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A inocência como resistência à brutalidade em ‘Aos 7 e aos 40’

Em 'Aos 7 e aos 40', João Anzanello Carrascoza constrói universo próprio a respeito da inocência como instrumento para suportar a realidade na maturidade.

porJonatan Silva
1 de setembro de 2017
em Literatura
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A inocência como resistência à brutalidade em 'Aos 7 e aos 40'

Imagem: Reprodução.

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“A arte torna a vida suportável”. A frase de Nietzsche nunca pareceu cair tão bem quanto agora – quando testemunhamos a ascensão de movimentos extremistas e supremacistas. Em tempos conflituosos, nos falta a inocência infantil capaz de fazer refletir sobre a singeleza das coisas simples, justamente porque, adultos, desprezamos a beleza do cotidiano. Por isso, é fundamental que Arte, com “a” maiúsculo, não feneça no emaranhado de ligações, responsabilidades, e-mails, obrigações e fugas.

Em Aos 7 e aos 40, João Anzanello Carrascoza faz um contraponto entre a visão romântica e simples da criança e a crueza da realidade de quando se atinge a maturidade. Usando cenas aparentemente banais, o autor cria um universo lírico potente para compor uma narrativa chocante sobre a perda da esperança e a necessidade de um olhar cuidadoso sobre as pessoas que amamos – algo semelhante ao que construiu em Trilogia do Adeus.

A linguagem se modifica à medida em que narra as vivências da criança e do homem-feito: a artimanha é engenhosa e bonita, estabelecendo uma divisão estética entre os dois períodos, divididos também fisicamente. As vozes – primeira e terceira pessoa do singular – não são meros artifícios, são a força-motriz de todo o processo que impulsiona o leitor para dentro da história.

Aos 7 e aos 40 é flerte com a audácia e com a coragem, ambos capazes de atordoar e acordar quem escreve e quem lê um dos livros que carrega dentro de si a Arte – aquela Arte com “a” maiúsculo.

Carrascoza possui um universo muito próprio e poético, algo que o coloca no grupo dos grandes nomes da literatura contemporânea como Valter Hugo Mãe, Gonçalo M. Tavares e Alejandro Zambra. Se para o personagem Tony Webster, de O Sentido de um Fim, de Julian Barnes, a única maneira de se chegar à felicidade familiar é livrando-se da família, para Carrascoza é o contrário: é unindo-se mais e mais, reforçando os laços emocionais e corpóreos em uma unidade inabalável.

A agudeza de Aos 7 e aos 40 transparece em todos os capítulos e no jogo de espelhos que o escritor ergue. É preciso coragem para narrar a derrota de um pai diante do filho após ser humilhado em um armazém de secos e molhados. O pequeno, para deixar a situação ainda mais grave, finge não ver a tristeza do pai que, por sua vez, esconde ter notado a sensibilidade da criança. O livro é uma fábula sobre a humanização, não em sua metáfora e sim na literalidade que deveria abundar em atos de gentileza, cordialidade e respeito.

Ainda que à primeira vista pareça um tratado sobre a ingenuidade, o livro é, na realidade, uma ode à fraternidade e sobre a vida fragmentada. “E, foi aí, de repente, que eu perdi toda a minha pressa do mundo”, diz a criança em certa altura, como se se permitisse ignorar o caos que está sempre seguinte em frente. “(…) o mundo, durante o dia, desfigurava-o, e, a à noite, por meio daquelas mãos, se refazia”, reflete Carrascoza sobre a meia-idade.

Aos 7 e aos 40 é flerte com a audácia e com a coragem, ambos capazes de atordoar e acordar quem escreve e quem lê um dos livros que carrega dentro de si a Arte – aquela Arte com “a” maiúsculo.

AOS 7 E AOS 40 | João Anzanello Carrascoza

Editora: Alfaguara;
Tamanho: 120 págs.;
Lançamento: Novembro, 2016 (atual edição).

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Tags: Alejandro ZambraAlfaguaraCosac NaifyCríticaCrítica Literáriafriedrich nietzscheGonçalo M. TavaresJoão Anzanello CarrascozaJulian BarnesLiteraturaLiteratura BrasileiraResenhaValter Hugo Mãe

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