• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Cinema

‘Hebe: A Estrela do Brasil’: a Hebe Camargo de Carolina Kotscho

Roteirista de 'Hebe: A Estrela do Brasil' transforma filme em concentração de pautas progressistas, o que soa falso no retrato da apresentadora.

porTiago Bubniak
8 de outubro de 2019
em Cinema
A A
Hebe: A Estrela do Brasil, de Maurício Farias

Recorte da história mostra passagem de Hebe (Andréa Beltrão) da Rede Bandeirantes para o SBT. Imagem: Divulgação.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

É imenso o universo de escolhas pelo qual passeia quem vai contar uma história. Isso vale para aquela conversa no dia a dia, o jornalismo, a literatura, o entretenimento infantil. E para o cinema. Sobretudo as biografias. Sempre que alguém vai contar uma história, escolhe o recorte de tempo e espaço, escolhe a imensa quantidade (ou não) de detalhes que farão parte do seu ato de narrar. No caso do filme Hebe: A Estrela do Brasil (2019), dirigido por Maurício Farias, o recorte da biografia dessa importante personagem da história da TV brasileira acontece nos 1980, quando Hebe Camargo completou 40 anos de carreira e vivenciou a passagem da Rede Bandeirantes para o SBT.

Essa foi a escolha de diretor e roteirista. Portanto, não espere uma cinebiografia que vai do nascimento da apresentadora, em 8 de março de 1929, em Taubaté, até seus últimos dias em São Paulo, quando morreu em 29 de setembro de 2012, aos 83 anos. Além desse recorte específico, o roteiro de Carolina Kotscho transforma Hebe em uma espécie de “heroína contra a censura” no período que marca a redemocratização do país, logo após o fim da ditadura militar. Já no início do filme é possível ver a apresentadora em uma espécie de “greve contra a censura”, quando se tranca em seu camarim e não aparece para comandar uma edição dos seus programas que já está no ar, ao vivo. O motivo desse protesto, segundo o roteiro, é o fato de ela não poder falar tudo o que queria do modo como queria.

Um dos elementos que mais chama a atenção, mais do que a interpretação de Andréa Beltrão como a protagonista ou a direção do marido de Andréa, Maurício Farias, é mesmo o roteiro de Carolina Kotscho. Ele tece um panorama da vida da apresentadora que parece descolado da realidade, transformando-a em uma mulher muito mais combatente do que foi.

Existe uma profusão de pautas político-sociais que pontilham o roteiro, condensadas em pequenos intervalos de minutos.

Não que Hebe Camargo não tenha se posicionado em defesa de minorias e isso tudo seja digno de admiração e respeito. O roteiro, no entanto, parece exagerar nesse enfoque, destacando uma face da protagonista que ultrapassa o que se conhece dela. É como se todas as suas defesas progressistas fossem concentradas em menos de duas horas de exibição, o que soa forçado. Existe uma profusão de pautas político-sociais que pontilham o roteiro, condensadas em pequenos intervalos de minutos. Além da já comentada luta contra a censura, existe uma Hebe que critica a inflação e a fome; que luta pelos direitos dos homossexuais e transexuais; que prega a disseminação de informação sobre a AIDS. E que, na esfera privada, mostra-se forte contra a violência sofrida no relacionamento com seu segundo marido, Lélio Ravagnani (Marco Ricca).

Essa coletânea de pautas libertárias leva a protagonista a expor, diante das câmeras, ao vivo: “A Hebe não é de direita, a Hebe não é de esquerda, a Hebe é direta”. Respeitando-se qualquer contexto de criação ou de História, difícil não interpretar essa fala como alfinetada do filme à polarização que tomou conta do país nos últimos anos.

Por outro lado, a irreverência, a autenticidade e a alegria que marcaram a protagonista estão muito presentes na caracterização feita com respeito por Andréa Beltrão. Um dos momentos mais espirituosos do roteiro retrata a espontaneidade da apresentadora ao ver a construção cenográfica que marcaria sua estreia no SBT. Enquanto o idealizador caracteriza seu cenário como “futurista monocromático”, Hebe denomina o ambiente de “frigorífico”, em razão da predominância da cor branca.

A direção de arte é digna de atenção, com a reconstituição dos cenários, adereços e figurinos dos anos 1980. O enfoque da AIDS, trazida à discussão pelo personagem Carlucho (Ivo Müller), que foi cabeleireiro de Hebe por quase 15 anos, lembra cenas de Clube de Compras Dallas (2013).

Hebe: A Estrela do Brasil pode frustrar aqueles que esperavam uma cinebiografia clássica, daquelas que começam com a infância e seguem até os últimos dias do personagem principal. O filme, também, peca pela concentração de ações progressistas da protagonista de modo a soar como algo forçado. No entanto, entra para a história como uma tentativa de homenagear essa mulher que atuou por mais de 60 anos na TV brasileira.

ESCOTILHA PRECISA DE AJUDA

Que tal apoiar a Escotilha? Assine nosso financiamento coletivo. Você pode contribuir a partir de R$ 15,00 mensais. Se preferir, pode enviar uma contribuição avulsa por PIX. A chave é pix@escotilha.com.br. Toda contribuição, grande ou pequena, potencializa e ajuda a manter nosso jornalismo.

CLIQUE AQUI E APOIE

Tags: Andréa BeltrãoCarolina KotschoCinemaCinema BrasileiroCríticaCrítica CinematográficaCrítica de CinemaHebe CamargoHebe: A Estrela do BrasilMarco RiccaMaurício FariasResenhaReview

VEJA TAMBÉM

Divisão familiar surge quando novo momvimento toma conta dos Estados Unidos. Imagem: Lionsgate / Divulgação.
Cinema

Em ‘O Aniversário: Mudança Radical’, o autoritarismo começa dentro de casa

24 de setembro de 2026
Filme de David Robert Mitchell ecoa clássicos de Steven Spielberg. Imagem: Bad Robot / Divulgação.
Cinema

O espírito de Spielberg paira sobre ‘O Fim da Rua’

20 de agosto de 2026

FIQUE POR DENTRO

Nova adaptação do romance de John Steinbeck foi conduzida por neta de Elia Kazan. Imagem: Netflix Studios / Divulgação.

‘A Leste do Éden’ renova Steinbeck em adaptação excepcional

19 de outubro de 2026
Imagem: Unsplash.

Editorial: veículos de jornalismo se unem pela democracia

14 de outubro de 2026
As participantes de 'Sua Mãe Te Conhece?'. Imagem: Nat Odenbreit / Netflix.

‘Sua Mãe Te Conhece?’ diverte ao explorar as neuroses da maternidade

7 de outubro de 2026
Jornalista é repórter na revista piauí. Imagem: Diego Bresani / Divulgação.

‘Filho’ faz da memória materna uma denúncia social

28 de setembro de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.