• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

‘O peso do pássaro morto’, de Aline Bei, é um grito pelas mulheres invisiveis

Em 'O peso do pássaro morto', Aline Bei dá voz às mulheres apagadas ao sofrer abusos e violência.

porMarilia Kubota
18 de setembro de 2018
em Literatura
A A
‘O peso do pássaro morto’, de Aline Bei, é um grito pelas mulheres invisiveis

Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

O peso do pássaro morto (Nós, 2017), romance de estreia de Aline Bei, narra a vida de uma mulher, dos 8 aos 52 anos, criando um diário de perdas, fracassos e desilusões. É um monólogo sobre o silenciamento diante da violência contra a mulher.

A maior virtude do romance é a linguagem poética, que foca na voz da protagonista. O superfoco, que coloca a subjetividade em primeiro plano, torna a narrativa angustiada. As vozes dos demais personagens, um benzedor, a mãe, a amiga de escola, o namorado, na infância e o filho, a vizinha, a nora, o cachorro, na maturidade, surgem menos como interlocutores e mais como figurantes.

Um trauma na infância e um estupro na juventude marcará a protagonista. É uma menina desde o início da vida impactada pela morte de uma amiga, não ancorada pela família ou pelo entorno social. O superfoco narrativo sugere o silenciamento imposto à protagonista pela família e pela escola.

O silenciamento atrela uma violência a outra, culminando em medo, solidão e abandono. Apesar de tudo, a protagonista tem força, e a lucidez em olhar para a violência e os abusos é que choca:

“isso é tudo
menos coisa de criança
isso é o lugar onde nasce
a dor.
isso é
tudo que destrói a possibilidade de um mundo
um pouco menos cruel
com os mais fortes abusando dos
mais fracos e o pai do lucas
dentro dele
e o pai
do lucas
dentro de
mim.”

A estrutura formal rompe com a norma, levando a pensar sobre a função dos vazios dentro da narrativa.

A estrutura formal rompe com a norma, levando a pensar sobre a função dos vazios dentro da narrativa. O leitor não fica sabendo quase nada sobre os personagens, como são, onde vivem. O início com o vizinho benzedor e as conversas entre mãe e filha induz a pensar numa cidade do interior, ou região de periferia numa grande cidade. A protagonista cita que gostaria de ser aeromoça, mas se torna secretária e tem uma vizinha que ajuda a cuidar de seu filho. A estrutura que rompe com a paragrafação e pontuação narrativa informa sobre o vazio, o silêncio, as rupturas de linguagem e a interdição de falas.

A protagonista é anônima, ao contrário dos personagens que a circundam. O anonimato representa a anulação de sua vida e as mulheres invisíveis que não se tornam manchete ou estatística. Mas compõem a longa história de mulheres submetidas a uma sociedade cruel.

Aline Bei nasceu em São Paulo, em 1987, é formada em Letras e atriz. O peso do pássaro morto é resultado de uma oficina de criação literária orientada pelo escritor Marcelino Freire. Seu romance foi indicado na categoria estreantes para o Prêmio São Paulo 2018.

O PESO O PÁSSARO MORTO | Aline Bei

Editora: Nós;
Tamanho: 195 págs.;
Lançamento: Outubro, 2017.

COMPRE O LIVRO E AJUDE A ESCOTILHA

Tags: Aline BeiBook ReviewCrítica LiteráriaEditora NósEstuproformagênerolinguagem poéticaLiteraturaLiteratura BrasileiraO peso do pássaro mortoPoesiaResenhaResenha de LivrosRomanceViolência

VEJA TAMBÉM

O escritor Paulo Camargo. Imagem: Willian Zuclinski / Divulgação.
Literatura

‘Alguém que Vi de Passagem’: o primeiro amor em tempos de reabertura política

1 de setembro de 2026
O jornalista e escritor Paulo Camargo. Imagem: Willian Zuclinski.
Entrevistas

Paulo Camargo: “Na ficção, pude avançar por territórios aos quais talvez não chegasse de outra forma”

18 de agosto de 2026

FIQUE POR DENTRO

Nova série da Globoplay já foi renovada para uma segunda temporada. Imagem: Conspiração Filmes / Divulgação.

‘Emergência 53’ encontra nas ruas um retrato de um Brasil que precisa ser cuidado

4 de setembro de 2026
O escritor Paulo Camargo. Imagem: Willian Zuclinski / Divulgação.

‘Alguém que Vi de Passagem’: o primeiro amor em tempos de reabertura política

1 de setembro de 2026
Regina e Gabriela Duarte: duas atrizes postas à prova. Imagem: Reprodução.

A improvável entrevista de Regina e Gabriela Duarte

27 de agosto de 2026
Imagem: Globoplay / Divulgação.

Existir é um gesto político em ‘Meu Nome É Preta’

24 de agosto de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.