• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Televisão

A exagerada (e engraçadíssima) vida real de ‘Broad City’

'Broad City' é uma exagerada comédia que retrata a juventude de forma surreal, depreciativa e hilária.

porRodrigo Lorenzi
1 de março de 2016
em Televisão
A A
A exagerada (e engraçadíssima) vida real de 'Broad City'

Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

A televisão norte-americana vive uma boa safra de comédias, especialmente aquelas que fogem de estilos mais tradicionais, como The Big Bang Theory. Atualmente, séries como Veep, The Mindy Project, Unbreakable Kimmy Schmidt e You’re the Worst entregam textos inteligentes, muitas vezes escondidos em situações absurdas, que em um primeiro olhar podem deixar a impressão de ser uma baboseira sem fim. Esse é o caso de Broad City, série ainda não muito conhecida do público geral, mas que vem conquistando a crítica e a audiência cada vez mais.

Llana Glazer e Abbi Jacobson são duas jovens atrizes nova-iorquinas, que durante algum tempo escreveram e protagonizaram uma websérie para o YouTube. Com capítulos curtos e de forma amadora, as duas ensaiavam o que hoje é a série: uma versão exagerada de suas próprias personalidades, rindo delas mesmas e sem medo de parecerem ridículas. A websérie chamou a atenção do canal Comedy Central, especializado em seriados de humor, e de Amy Poehler (Parks & Recreation), que decidiram produzir a história para a TV. Escrita e estrelada pelas duas atrizes, a série vem chamando a atenção por seu humor sem pretensão e as situações engraçadíssimas vistas na tela.

Mantendo seus nomes reais, o que garante uma legitimidade maior, Llana e Abbi interpretam uma versão amplificada do que é estar na casa dos 20 e poucos anos. A série se passa em Nova York, mas poderia ser em qualquer metrópole. As duas não somente sofrem com dificuldades financeiras – fazem bicos diários para conseguir dinheiro – como não sabem o que fazer da vida, garantindo análises divertidíssimas sobre como planejar um futuro baseado no acaso.

Llana é bastante viciada em maconha e trabalha (ou finge que trabalha) como operadora de telemarketing – e suas tentativas para sair mais cedo do escritório garantem momentos hilários. Já Abbi é faxineira em uma academia e seu objetivo é largar as vassouras e se tornar instrutora dos alunos. Enquanto Llana gosta de viver em festas, Abbi prefere ficar em casa comendo pizza e terminando temporadas de séries. O contraste entre as duas personalidades constrói uma cumplicidade que ganha o público facilmente, ainda que as duas sejam bem irritantes.

O que se vê na tela é surrealismo, humor sem pretensão com uma inteligência que passa despercebida num primeiro olhar. É uma bagunça organizada.

A série gira em uma constante busca por sexo, mas não há nenhuma problematização em cima disso. O que poderia dar errado, é de longe o maior acerto da série. As duas garotas rasgam o estereótipo de que um humor sexual e cheio de palavrões deve ser feito por homens. Assim, as duas passam por situações humilhantes e idiotas, mas uma idiotice inteligente, numa autodepreciação deliciosa que não as ofende, mas as colocam como protagonistas.

Llana e Abbi são representadas como seres sexuais não passivas, as duas não são tratadas como objetos, mas procuram e fazem sexo a hora que quiserem, da maneira que quiserem e suas vidas sexuais são mostradas de forma aberta e bastante franca, sem que isso soe como um discurso. Nenhuma delas tem ou busca um corpo escultural, comem besteiras o dia todo e jamais estão super produzidas. Tudo isso gera uma identificação automática ao focar em uma geração que anda insatisfeita com a vida e tenta amenizar a frustração com pequenos absurdos diários.

A comparação com Girls, da HBO, é inevitável, mas basta um rápido olhar em Broad City para saber que a primeira, ainda que faça sucesso por seu olhar realista, é bastante romantizada. Girls tem um foco feminista e empoderador, mas faz isso com personagens que, de uma forma ou de outra, precisam conquistar o público. Broad City não quer que ninguém goste de suas protagonistas. As duas fazem humor puro, não estão preocupadas em serem inteligentes e os episódios não tem uma sequência direta. Na verdade, as personagens femininas são permitidas a se comportar de forma escrota, sem qualquer preocupação. Igualmente ridículos, os personagens secundários são escatológicos e sem glamour. Dessa forma, Broad City não dá espaço para reflexões profundas e nem pretende. O que se vê na tela é surrealismo, humor sem pretensão com uma inteligência que passa despercebida num primeiro olhar. É uma bagunça organizada.

Por isso, a série pode chocar em um primeiro momento, mas vale a pena seguir em frente. Contudo, Broad City nunca conseguirá atingir uma audiência enorme, porque trata-se de um humor que passeia entre o grotesco e o sutil. As duas amigas não são Friends, muito menos The Big Bang Theory e jamais How I Met Your Mother. Assim, não fazem nenhuma questão de seguirem as regras das comédias tradicionais. Não há nenhum grande romance, nenhum grande drama. Há, entretanto, uma simplicidade que a faz genial. Afinal, somente um texto inteligente consegue transformar situações ridículas do cotidiano em algo hilário. Não estranhe se você se identificar com tudo.

Tags: Abbi JacobsonAmy PoehlerBroad CitycomédiaComedy CentralCrítica de SeriadosCrítica de SériehumorLlana e AbbiLlana GlazerSeriadosSérie

VEJA TAMBÉM

O elenco central de 'Dona Beja'. Floresta Produções / Divulgação.
Televisão

‘Dona Beja’ volta para provocar o presente

30 de março de 2026
Série 'O Mistério de Varginha' recupera o fenômeno midiático ocorrido há 30 anos. Imagem: Globoplay / Divulgação.
Televisão

‘O Mistério de Varginha’ mostra o Brasil do Brasil

26 de março de 2026
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Líder do The National, Matt Berninger vem ao C6 Fest com sua carreira solo. Imagem: Chantal Anderson / Divulgação.

C6 Fest – Desvendando o lineup: Matt Berninger

2 de abril de 2026
'(Um) Ensaio sobre a Cegueira' na montagem do Grupo Galpão. Imagem: Maringas Maciel.

Crítica: ‘(Um) Ensaio sobre a Cegueira’: Quando a cegueira atravessa a porta do teatro – Festival de Curitiba

2 de abril de 2026
Gioavana Soar e Fabíula Passini falam com exclusividade à Escotilha. Imagem: Annelize Tozetto / Divulgação.

Festival de Curitiba reforça papel para além do palco e aposta em memória, abertura e acessibilidade

1 de abril de 2026
Duo chega no auge para seu show no Brasil. Imagem: Lissyelle Laricchia / Divulgação.

C6 Fest – Desvendando o lineup: Magdalena Bay

31 de março de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.