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‘Gêmeas – Mórbida Semelhança’ é um pesadelo sobre a indústria da reprodução humana

Minissérie 'Gêmeas – Mórbida Semelhança' faz um reboot do filme de David Cronenberg e conta a história de duas irmãs gêmeas que querem revolucionar a concepção da vida humana.

porMaura Martins
18 de julho de 2023
em Televisão
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Atriz Rachel Weisz

Rachel Weisz interpreta as gêmeas Mantle na versão da Amazon Prime Video. Imagem: Amazon Studios/Divulgação.

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Parece difícil imaginar que um reboot de um filme de David Cronenberg, um cineasta com uma ética e uma estética absolutamente particular, possa prestar. Mas acredite: Gêmeas – Mórbida Semelhança é uma verdadeira obra de arte que consegue criar um produto tão bom – e independente – quanto o original.

Contudo, não dá para dizer que a minissérie da showrunner britânica Alice Birch se divorcie de um dos temas centrais na filmografia de Cronenberg: os impactos mórbidos da tecnologia e dos avanços científicos na vida humana. E essa premissa é explorada com brilhantismo na história estrelada por Rachel Weisz, que entrega uma performance digna de prêmios como as gêmeas Elliot e Beverly Mantle (os mesmos nomes dos gêmeos vividos por Jeremy Irons no filme original).

Na série, as gêmeas Mantle também são ginecologistas, mas o foco delas é a obstetrícia. Ambas realizam partos e pretendem inovar dentro da área de “dar à luz”, inaugurando novos modos pelos quais as mulheres trazem crianças ao mundo. Contudo, dentro da dinâmica complexa das gêmeas, isso é compreendido de maneiras quase opostas: enquanto Beverly, a “boazinha”, repete o tempo todo que “gravidez não é doença” e quer proporcionar experiências melhores de parto, Elliot, a “má”, faz experimentos de fertilização e fecundação que ferem vários princípios éticos da medicina.

Fica bastante claro que a minissérie tece um comentário muito ácido sobre como o tema da reprodução humana tornou-se um negócio em que os ricos seguem explorando os mais pobres.

As aspas nos adjetivos são propositais, pois Gêmeas – Mórbida Semelhança não reduz as protagonistas a epítetos. O que vemos ao longo dos seis episódios é que há mais nuances escondidas dentro do clichê dos gêmeos opostos, tão explorado na ficção. E a premissa só é possível pois conta com o desempenho de uma atriz estupenda, que diferencia totalmente a tensa Beverly (sempre de cabelo preso) da voraz Elliot (sempre de cabelo solto).

Mas elas nutrem uma relação simbiótica e co-dependente que é profundamente perturbadora. Enquanto Elliot parece ser uma pessoa sem superego, altamente impulsiva, Beverly, a certinha, depende da irmã para tudo – até para conquistar a namorada. Quando esta última se apaixona pela atriz Genevieve (papel da canadense Britne Oldford), o aparente equilíbrio da dupla começa a ruir.

Um comentário duro sobre a indústria da reprodução humana

Em sua ambição, Beverly e Elliot querem formar um grande centro de reprodução humana. Por conta disso, elas se aproximam de pessoas muito ricas que podem financiar o seu sonho. Acabam cruzando com o séquito formado pela milionária Rebecca Parker (Jennifer Ehle) – herdeira de uma fortuna criada na venda de opiáceos – e sua esposa Susan (Emily Meade), que querem investir na clínica. As duas (especialmente Rebecca, que é alvo de vários protestos de ativistas e não se importa em nada com isso) são assustadoras.

Fica bastante claro então que a minissérie tece um comentário muito ácido (à la David Cronenberg) sobre como o tema da reprodução humana tornou-se um negócio em que os ricos seguem explorando os mais pobres. A ideia afetiva da maternidade é praticamente apagada numa realidade em que mulheres contratam outras para gestarem seus filhos, e em que um parto vira quase um comércio de luxo, com opções disponíveis a quem puder pagar.

Do mesmo modo, o deslumbre pelas possibilidades da ciência se torna mais importante do que a discussão moral sobre o que é feito. Elliot, por exemplo, está fascinada com a chance de gestar embriões fora do útero, expandindo o tempo em que isso é considerado ainda legal. Pouco importa as consequências disso – o importante é conseguir.

Britne Oldford e Rachel Weisz. Imagem: Amazon Studios/Divulgação.

Embora toda esta trama seja absolutamente relevante, talvez se possa dizer que a grande atração de Gêmeas é a experiência estética que é proporcionada. Há muito do body horror de Cronenberg (prepare-se para cenas com abortos precoces, barrigas sendo cortadas, sangue espirrando na cara, vaginas expulsando crianças), mas há também toda uma experiência algo alucinógena que aproxima a minissérie de pérolas como Hannibal.

Ou seja: não há como procurar realismo dentro de Gêmeas – Mórbida Semelhança. O que a minissérie nos promete (e de fato entrega) é algo próximo de um sonho, em que mergulhamos nas mentes perturbadas de duas irmãs que se amam de forma doentia. Um maravilhoso pesadelo.

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Tags: body horrorDavid CronenbergGêmeas: Mórbida SemelhançaMinissériePrime VideoRachel WeiszSérie

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