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‘A telepatia são os outros’: a tele-empatia de Ana Rüsche

Em 'A telepatia são os outros', Ana Rüsche usa a história de sua protagonista para refletir sobre autoconhecimento e empatia.

porArthur Marchetto
6 de fevereiro de 2020
em Literatura
A A
Arte da capa de 'A telepatia são os outros'

A capa e as ilustrações foram feitas por George Amaral. Imagem: George Amaral/Divulgação.

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Alguns leitores entendem a ficção científica como algo intrinsecamente ligado ao estado da arte das ciências, principalmente as exatas. Dessa forma, se tornaria a melhor obra aquela que traz em si mais elementos ligados às pesquisas ou aquelas que conseguem “prever o futuro” com mais acertos.

No entanto, como já discutido em outros textos, a ficção científica não prevê nada. E nem tem essa obrigação. Como dito por Ursula K. Le Guin, “espera-se que o escritor de ficção científica tome uma tendência ou fenômeno do presente, purifique-o e intensifique-o para efeito dramático e estenda-o ao futuro. ‘Se isto continuar, eis o que acontecerá’”, quando, na realidade, o que a FC faz é descrever e analisar o presente.

De uma maneira ou de outra, é essa reflexão sobre nosso momento que Ana Rüsche faz em A telepatia são os outros, livro publicado pela editora Monomito em junho de 2019 e que abre a coleção Universo Insólito, focada em lançar novelas com narrativas fantásticas.

Rüsche conta a história de Irene, uma mulher que muda drasticamente de vida aos 50 anos, quando perde o emprego estável e a mãe. Como herança, Irene ganha um último desejo: “Filha, você precisa aproveitar mais a vida”. A partir daí, Irene se vê diante de questionamentos e inseguranças, sem que isso a impeça de enfrentar uma aventura quase impulsiva nos rincões do Chile.

Na trama, os homens são os mais deslocados dessa “tele(em)patia”: há um cientista oportunista, seu amigo é impotente no quesito de conexão telepática, e outro membro do curso é um revolucionário vingativo e mal-intencionado.

Ao aceitar uma viagem para o interior da América Latina, a moça é apresentada às tradições chilenas de uma comunidade rural e descobre uma bebida artesanal fermentada capaz de dar aos que bebem o poder da telepatia. Diferentemente do que estamos acostumados, essa conexão é feita num espaço bastante onírico, durante um transe e, ali, as conexões são bastante empáticas: sem espaço para segredos, a resolução de traumas e questões mal resolvidas é necessária.

De um lado, Irene consegue aprofundar seu autoconhecimento e fazer novas amizades, mas ela também acaba imersa em uma trama complexa quando um cientista estadunidense patenteia e comercializa a fórmula da bebida, movendo com pilares do seu grupo de amigos e das camponesas chilenas.

Subvertendo o pressuposto comum da FC ditado no primeiro parágrafo, a primeira coisa que se destaca da prosa da escritora é a linguagem poética. Dela, ficam marcadas frases como “uma casa se amarra pelo teto” durante a preparação para a telepatia, ou a cena em que Irene limpa suas lágrimas e diz que “a felicidade é uma coisa cansativa”.

Outra coisa aprofundada na trama é a valorização de tradições, das histórias orais, dos costumes. Partindo do urbano para o rural, é com as camponesas do Chile que Irene vai achar o “fogo de Prometeu” – a chama da ciência e seu autoconhecimento – para retornar para seu ambiente urbano. Revertendo algo comum na FC, a inovação científica não vem necessariamente das tecnologias, de um conhecimento antigo e natural.

Nesse sentido, há uma construção muito interessante de personagens. Na trama, os homens são os mais deslocados dessa “tele(em)patia”: há um cientista oportunista, seu amigo é impotente no quesito de conexão telepática, e outro membro do curso é um revolucionário vingativo e mal-intencionado.

São as alunas que conseguem estabelecer as melhores conexões, ainda que repletas de problemas pessoais, são as mulheres que guardam o conhecimento ancestral para a bebida. Do outro lado, são os homens que retiram o conhecimento do local sagrado e tentam aplicá-lo fora de seu ambiente, causando um grande problema.

Por fim, a trama dessa mulher que passa a se descobrir depois de uma certa idade (algo que que pode lembrar o recente conto de Isa Próspero, A feiticeira de São Judas Tadeu dos Milagres) nos traz uma reflexão bastante interessante sobre as conexões feitas hoje em dia: em um mundo repleto de conexões quase-telepáticas, a um toque no celular de distância, quantas vezes levamos os sentimentos dos outros em consideração? Seria possível a existência de uma conexão “tele(em)pática”?

A TELEPATIA SÃO OS OUTROS | Ana Rüsche

Editora: Monomito Editorial;
Tamanho: 120 págs.;
Lançamento: Junho, 2019.

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Tags: Ana RuscheCrítica LiteráriaFicção CientíficaLiteratura BrasileiraLiteratura Brasileira ContemporâneaLiteratura ContemporâneamonomitoMonomito EditorialResenha

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