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Home Música

Motriz fornece um encontro empoderador a partir da música

porAlejandro Mercado
22 de dezembro de 2017
em Música
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É cada vez mais comum na música pop em todo mundo o flerte com o hip hop, isso quando os artistas não abraçam a sonoridade de vez e mergulham em discos completos, EPs ou singles. De Madonna a Coldplay, não faltam exemplos, sem contar como o nu metal marcou a geração do início do século.

Foi com os Beastie Boys, no início da década de 1980, que o rap rock passou a fazer os primeiros flertes entre os gêneros. No Brasil, o rap rock assumiu diferentes contornos, dando provavelmente o ar mais democrático que a vertente encontro ao longo de sua história. Falcão e Marcelo Yuka trouxeram a MPB e o samba-rap; Marcelo D2 e BNegão trouxeram o funk e o ragga; enquanto a Chorão e Champignon coube o hardcore e o skate punk.

É bem verdade que parte deles mudou os rumos de sua obra com o passar dos anos, mas seus primeiros trabalhos são marcantes na história da música contemporânea brasileira. Já há alguns meses chegou às minhas mãos um material que fez com que eu rememorasse este recorta da música nacional: MC Pete, Yuri Lemos e Eduardo Rozeira, juntos, botaram 4 faixas para o público atendendo sob o nome de Motriz.

A Motriz procura fazer um rap rock com elegância e com a mesma liberdade que apregoa em suas composições.

O EP carrega em suas linhas vários dos elementos que tornaram aqueles nomes anteriormente citados importantes e significativos, como uma mescla de diferentes influências e vertentes. Juntas, estas correntes se transformam em relatos sobre o cotidiano, liberdade, amor, além de pequenas cápsulas de reflexões sociais. Sem recorrer a lugares-comuns, as letras abarcam um compêndio de impressões sobre a vida coletadas em três diferentes mentes, que trazem consigo particularidades que se encontram nas faixas.

A Motriz procura fazer um rap rock com elegância e com a mesma liberdade que apregoa em suas composições. Em cima das rimas de Pete, guitarras, piano, metais, trompete, trombone, sax, em uma desconstrução artística. Enquanto os instrumentos ainda são associados à música clássica (e o jazz aqui e ali aparece no álbum), o trio debocha desse elitismo musical com scratchs e samples.

“Espírito”, “Já Aconteceu”, “Perturbado” e “Artistas” possuem personalidades próprias e que só funcionam dentro da narrativa definida por Pete, Lemos e Rozeira. Neste casamento musical fica evidente que é a partir destes encontros que tomamos para nós a força motriz (com o perdão do trocadilho) que move a vida.

A música cotidianamente prova que não há limites para seu poder empoderador, e com o EP do trio curitibano entendemos, mais uma vez, que ela é capaz de fazer com que estejamos em contato com o outro. Basta que estejamos dispostos a ouvir o que ela nos diz.

Ouça o EP da Motriz na íntegra

link para a página do facebook do portal de jornalismo cultural a escotilha

Tags: Bandas CuritibanasBandas ParanaensesCrítica MusicalEduardo RozeiraHip-HopjazzMC PeteMotrizMúsicarap rockResenhaYuri Lemos

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