procurar o pai, o sujeito caça a si mesmo, chafurda atrás de sua essência e da sua história.

Rulfo não cria evidências, ao contrário, por meio do uso do discurso direto e indireto tece uma narrativa flutuante, na qual o imaginário é também parte da história. A estratégia, que seria muito bem usada anos mais tarde por escritores como Haruki Murakami, é o verdadeiro fio condutor de Pedro Páramo. A ambiguidade e a polivalência da construção semântica, por exemplo, dão riqueza à obra, como um contraponto à simplicidade do protagonista – um agricultor do interior do México.

Se Kafka fazia da burocracia do seu texto um elemento narrativo, Rulfo usa a simplicidade do discurso campesino como força do livro. Segundo o escritor inglês Suhayl Saad, em análise para o The Independent, Pedro Páramo é “um texto cujo significado se subordina a uma arquitetura de sombras e sussurros” e completa: “parte comentário social, parte canção transformadora”.

Seu legado literário – em seus pouquíssimos volumes – sustenta uma geração que relevou ao mundo que as criações em língua espanhol merecem o seu lugar.

Confluência

Simultaneamente, o escritor estabelece um sincretismo entre a vida no campo e na cidade, assemelhando problemas do povo rural aos das populações urbanas. Isso, em parte, se dá por um único motivo: em ambas as situações são homens lutando pela sobrevivência, se digladiando por uma migalha de dignidade.

As inter-relações – real/imaginário, natural/sobrenatural, consciente/subconsciente – que afluem em Rulfo foram o ponto de partida para que Gabriel García Márquez vencesse um bloqueio criativo. O fruto da leitura de Gabo foi Cem anos de solidão, sua obra-prima e, até hoje, um dos romances latino-americanos mais importantes de todos os tempos. Nesse ponto, Rulfo se coloca à frente do movimento do boom que tomou de assalto a literatura na América Latina no início dos anos 1960.

Em certa medida, Rulfo não atingiu a notoriedade que Gabo, Carlos Fuentes, Cortázar e outros que seguiram seus passos, configurando-se mais um escritor para escritores – como Enrique Vila-Matas, por exemplo – que um homem das massas. Ainda assim, seu legado literário – em seus pouquíssimos volumes – sustenta uma geração que relevou ao mundo que as criações em língua espanhol merecem o seu lugar.

[box type=”info” align=”” class=”” width=””]PEDRO PÁRAMO | Juan Rulfo

Editora: BestBolso;
Tradução: Eric Nepomuceno;
Tamanho: 140 págs.;
Lançamento: Maio, 2008 (atual edição).

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Tags: BestBolsoCarlos FuentesCríticaCrítica LiteráriaFranz KafkaGabriel García MarquezHaruki MurakamiJorge Luís BorgesJuan RulfoJulio CortázarLiteraturaLiteratura MexicanaPedro PáramoResenhaSuhayl SaadSusan Sontag

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