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‘Pescar truta na América’ é um retrato do espírito rebelde dos anos 1960

Richard Brautigan cria, por meio de uma prosa lisérgica, uma narrativa íntima sobre o amadurecimento em ‘Pescar truta na América’.

porJonatan Silva
20 de fevereiro de 2019
em Literatura
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‘Pescar truta na América’ é um retrato do espírito rebelde dos anos 1960

Imagem: Reprodução.

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Pescar truta na América não é um livro. É um acontecimento. Richard Brautigan transforma em prosa a loucura hippie dos anos 60, criando um livro-manifesto sobre a liberdade e a importância do nonsense. Como em Açúcar de melancia, Brautigan usa um texto lisérgico e bastante metafórico para falar sobre amadurecimento e vida adulta. Sem deixar claro o que é “pescar truta na América” – ora é um personagem, ora um lugar ou o ato de pesca em si –, o autor recria parte da sua infância e a relação distorcida das crianças com os mais velhos.

Talvez por ser pouco conhecido no Brasil, Pescar truta na América não tenha se tornado um rito de passagem como On the Road ou O Apanhador no Campo de Centeio. Nos Estados Unidos, porém, a questão é diferente. Há registro de duas pessoas cujos nomes são Trout Fishing in America. A primeira mudando legalmente o nome, e a segunda sendo batizada por seus pais. Brautigan tem entre seus influenciados o escritor Haruki Murakami, que também retrata o cotidiano por meio do absurdo e do surreal.

Por isso, tentar enquadrar Pescar truta na América em um gênero literário qualquer é um trabalho hercúleo – e ingrato. Brautigan povoa o livro com informações que parecem desconectadas com receitas de maionese e fruta em calda e observações sobre rios norte-americanos. Entretanto, todos esses olhares são fatos que, de uma maneira ou de outra, estiveram presentes na vida do autor.

O olhar denso de Brautigan sobre as banalidades do cotidiano – as burocracias que impedem de andar para frente – é transformado em uma prosa rasgante, corajosa e íntima.

Ainda que ler Brautigan não seja uma empreitada para iniciados, fazer as relações entre vida e obra aumenta o deleite. O escritor viveu e morreu como um personagem de Easy Rider. Passou boa parte dos anos 70 e 80 desprezado pela crítica e pelo público em seu país, enquanto permanecia como alvo de interesse e leitura na Europa. Quando se matou, em 1984, o escritor vivia um período de transição para a redescoberta de sua obra, que só aconteceria muitos anos mais tarde.

O reconhecimento – a consagração, para usar o termo que talvez mais se aplique à situação – só aconteceu quando Ianthe Brautigan passou a trabalhar em prol do pai, publicando a biografia You Can’t Catch Death: A Daughter’s Memoir. Em tempos de tanto academicismo, Pescar truta na América resgata o espírito rebelde que transformou os anos 1960 em uma referência (contra)cultural.

O olhar denso de Brautigan sobre as banalidades do cotidiano – as burocracias que impedem de andar para frente – é transformado em uma prosa rasgante, corajosa e íntima.

PESCAR TRUTA NA AMÉRICA | Richard Brautigan

Editora: José Olympio;
Tradução: José J. Veiga;
Tamanho: 208 págs.;
Lançamento: Fevereiro, 2019.

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Tags: Açucar de melanciaAnos 1960Book ReviewcontraculturaCríticaEditora José OlympioeuaLiteraturaLiteratura Norte-AmericanaPescar truta na américaResenhaRichard Brautigan

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