• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Música

Joe Satriani: criatividade e comodidade

Joe Satriani é um dos mais reconhecidos do mundo no estilo, mas está repetindo a mesma fórmula há tempo demais.

porLucas Scaliza
28 de julho de 2015
em Música
A A
Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Joe Satriani é um dos guitarristas mais famosos de todos os tempos. Embora o mundo já conhecesse o trabalho inovador de outros mestres da guitarra há mais tempo – como Jimmy Page, Jeff Beck, Eric Clapton, Robert Fripp e Jimi Hendrix –, a contribuição do americano é inegável para a popularização do rock instrumental de guitarra. Antes, foi também professor de gente que se tornou tão famosa e exitosa na música quanto ele próprio, como Steve Vai (Frank Zappa, solo), Kirk Hammett (Metallica), Kevin Rene Cadogan (ex-Third Eye Blind) e Larry LaLonde (Primus, Serj Tankian e Tom Waits). Ainda por cima, fundou o G3, que encanta o mundo reunindo diferentes times de guitarristas para fazer uma verdadeira celebração do instrumento e do rock, blues, jazz, progressivo e experimental.

Contabiliza 15 álbuns de estúdio, sendo o mais recente Shockwave Supernova, lançado este mês. É mais um trabalho em que o guitarrista destila técnica, bom gosto e domínio sobre quais sons quer tirar de seu instrumento e para onde quer levar sua música. Para quem conheceu o Satriani dos anos 1980, dos anos 1990 e dos anos 2000, não haverá erro: é o mesmo artista que encontramos em Shockwave Supernova – e este talvez seja o problema.

Steve Vai, que também é alvo de críticas há algum tempo e, assim como Joe, tornou-se uma celebridade da guitarra, tem uma carreira solo mais aberta musicalmente do que a de Satriani e visivelmente tenta propor novos caminhos para sua música.

Nos quase 30 anos de carreira solo (o primeiro disco dele, Not Of This Earth, é de 1986), Satriani vem mostrando quase sempre o mesmo tipo de música: guitarra instrumental que funciona como uma música rock ou pop convencional. Para que qualquer leigo entenda, é o seguinte: a música dele sempre parte de alguma ideia – um solo, um riff, um fraseado – que serve de porto seguro para a música como um refrão, sempre fazendo o ouvinte saber o que está ouvindo a partir dessa ideia. A música se desenvolve daí para a frente, propondo novos fraseados, um improviso, ganhando mais ou menos dinâmica, etc.

É seguro dizer que quase toda música instrumental funciona (mais ou menos) assim, mas enquanto vemos muitos guitarristas procurando novas formas e explorando novas estruturas que fujam desse padrão, Joe Satriani parece recorrer a ele disco após disco. Não me entenda mal: muito dificilmente encontraremos uma faixa ruim em algum de seus álbuns. Mesmo Shockwave Supernova está cheio de músicas empolgantes e bonitas. Mas basta a audição de três ou quatro discos dele para ouvir uma nova coleção de músicas que não surpreendem mais, não trazem novas formas de pensar a música de guitarra que ajudem a diversificar a discografia do próprio músico. Satriani sabe que é bom para criar temas e fraseados melódicos e está acomodado nessa posição há muito tempo.

Steve Vai, que também é alvo de críticas há algum tempo e, assim como Joe, tornou-se uma celebridade da guitarra, tem uma carreira solo mais aberta musicalmente do que a de Satriani e visivelmente tenta propor novos caminhos para sua música, sobretudo em seus últimos dois discos, Real Illusions: Reflections (2005) – dê uma ouvida em “Under It All”, prog e bastante abstrata) – e Story Of Light (2012) – ouça “The Moon and I”. Sua assinatura continua fácil de identificar, mas a forma musical varia bastante daquele Vai que conhecemos em seu disco mais famoso, Passion and Warfare (1990).

Mas já que estamos em 2015, podemos comparar o que Joe Satriani vem fazendo (ou repetindo) com dois lançamentos deste ano também, como os excelentes Vibe Station, de Scott Henderson, e Elysium, de Al Di Meola. O primeiro, cheio de músicas longas, faz sua guitarra “conversar” o tempo todo, indo do melódico ao hipervirtuoso com a naturalidade que é característica de Henderson. Mas todas as faixas se desenvolvem de maneiras tão insuspeitas que ao terminarem nem sempre parecem as mesmas do início. Para complicar, o músico vai mudando as guitarras e os amplificadores ao longo das faixas, variando completamente os timbres e as pegadas. Já o segundo fez um disco totalmente abstrato, cheio de cores, ritmos e a técnica que Di Meola sempre apresentou, mesclando guitarra elétrica com violão. Não adianta procurar por temas em Elysium: a proposta musical é o centro da canção, muito mais do que qualquer fraseado que possa vir a se repetir. Nesse contexto, é como se a forma musical de Satriani fosse um padrão de que outros guitarristas tentam fugir para continuar propondo algo novo.

O que pesa a favor de Satch (apelido pelo qual o guitarrista é conhecido) é que sua música é muito mais acessível a qualquer ouvinte do que as obras mais exigentes de Henderson, Di Meola, Fripp, Jeff Beck e mesmo Vai. Além disso, embora vá repetindo as estruturas, tenta inovar dando uma nova cara (mesmo que apenas superficial) a seus álbuns. Engines of Creation (2000) tem uma forte base eletrônica; Is There Love in Space (2004) é um de seus discos mais espaciais; Unstoppable Momentum (2013) usa grandes sons e deixa tudo com cara de hino. Mas ele nunca vai muito longe na experimentação e na proposta, permanecendo em segurança. Mesmo as influências mais árabes/turcas de algumas faixas de Professor Satchafunkilus and the Musterion of Rock (2008) não passam de detalhes ou introduções, escalas nunca plenamente incorporadas à digitação de sua Ibanez durante toda uma faixa.

Se pensarmos que Satriani é um dos caras que também se preocupa com tecnologia, ajudando a desenvolver vários novos sons, meios de produção em estúdio e resultados ao vivo, fica um tanto esquisito olhar sua obra sob os prismas da estrutura e inventividade e constatar que sua fórmula estará sempre lá. Infelizmente, não dá para dizer que seja sua melhor assinatura.

link para a página do facebook do portal de jornalismo cultural a escotilha

Tags: al di meolacriatividadeCrítica Musicalguitarrajoe satrianiMúsicarock instrumentalscott hendersonshockwave supernovasteve vai

VEJA TAMBÉM

Da esquerda para a direita: Cameron Winter, Max Bassin, Dominic DiGesu, Emily Green. Imagem: Jeremy Liebman / Reprodução.
Música

Geese transforma exaustão em movimento em ‘Getting Killed’

22 de dezembro de 2025
Imagem: Divulgação.
Música

‘Sharon Van Etten & The Attachment Theory’ abre uma nova fresta emocional em meio ao caos

15 de dezembro de 2025
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Timothée Chalamet está indicado ao Oscar de melhor ator por sua interpretação de Marty Mauser. Imagem: A24 / Divulgação.

‘Marty Supreme’ expõe o mito da autoconfiança americana

5 de fevereiro de 2026
'Guerreiras do K-Pop' desponta como favorito na categoria de melhor canção original no Oscar 2026. Imagem: Sony Pictures Animation / Divulgação.

O fenômeno ‘Guerreiras do K-Pop’

4 de fevereiro de 2026
Rhea Seehorn encarna Carol Sturka diante de um mundo em uma violenta transformação. Imagem: High Bridge Productions / Divulgação.

‘Pluribus’ faz da felicidade obrigatória uma forma de violência

3 de fevereiro de 2026
A escritora argentina Samanta Schweblin. Imagem: Alejandra Lopez / Divulgação.

Em ‘O Bom Mal’, Samanta Schweblin mostra que o horror mora ao lado

30 de janeiro de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.