• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

‘Rua de dentro’: os caminhos óbvios de Marcelo Moutinho

Contos que formam ‘Rua de dentro’, de Marcelo Moutinho, esbarram em lugares comuns e retratos planificados de seus personagens.

porJonatan Silva
24 de julho de 2020
em Literatura
A A
‘Rua de dentro’: os caminhos óbvios de Marcelo Moutinho

Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Em uma das cenas mais famosas de Orfeu, obra máxima de Jean Cocteau, o personagem-título entra em um espelho para escapar de sua realidade de solidão e ausência. É a partir desse ato – a tentativa de escapar da realidade – que Orfeu desce ao inferno.

A literatura de Marcelo Moutinho vai no sentido contrário: é o escrutínio da realidade em seu estado puro. Rua de dentro reúne contos que revelam uma existência partida, calejada pelas dores que a desigualdade coloca no caminho. Como em Ferrugem, seu livro anterior, Moutinho usa a vida de gente comum e a linguagem muito próxima à crônica para tentar entender as lacunas que povoam o Brasil.

Ao mesmo tempo, a despeito das encenações do cotidiano, Rua de dentro é um livro de obviedades. Na contramão de Ferrugem, os contos desse volume acabam por cair em uma espécie de senso comunitário. “Purpurina”, texto que abre Rua de dentro, é uma fábula fácil sobre o amadurecer da sexualidade, colocando na figura da mulher trans uma relação pragmática – e planificada – consigo e com os outros. “Memória da chuva” é um relato sobre as dicotomias do morro e do asfalto, porém, se perde ao expor aquilo que é ordinário sobre a questão. Ambos são movimentos centrífugos de uma tentativa de literatura que aposta em lidar com o diverso e acaba por esbarrar em suas próprias limitações.

Não é exagero dizer que Moutinho materializa a tentação de criar uma literatura que se diz urgente e que esbarra em seus pecadilhos.

Na busca pela banalidade do mal cosmopolita e pelos medos urbanos, Moutinho constrói o frágil “Ocorrência”, um conto sobre delitos morais e afetivos. É, mais uma vez, a realidade escarrada a naufragar em um mar de lama, o mesmo mar de lama que transborda em “Militante” – sobre o aliciamento político e a cegueira ideológica que assombra dia após dia – e em “Fada do dente” – uma narrativa a respeito da ausência em pais, fisicamente, presentes.

À margem

Se de um lado há as coincidências da cidade grande – “Endeless love” –, de outro existem o mecanicismo da sobrevivência – “Um dia qualquer”, o melhor texto do livro – e a precarização da vida diária – “Comida a quilo” e “Nota dez”. Sob esse prisma, o autor faz seu caminho por vias esquemáticas, delineáveis, sem exigir do leitor a sua parcela crítica nesse processo de leitura.

Não é exagero dizer que Moutinho materializa a tentação de criar uma literatura que se diz urgente e que esbarra em seus pecadilhos. Conto a conto, o autor faz a fórceps um livro raso, que tenta acertar ao trazer a imagética dos merdunchos de João Antônio. Entretanto, falta ao texto uma tessitura narrativa que vá além da margem, que seja capaz de percorrer, como diz o título, as ruas de dentro de uma sociedade em permanente colapso.

RUA DE DENTRO | Marcelo Moutinho

Editora: Record;
Tamanho: 128 págs.;
Lançamento: Fevereiro, 2020.

COMPRE O LIVRO E AJUDE A ESCOTILHA

Tags: Book ReviewCríticaCrítica LiteráriaEditora RecordFerrugemJean CocteauJoão AntônioLiteraturaMarcelo MoutinhoOrfeuResenhaRio de JaneiroRua de dentro

VEJA TAMBÉM

Novas obras da autora neozelandesa começam a ganhar corpo no Brasil. Imagem: Alexander Turnbull Library / Divulgação / Montagem: Escotilha.
Entrevistas

Katherine Mansfield no Brasil; agora, por inteiro

9 de abril de 2026
Autora conversou com exclusividade com nossa reportagem. Imagem: Sebastián Freire / Divulgação.
Entrevistas

Mariana Enriquez: “Minha primeira impressão do mundo foi sob um regime autoritário muito feroz”

25 de março de 2026

FIQUE POR DENTRO

'Apopcalipse Segundo Baby' foi produzido ao longo de dezoito anos. Imagem: Dilúvio Produções / Divulgação.

‘Apopcalipse Segundo Baby’ ilumina a jornada musical e espiritual de Baby do Brasil – É Tudo Verdade

17 de abril de 2026
Documentário sobre David Bowie abriu a edição 2026 do É Tudo Verdade. Imagem: ARTE / Divulgação.

‘Bowie: O Ato Final’ aponta para a genialidade do artista em seus momentos finais – É Tudo Verdade

15 de abril de 2026
Registro de 'Piracema', do Grupo Corpo. Imagem: Humberto Araújo / Divulgação.

Crítica: ‘Piracema’ e o Corpo que insiste no movimento – Festival de Curitiba

14 de abril de 2026
Malu Galli em 'Mulher em Fuga'. Imagem: Annelize Tozetto / Divulgação.

Crítica: ‘Mulher em Fuga’ é encontro de Malu Galli e Édouard Louis em cena – Festival de Curitiba

13 de abril de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.