• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

‘Brava Serena’: a Roma de Eduardo Krause

Segundo romance de Eduardo Krause, ‘Brava Serena’ retoma temática ítalo-brasileira e mergulha na Roma de Marcello Mastroianni.

porJonatan Silva
15 de outubro de 2021
em Literatura
A A
O escritor Eduardo Krause

O escritor Eduardo Krause. Imagem: Augustin Ostos/Divulgação.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Logo nos primeiros minutos de La Dolce Vita vemos Marcello Rubini, o personagem de Mastroianni, vivendo Roma e as mulheres italianas em sua plenitude. Fellini cria uma cidade mítica, um espaço que só existe naquele recorte e Rubini sabe se movimentar com precisão dentro desse tabuleiro onírico. Roberto, o protagonista de Brava Serena, de Eduardo Krause, habita a mesma Roma felliniana, o mesmo mundo flutuante construído pelo cineasta – e que é o ambiente de Oito e meio, Roma, Os boas-vidas, Satyricon e tantos outros filmes.

O romance de Krause parte, por sinal, de uma premissa bastante coerente ao universo de Fellini: um homem que deixa a realidade para viver uma espécie de existência paralela. Roberto, um aposentado brasileiro sem vínculos com seu país e o seu povo, decide viver seus últimos anos na capital italiana. O plano, a princípio, era o da invisibilidade e do silêncio, revivendo os ecos da lua de mel que experimentou quatro décadas antes com a esposa, Alice, já falecida.

Tudo muda quando o velho encontra Serena, a filha da dona da pensão em que está hospedado. Krause usa os dois personagens, tão díspares, para criar um espelhamento. Roberto e Serena são o oposto e é nesse jogo de poder – travestido de sabedoria e curiosidade – que o livro esconde sua força-motriz. Enquanto Roberto quer reviver o passado – mergulhar na sua própria memória –, Serena quer desvendar os mistérios da juventude – entrar por inteira na vida. É a mesma experiência estética proposta por Paolo Sorrentino em A Grande Beleza e Juventude, porém, com a ironia e o humor tão característicos de Krause.

A densidade das ideias é camuflada por uma narrativa fluída, sensível e inteligente que, ao mesmo tempo, brinca com leitor a respeito dos lugares-comuns que sobrevoam o imaginário acerca de Roma.

Ao longo de todo o livro nos deparamos com imagens construídas em cenas delapidadas, no melhor sentido da literatura realista. Ainda assim, como se Krause criasse um romance fotográfico à beira da fantasia, é possível enxergar uma aura mágica, uma experiência capaz de carregar o leitor para o não-lugar de Marc Augé. Há, em todo o romance, um senso de urgência e desprendimento, sensações que, de tão inversas, se complementam no campo narrativo.

Como Pasta Senza Vino, estreia de Krause e que também se debruça sobre a temática ítalo-brasileira, Brava Serena é um romance de identificação, uma história sobre pertencimento e entendimento. A densidade das ideias é camuflada por uma narrativa fluída, sensível e inteligente que, ao mesmo tempo, brinca com leitor a respeito dos lugares-comuns que sobrevoam o imaginário acerca de Roma. Krause constrói uma história firme e divertida, que usa de uma linguagem bem alicerçada – e que investiga os espaços em branco entre o português e o italiano – para expressar as questões mais banais da natureza humana.

BRAVA SERENA | Eduardo Krause

Editora: Não Editora;
Tamanho: 320 págs.;
Lançamento: Maio, 2018.

COMPRE O LIVRO E AJUDE A ESCOTILHA

Tags: Book ReviewBrava SerenaCríticaCrítica LiteráriaDublinenseEduardo KrauseFederico FelliniItáliaLiteraturaMarcello MastroianniNão EditoraPaolo SorrentinoResenhaRoma

VEJA TAMBÉM

Autora conversou com exclusividade com nossa reportagem. Imagem: Sebastián Freire / Divulgação.
Entrevistas

Mariana Enriquez: “Minha primeira impressão do mundo foi sob um regime autoritário muito feroz”

25 de março de 2026
Bellotto venceu o Jabuti de 2025 pela obra, lançada no ano anterior. Imagem: Chico Cerchiaro / Divulgação.
Literatura

‘Vento em Setembro’ transita entre o mistério e as feridas do Brasil

24 de março de 2026
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Líder do The National, Matt Berninger vem ao C6 Fest com sua carreira solo. Imagem: Chantal Anderson / Divulgação.

C6 Fest – Desvendando o lineup: Matt Berninger

2 de abril de 2026
'(Um) Ensaio sobre a Cegueira' na montagem do Grupo Galpão. Imagem: Maringas Maciel.

Crítica: ‘(Um) Ensaio sobre a Cegueira’: Quando a cegueira atravessa a porta do teatro – Festival de Curitiba

2 de abril de 2026
Gioavana Soar e Fabíula Passini falam com exclusividade à Escotilha. Imagem: Annelize Tozetto / Divulgação.

Festival de Curitiba reforça papel para além do palco e aposta em memória, abertura e acessibilidade

1 de abril de 2026
Duo chega no auge para seu show no Brasil. Imagem: Lissyelle Laricchia / Divulgação.

C6 Fest – Desvendando o lineup: Magdalena Bay

31 de março de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.