• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

‘Carta a D.’: o livro-testamento de um amor

Há exatos 10 anos, André Gorz, junto com sua esposa, cometia suicídio para se salvar da solidão. Um olhar sobre 'Carta a D.', livro-testamento do autor.

porJonatan Silva
22 de setembro de 2017
em Literatura
A A
‘Carta a D.’: o livro-testamento de um amor

Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Tratar da relação entre o amor na terceira idade e a morte é sempre delicada, quase um cristal. Duas obras recentes exploram essa temática com sensibilidade e encantamento: Amor, longa-metragem de Michael Haneke, Oscar de melhor filme estrangeiro, e Carta a D., livro-testamento de André Gorz. Ambos os trabalhos são de uma genialidade sem igual, porém a narrativa de Gorz não é ficção – e isso dói ainda mais ao leitor desprevenido.

Considerado um dos nomes mais importantes de Maio de 68, Gorz é uma figura seminal do pensamento pós-guerra e um dos grandes defensores do marxismo-existencialista. Em meio a essa torrente intelectual, Dorine, sua esposa, adoecia gravemente após exames que usavam uma substância altamente tóxica. O casal, que se conheceu na juventude em Paris, poderia ruir a qualquer momento.

A solução encontrada pelo filósofo foi o duplo suicídio em 22 setembro de 2007 (data que completa 10 anos no dia em que esse texto é publicado), assim ele e Dorine poderiam continuar para sempre. Não que acreditassem na vida eterna, mas o que os mantinha vivos era a fé no outro e a certeza de que não poderiam seguir sozinhos.

André e Dorine, apesar do prestígio no meio intelectual europeu, sempre viveram com muito, quase nada, chegando a doar parte do dinheiro que ganhavam e que não usariam.

Ao contrário do que possa parecer, Carta a D. não é um livro sobre o ressentimento à morte, mas de agradecimento à vida. Gorz narra com beleza desde o primeiro dia em esteve com a esposa, como se precisasse explicar a ela o porquê depois de mais de 50 anos ainda era preciso que estivessem juntos. O filósofo faz mea culpa de todas as vezes em que se valeu de sua própria figura masculina para se sobressair, não sem antes admitir que há/havia/houve muito de Dorine em tudo o que escreve – como jornalista e como pensador.

André e Dorine, apesar do prestígio no meio intelectual europeu, sempre viveram com muito, quase nada, chegando a doar parte do dinheiro que ganhavam e que não usariam. Obviamente, como em todo escrito memorialista, há um quê de idílio, idealista e romântico, mas nada disso parece ter menos brilho ou valor sob os olhos de Gorz.

Imersão

Sua escrita consciente é tão certeira quanto a narrativa de Haneke. O filme e o livro se completam imensamente, ainda que Haneke tenha usado um fato familiar para compor o longa. São encenações corajosas do fim das vidas de duas pessoas unidas por anos e que fazem uma imersão na dor, mas não no luto.

Se em Amor a cena que mais desconcerta é a caça à pomba que faz Georges parecer perdido, em Carta a D., a devastação que Gorz sente ao perceber que vai perder Dorine se estende por todas – as poucas e precisas – páginas. Infelizmente, aquilo que André e Dorine pensaram para mundo parece cada vez mais distante e impossível de ser alcançado. Difícil imaginar registro mais pungente.

CARTA A D. | André Gorz

Editora: Cosac Naify;
Tradução: Celso Azzan Junior;
Tamanho: 64 págs.;
Lançamento: Outubro, 2012.

COMPRE O LIVRO E AJUDE A ESCOTILHA

Tags: André GorzbiografiaCarta a D.Cosac NaifyCríticaCrítica LiteráriaDorine KeirEnsaioLiteraturaMaio de 68memóriaMichael HanekeResenha

VEJA TAMBÉM

Novas obras da autora neozelandesa começam a ganhar corpo no Brasil. Imagem: Alexander Turnbull Library / Divulgação / Montagem: Escotilha.
Entrevistas

Katherine Mansfield no Brasil; agora, por inteiro

9 de abril de 2026
Autora conversou com exclusividade com nossa reportagem. Imagem: Sebastián Freire / Divulgação.
Entrevistas

Mariana Enriquez: “Minha primeira impressão do mundo foi sob um regime autoritário muito feroz”

25 de março de 2026
Please login to join discussion

FIQUE POR DENTRO

'Apopcalipse Segundo Baby' foi produzido ao longo de dezoito anos. Imagem: Dilúvio Produções / Divulgação.

‘Apopcalipse Segundo Baby’ ilumina a jornada musical e espiritual de Baby do Brasil – É Tudo Verdade

17 de abril de 2026
Documentário sobre David Bowie abriu a edição 2026 do É Tudo Verdade. Imagem: ARTE / Divulgação.

‘Bowie: O Ato Final’ aponta para a genialidade do artista em seus momentos finais – É Tudo Verdade

15 de abril de 2026
Registro de 'Piracema', do Grupo Corpo. Imagem: Humberto Araújo / Divulgação.

Crítica: ‘Piracema’ e o Corpo que insiste no movimento – Festival de Curitiba

14 de abril de 2026
Malu Galli em 'Mulher em Fuga'. Imagem: Annelize Tozetto / Divulgação.

Crítica: ‘Mulher em Fuga’ é encontro de Malu Galli e Édouard Louis em cena – Festival de Curitiba

13 de abril de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.