• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Cinema

Coppola encontra verdade no artificialismo de ‘O Fundo do Coração’

'O Fundo do Coração' de Coppola é um fracasso financeiro, mas uma joia sublimemente artística com toques de surrealismo romântico.

porPaulo Camargo
7 de junho de 2018
em Cinema
A A
O Fundo do Coração

Nastassja Kinski está no auge de sua beleza em 'O Fundo do Coração'. Imagem: Divulgação.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Um fracasso. O maior de todos na carreira do cineasta norte-americano Francis Ford Coppola, que perdeu cerca de US$ 30 milhões, teve de se desfazer de seu estúdio (American Zoetrope) e, de certa forma, nunca mais reconquistou o poder que teve nas mãos nos áureos tempos de O Poderoso Chefão 1 e 2 e de Apocalipse Now. O mais irônico – ou triste, dependendo do ponto de vista – é que O Fundo do Coração, causador dessa “hecatombe”, é um dos filmes mais sublimes e engenhosos em toda sua obra.

Visionário e inquieto, Coppola antecipa, em O Fundo do Coração, a reinvenção (ou seria ressurreição?) do “grande musical americano”, consolidada em 2001 com o espetacular Moulin Rouge – O Amor em Vermelho, do australiano Baz Luhrmann. Os pontos em comum entre os dois longas-metragens são inúmeros. Ambos são fantasias desvairadamente românticas, que assumem sem qualquer pudor os riscos do ridículo. E apostam na recriação do mundo em estúdio, ao investir na artificialidade estética para falar de emoções muito verdadeiras. Aí está a grande sacada do filme.

Visionário e inquieto, Coppola antecipa, em O Fundo do Coração, a reinvenção (ou seria ressurreição?) do ‘grande musical americano’, consolidada em 2001 com o espetacular Moulin Rouge – O Amor em Vermelho.

No centro da trama, estão Hank e Frannie, um casal típico da classe média norte-americana, vividos por Frederic Forrest (de A Rosa) e Teri Garr (de Tootsie). Em profunda crise conjugal, eles mergulham em uma noite interminável de sonho e fantasia numa Las Vegas limítrofe entre o real e o imaginário, mais ou menos como de fato é, quando a noite cai e o neon a transforma na chamada “Cidade do Pecado”.

O visual feérico, assumidamente kitsch, é também personificado pelas figuras improváveis de dois personagens que materializam as fantasias de Frannie e Hank. O saudoso Raoul Julia (de O Beijo da Mulher Aranha) é um príncipe galante para ela. Nastassja Kinski (de Tess), então no auge de sua beleza estonteante, é uma bailarina circense dos sonhos, na medida para Hank.

Nessa longa jornada noite adentro, marcada por episódios líricos, bizarros e – por que não? – ridículos, tudo é possível. Sobretudo se embalado pela antológica e belíssima trilha sonora de Tom Waits, que divide os microfones com a cantora country Crystal Gayle.

Quando o dia vem, e com ele a realidade, Hank e Frannie são os mesmos – mas algo único e profundo aconteceu. Cabe a Coppola, que jamais foi tão mágico num filme, explicar o quê. O cineasta, um mestre da mise-en-scène reinventa um subgênero do cinema clássico norte-americano dos anos 1930 e 40: a comédia do recasamento, de obras-primas como Aconteceu Naquela Noite (1934), Levada da Breca (1938) e Núpcias de Escândalo (1940).

Em todos esses filmes, a instituição do matrimônio é colocada à prova, quando tanto o homem quanto a mulher partem em busca de suas verdades existenciais antes de decidir se querem ou não continuar juntos. Um cinema libertário, em sua essência.

ESCOTILHA PRECISA DE AJUDA

Que tal apoiar a Escotilha? Assine nosso financiamento coletivo. Você pode contribuir a partir de R$ 15,00 mensais. Se preferir, pode enviar uma contribuição avulsa por PIX. A chave é pix@escotilha.com.br. Toda contribuição, grande ou pequena, potencializa e ajuda a manter nosso jornalismo.

CLIQUE AQUI E APOIE

Tags: American ZoetropeCinemaClássicocomédia do recasamentoCrítica CinematográficaCrystal GayleFrancis Ford CoppolaFrederick ForrestLas VegasMoulin Rouge - O Amor em VermelhoMovie ReviewMusicalNastassja KinskiO Fundo do CoraçãoRaoul JuliaReviewTeri GarrTom Waits

VEJA TAMBÉM

Bárbara Lennie e Victoria Luengo dão vida a Elsa e Patricia no nome filme de Pedro Almodóvar. Imagem: El Deseo / Divulgação.
Cinema

‘Natal Amargo’ transforma memória e luto em ficção melancólica

28 de maio de 2026
Zazie Beetz encara demônios em 'Eles Vão Te Matar'. Imagem: New Line Cinema / Divulgação.
Cinema

‘Eles Vão Te Matar’ diverte como terrir, mas é mais do mesmo

19 de maio de 2026
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

Em 'O Adversário', Emmanuel Carrère reconta um dos crimes mais chocantes da história da França. Imagem: Andreu Dalmau / Reprodução.

‘O Adversário’: a história real de um homem que matou para sustentar uma mentira

29 de maio de 2026
Bárbara Lennie e Victoria Luengo dão vida a Elsa e Patricia no nome filme de Pedro Almodóvar. Imagem: El Deseo / Divulgação.

‘Natal Amargo’ transforma memória e luto em ficção melancólica

28 de maio de 2026
O escritor estadunidense de origem tailandesa Tony Tulathimutte. Imagem: Vincent Tullo / The Guardian / Reprodução.

‘Rejeição’, de Tony Tulathimutte, é o livro do ano

22 de maio de 2026
Zazie Beetz encara demônios em 'Eles Vão Te Matar'. Imagem: New Line Cinema / Divulgação.

‘Eles Vão Te Matar’ diverte como terrir, mas é mais do mesmo

19 de maio de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.