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Home Teatro

O dilema do tema

porGuylherme Custódio
31 de maio de 2016
em Teatro
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É uma faca de dois legumes.

Se por um lado, é possível atrair um grande público com uma montagem baseada em uma história conhecida “por todos”, por outro, é preciso fazer jus a uma obra que encanta multidões e sobrevive há anos.

Da mesma maneira, quando se opta por um espetáculo sobre algo infelizmente pouco conhecido, o trabalho será maior para atrair, cativar e informar a plateia.

Esses foram os riscos assumidos pelas companhias curitibanas Ave Lola e Regina Vogue na montagem de Nuon e O Pequeno Príncipe, ambos com temporadas encerradas no último fim de semana.

O dilema já foi enfrentado pela Ave Lola, que mostrou os motivos que fazem dela uma das principais companhias de Curitiba por meio de Tchekhov, no qual assumiu a responsabilidade por criar um espetáculo baseado em um autor tão expressivo.

Destaque no Troféu Gralha Azul e no Fringe do ano passado, a peça deu as credenciais para que a Ave Lola figurasse na mostra principal do Festival de Teatro deste ano com Nuon, experimentando o outro lado da moeda, pois se antes o tema da coroa era a magnanimidade de Anton Tchecov, agora são as vítimas do Camboja que ganham cara.

Como se percebe, mesmo que a narrativa se passe em um distante Camboja, o que exigiu uma minuciosa e difícil pesquisa, o drama é humano e, portanto, universal.

E se a história baseada no dramaturgo russo começa pela adaptação de Aniuta, conto em que um médico abriga uma cigana que foge da morte, no espetáculo mais recente os que tentam fugir do regime do Khmer Vermelho são recomendados a procurar a senhorita Nuon.

Como se percebe, mesmo que a narrativa se passe em um distante Camboja, o que exigiu uma minuciosa e difícil pesquisa, o drama é humano e, portanto, universal.

Mas, embora o assunto seja delicado, ele é também tratado de maneira delicada, sendo possível enxergar a beleza por meio da atuação, da montagem e principalmente do texto, capaz de trazer lirismo mesmo em um cenário de terrorismo.

Outro feito notável é que a Ave Lola consegue fazer muito com pouco, fazendo o intimismo do pequeno espaço ganhar a grandeza que só a competência pode trazer.

Ave Lola mostra que uma história pouco conhecida pode ser bem contada. Foto: Maringas Maciel
Ave Lola mostra que uma história pouco conhecida pode ser bem contada. Foto: Maringas Maciel.

Por outro lado, a estrutura de O Pequeno Príncipe brilha aos olhos de qualquer criança. E nem poderia ser diferente. Com cenário, iluminação, figurino, trilha e maquiagem que chamam a atenção, a montagem, com direção de Maurício Vogue e dramaturgia de Rhenan Queiroz, mostra porque a Companhia Regina Vogue é especialista em espetáculos infantis.

Frente a um público tão exigente, o espetáculo que promove o encontro do pequeno príncipe e o autor Antoine de Saint-Exupéry, um adulto que ainda tem muito de criança, mostra a importância da versatilidade que os atores precisam ter para encenar, cantar, dançar e, literalmente, suar a camisa.

Já os responsáveis pelos menores também se veem representados, uma vez que entre a maldosa cobra, a sentimental rosa e a temerosa raposa, o bêbado faz com que os adultos se vejam refletidos e reflitam.

Assim, a companhia Regina Vogue faz com que a obra permaneça viva entre crianças e adultos e mostra, assim como a Ave Lola, que o tema é sempre transcendido se o trabalho for bem executado.

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Tags: Ana Rosa TezzaAntoine de Saint-ExupéryAve LolaCrítica TeatralKhmer VermelhoMaurício VogueNuonO Pequeno PríncipeRegina VogueTeatroTeatro CuritibanoTeatro infantil

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