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‘A tensão superficial do tempo’: o retrato de um país sob o signo do bolsonarismo

Novo romance de Cristovão Tezza, ‘A tensão superficial do tempo’ escancara os limites e as impossibilidade de uma nação diante do fascismo.

porJonatan Silva
17 de julho de 2020
em Literatura
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Cristovão Tezza

Tezza investiga as feridas do bolsonarismo em 'A Tensão superficial do tempo'. Imagem: Divulgação.

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Um país em colapso. A população dividida. E cada qual com a sua própria realidade engasgada na garganta. Cristovão Tezza usa essa tríade para compor seu novo romance, A tensão superficial do tempo, um libelo sobre a crise política, econômica e ética em que nos metemos. Diante desses inúmeros impasses, o autor reconstrói uma Curitiba assolada por um conservadorismo que flutua entre a demagogia e o bizarro. No epicentro desse ciclone coletivo está Cândido, um professor de Química que pirateia filmes na internet, cujo casamento ruiu e a vida profissional está em um beco sem saída.

Como em Ascensor para o cadafalso – longa de Louis Malle que percorre boa parte do livro –, Cândido é colocado frente a frente com um enigma impossível de ser resolvido. Sua relação com a mãe adotiva, as memórias do pai, a sociedade em um cursinho pré-vestibular e a tentativa de um novo enlace deixa o protagonista de Tezza em xeque. Da mesma maneira que em seu romance anterior, A tirania do amor, o escritor esculpe uma narrativa íntima dos personagens em que realidade e paranoia são postas lado a lado em um jogo de ideias e de espelhos.

Ainda assim, o autor de Um erro emocional (2010) não aceita o fascismo como resposta fácil para o catálogo de falhas que o Brasil se tornou.

E, por isso, A tensão superficial do tempo é um mergulho nos pensamentos dos seus personagens. Desde a cena inicial, em que Cândido está sentado em um banco no parque e passa a rever sua própria vida, Cristovão Tezza faz um acordo tácito com leitor, um acordo de que aquela será uma jornada noite adentro. Como Salinger e Cortázar, o escritor curitibano busca encontrar o sublime no caos cotidiano. E aí que o romance ganha corpo: na tessitura da relação entre os diferentes – escancarando o nós e o eles que colocou famílias inteiras em lados opostos de uma mesma história.

Ao mesmo tempo, o romance brinca com as múltiplas interpretações possíveis de um mesmo fato. Sob esse prisma, Cândido – não tão otimista como seu homônimo de Voltaire, mas igualmente ingênuo – parece funcionar como alguém capaz de catalisar esses diferentes lados em torno de si. Representando esses tantos descompassos, Cândido, ainda que um homem inteligente, vive nos escombros ao se envolver com Líria, filha de um figurão e para quem leva muitos dos filmes que baixa todas as noites para sua mãe, uma mulher que habita em seus últimos dias e cujo prazer é passar as horas matando a sua sede cinéfila.

Imprecisões morais

Essas tensões morais, e temporais, para não perder o trocadilho, fazem parte do ethos literário de Tezza e são facilmente encontradas em O fotógrafo (2004), Trapo (1988) e O filho eterno (2007), seu livro mais conhecido. É ao redor dessas imprecisões morais que o escritor cria boa parte de sua literatura, buscando algum conforto no fato de que somos todos, antes e acima de tudo, humanos.

Ainda assim, o autor de Um erro emocional (2010) não aceita o fascismo como resposta fácil para o catálogo de falhas que o Brasil se tornou. Tezza faz do livro um retrato fiel de um momento crítico e usa a arte para atravessar o abismo. A Tensão superficial do tempo é um romance bem arquitetado, que representa a diáspora que vivemos em tempos turvos de bolsonarismo e pandemia.

A TENSÃO SUPERFICIAL DO TEMPO | Cristovão Tezza

Editora: Todavia;
Tamanho: 272 págs.;
Lançamento: Julho, 2020.

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Tags: A Tensão superficial do tempoAscensor para o cadafalsobolsonaroCristovão TezzaCríticaCrítica LiteráriaCuritibafascismoLiteraturaLiteratura CuritibanaLouis MalleO Filho EternoO FotógrafoOperação Lava JatoResenhaTodaviaTrapoUm erro emocional

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