• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Cinema

‘Palermo Shooting’ passeia por labirintos do nosso tempo

Em 'Palermo Shooting', Wim Wenders presta homenagem a Bergman e Antonioni.

porTiago Bubniak
3 de dezembro de 2019
em Cinema
A A
‘Palermo Shooting’ passeia por labirintos do nosso tempo

Imagem: Divulgação.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Um fotógrafo em crise misteriosamente perseguido por um ser encapuzado. Solidão, sexo casual, músicas singulares para momentos singulares selecionadas de forma cuidadosa no fone de ouvido. O celular como forma de “existência” do ser humano para o mundo, a sociedade que produz e consome imagens, a preocupação de estar sempre ligado ao relógio. O medo da morte. É rica, densa e extensa a lista de temas da contemporaneidade que, poética e metaforicamente, em maior ou menor grau, Wim Wenders pincela em Palermo Shooting (2008).

O mundo incita cada vez mais a veneração do efêmero. Do lado oposto, o ser humano sempre teve sede de imortalidade. Esse paradoxo é um dos vários assuntos presentes na história montada pelo diretor alemão. Para falar do embate entre o visível e supérfluo e o invisível e essencial, Wim Wenders atenua as fronteiras entre sonho e realidade, vida e morte.

O enredo retrata a trajetória de um fotógrafo que, em crise existencial, resolve retirar-se em Palermo, na Itália. A explicação do nome da cidade, exposta no próprio filme, é fortemente simbólica: “a mãe de todos os portos”. Para alguém que está psicologicamente “perdido”, pode ser considerada significativa a escolha de refugiar-se em um local cujo nome carrega em sua essência vários pontos de partida em potencial.

Em solo italiano, o homem que observa a realidade e a congela por meio da câmera fotográfica passa a ser caçado. O mistério sobre quem é o perseguidor é revelado. Se nos primeiros momentos essa revelação pode ser confundida com um lapso, o diálogo subsequente impede reprovações e termina digno de ser considerado coroamento de toda a história até então retratada.

Para falar do embate entre o visível e supérfluo e o invisível e essencial, Wim Wenders atenua as fronteiras entre sonho e realidade, vida e morte.

De modo geral, não apenas ‘o que’ se conta é digno de atenção, mas, igualmente, o ‘como’ se conta. Há uso de desproporções, falas cujas complementações cabem a um passeio da câmera, o recurso de fazer com que a música ouvida pelo protagonista em seus fones de ouvido seja também a “experimentada” pelo espectador.

Um simples piscar de olhos para a beldade e lá está a mulher levantando o zíper de sua roupa ao lado do fotógrafo seminu, absorto em reflexões: se o que se pretende é mostrar superficialidade de relacionamentos, o ritmo da montagem colabora. O corpo enorme do protagonista em uma cama exageradamente minúscula: se o que se pretende é exibir ausência de paz de espírito, a composição da cena auxilia. Conteúdo e forma se combinam em proporções bem dosadas.

Wenders afirma que, com Palermo Shooting, quis prestar uma homenagem a O Sétimo Selo (1957), de Ingmar Bergman, e a Blow-Up: Depois Daquele Beijo (1966), de Michelangelo Antonioni. Ambos os cineastas faleceram em 2007. O resultado é uma bela costura de metáforas. Tantas que alguns nós podem acabar sendo formados. É preciso aprender a desatá-los. E essa tarefa, provavelmente, acompanhará o espectador por muito tempo além da sala escura. Talvez, por muito tempo mesmo.

VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI, QUE TAL CONSIDERAR SER NOSSO APOIADOR?

Jornalismo de qualidade tem preço, mas não pode ter limitações. Diferente de outros veículos, nosso conteúdo está disponível para leitura gratuita e sem restrições. Fazemos isso porque acreditamos que a informação deva ser livre.

Para continuar a existir, Escotilha precisa do seu incentivo através de nossa campanha de financiamento via assinatura recorrente. Você pode contribuir a partir de R$ 8,00 mensais. Toda contribuição, grande ou pequena, potencializa e ajuda a manter nosso jornalismo.

Se preferir, faça uma contribuição pontual através de nosso PIX: pix@escotilha.com.br. Você pode fazer uma contribuição de qualquer valor – uma forma rápida e simples de demonstrar seu apoio ao nosso trabalho. Impulsione o trabalho de quem impulsiona a cultura. Muito obrigado.

CLIQUE AQUI E APOIE

Tags: Blow-Up: Depois Daquele BeijoCinemaCrítica CinematográficaCrítica de CinemaIngmar BergmanMichelangelo AntonioniPalermo ShootingResenhaWim Wenders

VEJA TAMBÉM

Um dos registros de 'One to One: John & Yoko'. Imagem: Mercury Studios / Divulgação.
Cinema

‘One To One’ revela detalhes do engajamento político de John Lennon e Yoko Ono

9 de março de 2026
Josh O'Connor e Paul Mescal dão vida aos personagens da história criada por Ben Shattuck. Imagem: Film4 / Divulgação.
Cinema

‘A História do Som’ transforma silêncio e música em gesto de amor contido

3 de março de 2026

FIQUE POR DENTRO

Gisèle Pelicot, autora de um dos livros de memória mais contundentes dos últimos tempos. Imagem: Christophe Simon / AFP / Reprodução.

Em ‘Um hino à vida’, Gisèle Pelicot devolve a vergonha aos culpados

10 de março de 2026
Um dos registros de 'One to One: John & Yoko'. Imagem: Mercury Studios / Divulgação.

‘One To One’ revela detalhes do engajamento político de John Lennon e Yoko Ono

9 de março de 2026
Criada por Jacob Tierney, série canadense já foi renovada para uma segunda temporada, a ser lançada em 2027. Imagem: Bell Media / Divulgação.

‘Rivalidade Ardente’ transforma o hóquei no gelo em arena para o amor proibido

9 de março de 2026
Músico é muito aguardado no Brasil. Imagem: Akatre Creative Studio / Divulgação.

C6 Fest – Desvendando o lineup: Benjamin Clementine

5 de março de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.