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Home Crônicas Henrique Fendrich

A menor cidade do Paraná

porHenrique Fendrich
26 de outubro de 2016
em Henrique Fendrich
A A
"A menor cidade do Paraná", crônica de Henrique Fendrich.

Imagem: Reprodução.

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Mas 94% nem o Cristo, morto e ressurreto, teria conseguido! Foi este, no entanto, o percentual dos votos atribuídos ao atual prefeito quando se reelegeu. Não foi o caso de ter concorrido sozinho, houve de fato duas outras pessoas que, mostrando desastrosa capacidade de análise, acharam que podiam vencê-lo nas urnas. Se fosse possível um terceiro mandato, a população o concederia de bom grado. Na verdade, é de se imaginar que mesmo um cargo vitalício contaria com a aprovação geral. Talvez se trate do último caso de político brasileiro que inspira confiança.

Mas, pobre cidade, as leis da democracia impedem que um mesmo prefeito fique no cargo por mais do que oito anos, e por isso foi preciso que neste mês de outubro a população tivesse que escolher outra pessoa para conduzir os destinos da cidade. A quem dar essa responsabilidade? Ao candidato que o prefeito abençoar, é óbvio. Se o prefeito apoiasse um cone, o cone seria eleito. Mas não, como era natural, escolheu a vice, e a vice foi eleita, muito embora com modestíssimos 82% dos votos válidos.

Trata-se de Pinhais, a menor cidade em tamanho do Paraná, mas não em população, pois só no meu condomínio mora mais gente do que, por exemplo, em Jardim Olinda, no noroeste do estado. É bom lembrar, mais uma vez, que Pinhais é uma coisa e São José dos Pinhais é outra. Para não ficar mais dúvidas: São José dos Pinhais tem o aeroporto, Pinhais o autódromo e Curitiba a fama. Tudo são araucárias, é verdade, mas por aqui tem surgido certo orgulho que faz insistir na distinção. Por toda parte só se vê obras, e de uns anos para cá tantas redes abriram uma filial na cidade que estou só esperando a da Apple.

É bom lembrar, mais uma vez, que Pinhais é uma coisa e São José dos Pinhais é outra. Para não ficar mais dúvidas: São José dos Pinhais tem o aeroporto, Pinhais o autódromo e Curitiba a fama.

Mas o que dá certo por aqui mesmo é farmácia, na minha rua tem pelo menos meia dúzia delas, e duas são da mesma rede. Farmácia e dentista, não se anda 50 metros sem topar com um consultório. Isso provavelmente se explica pela recente pujança da cidade, pois aí a população começa a relaxar na saúde e precisa com mais frequência de remédios e tratamentos para a cárie – aliás, há aqui uma “OdontoKarie”, e Karie é o nome da dentista.

Igreja também nunca falta. Inclusive, estou para dizer que Pinhais é a cidade mais cristã do Brasil, pois em pouco mais de 60 quilômetros quadrados há no mínimo 120 igrejas, o que nos dá a confortadora sensação de que a cada 500 metros encontramos alguém que ama o próximo. Também não se tem notícia de cidade mais feminista, pois muitas foram as mulheres empoderadas com o nome de um bairro, uma vila, um jardim: Cláudia, Karla, Amélia, Joaquina, mulheres que ninguém sabe quem foi, mas colocadas no mesmo patamar de Maria Antonieta.

Passa o trem em Pinhais. Na verdade, Pinhais foi, antes de tudo, o nome de uma estação. Quando você faz aquele passeio de trem de Curitiba a Morretes, você passa por Pinhais, mas é pouco provável que o guia turístico dê qualquer informação a respeito. Emiliano Perneta, poeta simbolista, era daqui. E aqui fica também um complexo médico-penal, com presos da Lava-Jato. O Zé Dirceu está aqui. Mas isso não concorre para a promoção da cidade. Fiquemos então com o prefeito, que é do mesmo partido do Dirceu. 94%! Nem o Cristo, morto e ressurreto.

Tags: bairrocidadeCrônicaCuritibaMorretesParanáPinhais

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