• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Crônicas Paulo Camargo

Alameda da memória

porPaulo Camargo
6 de fevereiro de 2018
em Paulo Camargo
A A
Alameda da Memória

Ilustração: Ramón/Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Nossos telefones celulares andam repletos de fotos. Elas ocupam uma parte substancial da memória dos aparelhos, mas, ironicamente, lá ficam esquecidas, empilhadas como caixas de uma mercadoria que ninguém quer comprar, no estoque de uma loja. Tornam-se fantasmagóricas nessa triste condição de, ao mesmo tempo, excesso e banalização.

Se há hoje a facilidade tecnológica de reunir em um único aparelho tantas funções, e o registro de todo e qualquer instante está sempre ao alcance das pontas dos dedos, parece que esses registros valem menos. Ficam estocados, mas de certa forma, esvaziam-se de sentido por conta da fragilidade inevitável do que se torna fácil demais.

Nossos telefones celulares andam repletos de fotos. Elas ocupam uma parte substancial da memória dos aparelhos, mas, ironicamente, lá ficam esquecidas, empilhadas como caixas de uma mercadoria que ninguém quer comprar, no estoque de uma loja.

Devolver imagens à materialidade do papel, as regatando do exílio digital, onde permanecem em estado de incômoda latência, distante dos olhos e, portanto, longe do coração, talvez seja um ato de rebeldia. Não contra as comodidades inegáveis da tecnologia, mas a favor de nossas narrativas, hoje tão fragmentadas e, portanto, mais efêmeras, e carentes de consistência, essência.

A memória, percebo com o passar dos anos, é uma alameda a ser percorrida a pé e não uma highway, destinada a máquinas velozes e furiosas. Se o tráfego estiver sobrecarregado, ou a rapidez for a regra, tudo passará rápido demais e o esfacelamento inevitável. Paisagens, rostos, experiências se desmancharão em pixels acumulados, na ilusão de um resgate eventual, que por vezes jamais chegará.

Seremos nuvens passageiras. Por isso, retornar ao papel talvez possa nos devolver à saudade que se toca, e guarda. Nas paredes, em álbuns, ao alcance do corpo e da alma.

Tags: avião de papelbanalizaçãoCrônicaesquecimentoFotografiafragilidadeimagensmemóriamundo digitaltelefones celulares

VEJA TAMBÉM

Paulo Camargo

Por que escuto o ‘Rádio Novelo Apresenta’

1 de agosto de 2025
Calçadão de Copacabana. Imagem: Sebastião Marinho / Agência O Globo / Reprodução.
Paulo Camargo

Rastros de tempo e mar

30 de maio de 2025
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Kiko Mascarenhas estrela 'Todas as Coisas Maravilhosas'. Imagem: Renato Domingos.

‘Todas as Coisas Maravilhosas’ transforma a dor em uma celebração da vida

30 de outubro de 2026
A atriz e comediante Dercy Gonçalves em 'A baronesa transviada' (1957). Imagem: Divulgação.

‘Dercy: Uma Diva Debochada’ revela os paradoxos da maior comediante brasileira

29 de outubro de 2026
Nova adaptação do romance de John Steinbeck foi conduzida por neta de Elia Kazan. Imagem: Netflix Studios / Divulgação.

‘A Leste do Éden’ renova Steinbeck em adaptação excepcional

19 de outubro de 2026
Imagem: Unsplash.

Editorial: veículos de jornalismo se unem pela democracia

14 de outubro de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.