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‘As boas maneiras’: o horror e as representações identitárias no cinema brasileiro

'As boas maneiras' combina elementos do cinema de horror e narrativas sociais brasileiras, explorando identidades complexas e quebrando expectativas.

porValsui Júnior
3 de junho de 2018
em Cinema
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Juliana Rojas e Marco Dutra - As boas maneiras

A relação entre Ana e Clara cresce ao longo da trama e é essencial para a construção do horror. Imagem: Imovision/Reprodução.

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Juliana Rojas e Marco Dutra são especialistas na produção de filmes fantásticos com temática social no cinema brasileiro. Um de seus expoentes, Trabalhar cansa (2011), por exemplo, mesclou o cansaço da rotina diária da vida da classe média urbana com pitadas de horror e mistério. Outro curta-metragem da dupla, Um ramo (2007), mostra as dúvidas e inseguranças de uma dona de casa comum que lentamente observa ramos crescendo sob a sua pele e tomando conta do seu corpo.

Foi neste panorama que os realizadores se aventuraram na produção de As boas maneiras (2017), uma mistura que lembra os contos fantásticos de Jorge Luis Borges, sem deixar de lado a crítica social e as representações identitárias de personagens complexos e tipicamente brasileiros, tão comuns nas narrativas da dupla.

No filme, Ana (Marjorie Estiano) é uma mulher grávida de classe média alta que mora sozinha num amplo apartamento próximo à ponte estaiada da Marginal Pinheiros, em São Paulo. Filha de latifundiários goianos, Ana possui todos os trejeitos da região de onde veio: o jeito de falar, as músicas que escuta e os costumes.

É interessante analisar como os diretores assumiram a posição caricatural, tanto dos personagens quanto do cenário, especialmente na primeira metade do longa. São Paulo representada em As boas maneiras é uma cidade repleta de arranha-céus, sombria e expressionista, como num filme de Fritz Lang. Os personagens são abordados dessa maneira – dando vazão ao elemento fantástico, bastante característico do cinema de horror.

As boas maneiras é uma produção autoral corajosa do cinema de horror brasileiro.

Em busca de uma babá para cuidar da casa e da criança que iria nascer, Ana encontra em Clara (Isabel Zuaa) um porto seguro. Clara é uma mulher negra, moradora da periferia paulista e com poucas experiências no ramo. Porém, ao primeiro contato com a futura patroa, pôde passar uma segurança quase que ancestral na hora de cuidar dela e do bebê que estava por vir.

De início um pouco hostil, a relação entre as duas personagens cresce conforme a gestação vai passando – e, assim, germina um novo relacionamento, não apenas cordial e profissional, mas fraternal e erótico. Neste instante do filme que o fantástico toma conta da narrativa, não por conta de espíritos ou entes transcendentais, mas pela quebra de expectativa dentro de um imaginário social mais profundo, no qual a personagem branca, privilegiada e heteronormativa vive uma relação homossexual com a empregada, negra e periférica.

Os fatos que se sucedem a seguir na narrativa são representações do espectro que será abordado ao longo de toda a segunda metade do filme, onde a protagonização da babá Clara e de Joel, o filho já crescido, dá lugar à da mãe, Ana. Ao invés do cenário tipicamente urbano de classe média alta, o cenário e as relações sociais também mudam e os dois passam a morar na periferia onde a babá vivia. O instinto maternal e protetor de Clara, a rebeldia crescente de Joel, tão típica da idade, e o submundo fantástico são explorados ao máximo, num universo onde a mãe tem de deixar o filho preso a correntes em um quarto fechado às luas cheias, porém no dia seguinte a vida segue com Ana trabalhando como enfermeira e, Joel, indo à escola e se relacionando com os colegas de turma.

Tanto Juliana quanto Marco se utilizam de vários artifícios durante o filme que o enquadram não apenas como horror, mas como um “pós-terror”. A hibridização de temáticas sociais com o fantástico, a utilização de desenhos para contar a origem de Ana e as músicas cantaroladas na segunda metade do filme foram empregadas sem largar mão de uma narrativa complexa e com várias nuances. É interessante notar, por exemplo, como uma lenda urbana tão comum em outros lugares que não o Brasil pôde se encaixar perfeitamente a uma realidade brasileira de comemoração de quermesses e de celebração a São João, divindade esta repleta de sincretismos religiosos ligados à cultura nacional.

Outra grande potência do filme dos diretores é a direção de fotografia, de Rui Poças, sempre atenta a ambas as realidades das protagonistas femininas seus respectivos cenários, dando um temperado tom à trama. As boas maneiras é uma produção corajosa, repleta de referências ao cinema de horror, porém com uma autoralidade constante de Juliana Rojas e Marco Dutra e um brasileirismo típico nas representações sociais.

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Tags: As boas maneirasCinemaCinema BrasileiroCinema de HorrorCrítica CinematográficaIsabel ZuáaJuliana RojasLGBTQI+Marjorie EstianoRepresentações SociaisResenhaterror

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