• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

‘A fábrica de robôs’: os pinóquios modernos de Tchápek

'A fábrica de robôs', de Karel Tchápek, toca em várias feridas do ser humano.

porPetê Rissatti
25 de maio de 2017
em Literatura
A A
A fábrica de robôs, de Karel Tchápek

Foto: Benjamín Skála, do busto do artista Josef Adámek. Capa: Divulgação.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Não são poucos os exemplos na literatura de produtos do homem que tomam vida e, por vezes, se voltam contra o próprio homem, seja no sentido de uma parábola moral dos limites humanos (você não é Deus), seja no sentido de apontar para o progresso desenfreado que pode trazer consequências nefastas.

As distopias estão aí para isso, e quem acha que elas são algo muito atual, precisa se lembrar de 1984, Admirável mundo novo, Nós, e até mesmo de Frankenstein, que foi livremente inspirado por Mary Shelley no mito de Prometeu, e de A máquina do tempo, de H. G. Wells. Porém, a obra de um tcheco sobre o tema presenteou a humanidade com uma palavra que é cada vez mais importante: robô.

As distopias estão aí para isso, e quem acha que elas são algo muito atual, precisa se lembrar de 1984, Admirável mundo novo, Nós, e até mesmo de Frankenstein, que foi livremente inspirado por Mary Shelley no mito de Prometeu.

A fábrica de robôs, em tradução do tcheco de Vera Machac, é uma peça satírica escrita por Karel Tchápek (ou Čapek como também é grafado por aqui, 1890–1938). Quando pensamos em autor tcheco, logo nos vem à mente Milan Kundera e Kafka, mas há um mundo imenso e delicioso na literatura tcheca e do leste europeu que poucas editoras exploram de verdade. Então, precisamos aproveitar essas que trazem a nós um pouco dessa literatura e desse pensamento tão rico.

A peça

No mundo distópico criado por Tchápek, o doutor Rossum consegue criar uma máquina muito semelhante ao homem, porém desprovida de sentimentos, criatividade e sensações, a qual ele dá o nome de robô (palavra derivada de vocábulos eslavos que remetem a trabalho físico e escravidão), palavra utilizada pela primeiríssima vez nessa obra com o sentido de autômato e depois incorporada por praticamente todos os idiomas.

A produção desenfreada de robôs para livrar o homem do trabalho braçal e mecânico leva a uma crise que seria o vislumbre do ocaso da humanidade. O excelente ensaio/biografia feita por Aleksander Jovanović, também tradutor do tcheco, comenta a reação dos robôs aos seus criadores/algozes humanos: “a racionalização absoluta e a desumanização podem conduzir somente à revolta, à libertação dos grilhões e à aniquilação dos opressores (…)”. Texto criado no entreguerras, período no qual diversas correntes e tendências fascistas e ditatoriais já se mostravam fortes na Europa, “constitui um alerta contra os fundamentalismos ideológicos que, logo mais, se abateriam sobre o mundo (…)”.

A história bem contada nos três atos também explora o machismo, as relações humanas deturpadas por interesses e a ganância do homem por fama, posição social e bens materiais. A visão de Tchápek sobre a sociedade de consumo que florescia deve ter sido encarada com certo desdém pelo grande público, contudo, incomodou não apenas os círculos sociais da época, mas também os nazistas.

Karel Tchápek morreu pouco depois do início da Segunda Guerra Mundial, mas seu irmão, Josef, infelizmente sofreu as agruras do período. Os Tchápek eram contrários a toda forma de autoritarismo e, quando os nazistas invadiram a Tchecoslováquia, sua casa fora o primeiro alvo da polícia política.

Agora já sabemos a quem agradecer quando usarmos a palavra robô.

A FÁBRICA DE ROBÔS | Karel Tchápek

Editora: Hedra;
Tradução: Vera Machac;
Tamanho: 148 págs.;
Lançamento: Junho, 2012.

COMPRE O LIVRO E AJUDE A ESCOTILHA

Originalmente publicado no blog do colunista e editado para publicação aqui.

Tags: A fábrica de robôsCrítica LiteráriaFicção CientíficaHedraKarel ČapekKarel TchápekLiteraturaLiteratura Tchecanazismopeça teatralResenhaReviewRobôtradução

VEJA TAMBÉM

Juliana Belo Diniz desafia o biologicismo e recoloca o sofrimento mental em seu contexto humano. Imagem: Juliana Veronese / Divulgação.
Literatura

‘O que os psiquiatras não te contam’ e a urgência de devolver complexidade à saúde mental

19 de dezembro de 2025
As escritoras Sigrid Nunez e Susan Sontag. Imagem: Reprodução.
Literatura

‘Sempre Susan’: a homenagem terna e ácida de Sigrid Nunez a Susan Sontag

18 de dezembro de 2025
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

O apresentador Guilherme Rivaroli. Imagem: RIC TV / Reprodução.

Por que os telejornais deveriam ser mais curtos?

13 de janeiro de 2026
Steve Martin no auge de sua carreira. Imagem: A24 / Divulgação.

‘Steve! (martin)’ revela a carreira genial e errante do grande humorista

26 de dezembro de 2025
Irregular, 'Adultos' se sai bem quando se leva menos a sério. Imagem: FX Network / Divulgação.

‘Adultos’ observa a GenZ com humor irregular

24 de dezembro de 2025
Néstor Cantillana e Antonia Zegers comandam a trama de 'O Castigo'. Imagem: Leyenda Films / Divulgação.

‘O Castigo’ transforma a maternidade em um território de culpa e silêncio

23 de dezembro de 2025
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.