• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

‘Os Buracos’ é um retrato fiel de uma democracia em frangalhos

porJonatan Silva
3 de agosto de 2018
em Literatura
A A
Giovanni Arceno - Os Buracos

Arceno lançou recentemente seu segundo livro, 'Os Buracos'. Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

“Ao vencedor, as batatas!”. Quincas Borba, personagem icônico de Machado de Assis, nunca pareceu tão atual diante do cenário político e eleitoral brasileiro. Os Buracos, segundo romance do escritor catarinense Giovanni Arceno, parte das trevas que rondam a democracia para criar um espetáculo bizarro e muitíssimo realista.

Alexandre Darlan é um publicitário da Cidade Grande que é convidado para ser o responsável pela campanha peemedebista na pequena Maruma. Sua honra tem um preço: R$ 50 mil. Arceno constrói, capítulo a capítulo, uma experiência devastadora para o leitor: forma e conteúdo se fundem para apresentar a emulação perfeita do cinismo que envolve a criação da imagem de candidatos e candidatas.

Se Vitória, obra de estreia do autor, é idealista e trata do luto com certa naturalidade, Os Buracos é um livro amadurecido, cheio de contrastes e que deixa claro a falta de reflexão quando o assunto é política. Tudo se resume a estratégias e estratagemas para fazer alguns acenderem e outros despencarem. A queda – a danação – permeia todo o romance. É possível sentir o cheiro da desgraça que acometerá os personagens.

Arceno acerta a mão no seu retrato. Acerta até demais. Esperemos que ele perca o sentido o mais rápido possível.

Saul e Henrique, candidatos do PMDB à prefeitura da cidade e responsáveis pela contratação de Darlan, não são os sujeitos simplórios que se imagina. Envoltos na campanha – e nas tramoias – para descambar João José, que tenta a reeleição, deverão acertar as contas com o passado – e com o futuro.

Twin Peaks

O protagonista de Arceno é quase inocente em tudo: observa com certa calma, demasiada até, sem interferir no curso das coisas.

“Ninguém entrou no bar desde que começou nossa reunião. A porta está semiaberta, como se o Belo tivesse aberto o local exclusivamente para nós. Ele continua no balcão, mexendo no celular e atendendo as chamadas que Paulão faz para trazer mais cerveja.”

Como se Maruma fosse uma Twin Peaks menos metafísica, a cidade recebe Darlan de braços abertos, como se representasse o progresso. O jogo se torna mais e mais perigoso, enredando o publicitário em algo que não se sabe, exatamente, onde vai chegar.

“Tenho vontade de ver o que a disposição da cidade criou de ontem para hoje, se já temos uma dúzia de bandeiras-vermelhas-Saul-assassino espalhadas pelas ruas, se as mensagens, as discussões estão efervescentes, mas hesito e desconecto o notebook do wi-fi do hotel.”

O leitor precisa estar atento às pistas que o escritor joga. Nada está no livro por acaso e o quebra-cabeça se monta desde a primeira página. Cada linha faz sentido no todo, algo que a literatura prece ter perdido recentemente. Arceno acerta a mão no seu retrato. Acerta até demais. Esperemos que ele perca o sentido o mais rápido possível.

OS BURACOS | Giovanni Arceno

Editora: e-galáxia;
Lançamento: Junho, 2018.

[button color=”red” size=”small” link=”https://amzn.to/2Mfp1nV” icon=”” target=”true” nofollow=”false”]Compre na Amazon[/button]

link para a página do facebook do portal de jornalismo cultural a escotilha

Tags: Book ReviewCrítica LiteráriaDavid Lynche-galaxiaGiovanni ArcenoindependenteLiteraturaOs BuracospolíticaResenhaTein Peaks

VEJA TAMBÉM

Novas obras da autora neozelandesa começam a ganhar corpo no Brasil. Imagem: Alexander Turnbull Library / Divulgação / Montagem: Escotilha.
Entrevistas

Katherine Mansfield no Brasil; agora, por inteiro

9 de abril de 2026
Autora conversou com exclusividade com nossa reportagem. Imagem: Sebastián Freire / Divulgação.
Entrevistas

Mariana Enriquez: “Minha primeira impressão do mundo foi sob um regime autoritário muito feroz”

25 de março de 2026
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

'Apopcalipse Segundo Baby' foi produzido ao longo de dezoito anos. Imagem: Dilúvio Produções / Divulgação.

‘Apopcalipse Segundo Baby’ ilumina a jornada musical e espiritual de Baby do Brasil – É Tudo Verdade

17 de abril de 2026
Documentário sobre David Bowie abriu a edição 2026 do É Tudo Verdade. Imagem: ARTE / Divulgação.

‘Bowie: O Ato Final’ aponta para a genialidade do artista em seus momentos finais – É Tudo Verdade

15 de abril de 2026
Registro de 'Piracema', do Grupo Corpo. Imagem: Humberto Araújo / Divulgação.

Crítica: ‘Piracema’ e o Corpo que insiste no movimento – Festival de Curitiba

14 de abril de 2026
Malu Galli em 'Mulher em Fuga'. Imagem: Annelize Tozetto / Divulgação.

Crítica: ‘Mulher em Fuga’ é encontro de Malu Galli e Édouard Louis em cena – Festival de Curitiba

13 de abril de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.