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Home Música

As rimas e o afrofuturismo da Senzala Hi-Tech

porBruna Linhares
4 de maio de 2018
em Música
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Senzala Hi-Tech

Senzala Hi-Tech. Imagem: Reprodução.

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Senzala Hi-Tech tem uma formação, no mínimo, curiosa. O grupo é composto por Diogo Silva, lutador de taekwondo campeão pan-americano em 2007, pelo rapper Sombra e pelo produtor musical Minari Groove, ambos do grupo SNJ, e pelo cartunista e percussionista Junião. Diferentes experiências e vivências que acabaram se unindo para a criação de composições que falam sobre desigualdades e preconceitos que atravessam décadas, sobre herança cultural e sobre a presença tecnológica no cotidiano. Essas temáticas, aliadas a uma vasta pesquisa de ritmos e uma sonoridade que mescla sintético e orgânico, fazem do coletivo um dos principais representes da estética afrofuturista na atual música brasileira.

O afrofuturismo surgiu nos anos 1960, em paralelo ao movimento Beatnik, tendo como um de seus precursores o músico norte-americano Sun Ra. Como característica principal, traz a ideia de um olhar ficcional e fantástico em direção ao futuro, a partir de uma perspectiva negra, sem deixar de lado as tradições e a ancestralidade. Ainda que tenha tido reconhecimento como movimento cultural apenas em 1994, o afrofuturismo deixou uma série de produções anteriores na música, na moda, no cinema, na literatura e nas artes visuais que questionam a falta de personagens negros nas produções de temáticas futurísticas, ao mesmo tempo em que procuram ocupar estes espaços. O super-herói das histórias em quadrinhos Pantera Negra, originalmente lançado em 1966, é um dos exemplos dessa estética, e a retomada de sua história nos cinemas em 2018 tem ajudado a aumentar o interesse pelo termo.

Em sua sonoridade, a Senzala Hi-Tech traz todo o vigor da música de origem africana e também de ritmos afros nascidos no continente latino-americano.

Com esse conceito na cabeça é que teve início o coletivo paulista, que, além dos integrantes originais, hoje também conta com Davi Índio no baixo e Gustavo da Lua, da Nação Zumbi, na percussão. Em sua sonoridade, a Senzala Hi-Tech traz todo o vigor da música de origem africana e também de ritmos afros nascidos no continente latino-americano, valorizando a cultura negra que por aqui se instalou e adquiriu contornos próprios. Uma mistura que não é só de estilos, mas também de épocas distintas, indo da ancestral batida de tambores aos mais modernos beats do rap.

Essa fusão de origens, estilos e tempos está registrada no EP que o grupo lançou em 2015. O trabalho é composto por seis faixas e é autointitulado. Nelas, samba, dub, funk e rap se entrelaçam às vozes de Diogo e Sombra em letras que falam de África, de problemas políticos do Brasil, de lutas, de festas, de desigualdade e de tecnologia. “Baile de Meia Noite”, principal faixa do disco, é uma canção que representa bem a proposta estética da Senzala Hi-Tech. A música, que ganhou um videoclipe, fala da religião de matriz africana ao mesmo tempo em que resgata o espírito dos bailes blacks. Tudo isso, tendo como cenário, no vídeo, a cidade de São Paulo, onde muitas dessas referências se encontram, e a Fazenda da Roseira, em Campinas, antiga fazenda de escravos, convertida em pista de dança na produção.

Em 2018, a banda chega com novos registros. “Em Transe”, videoclipe lançado em janeiro, tem o ator Augusto Pompêo como protagonista, e questiona o papel dos meios de comunicação e da tecnologia no nosso cotidiano. Já no final de março, saiu o single “Não apague as luzes”, faixa que tem como tema o medo nas suas mais variadas formas.

Trabalhar ressignificações através dos sons e da construção visual é, provavelmente, o maior mérito do projeto Senzala Hi-Tech. Como eles mesmos explicam em seu texto de divulgação, “durante os três séculos de escravidão no Brasil, a Senzala era o lugar em que se confinava o negro em situação de extrema precariedade e humilhação, muitas vezes acorrentado. Hoje, queremos converter a Senzala em símbolo de resistência, pois foi nela que aprendemos que somente permanecendo juntos podemos lutar por Liberdade, Identidade e Justiça”. É, ao final, o ato de transformar dúvidas e dores do presente e do passado em arte que constrói perspectivas nas mais variadas esferas.

NO RADAR | Senzala Hi-Tech

Onde: São Paulo, São Paulo;
Quando: 2012;
Contato: Site | Facebook | SoundCloud | YouTube

Ouça o EP ‘Senzala Hi-Tech’ na íntegra

link para a página do facebook do portal de jornalismo cultural a escotilha

Tags: AfrofuturismoBaile da Meia NoiteCrítica MusicalDiogo SilvaHip-HopMusic ReviewMúsicaRapResenhaReviewSão PauloSenzala Hi-TechSombra SNJ

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