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Em ‘Poeta Chileno’, Alejandro Zambra comove ao falar das famílias possíveis

Incensado romance do escritor chileno Alejandro Zambra, 'Poeta Chileno' fala de um país em que a poesia tem função central.

porMaura Martins
20 de setembro de 2024
em Literatura
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Imagem: Divulgação.

Imagem: Divulgação.

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“Somos bicampeões na copa do mundo de poesia”, diz um personagem de Poeta Chileno (editora Companhia das Letras, 2021, tradução de Miguel Del Castillo), romance de Alejandro Zambra. O belíssimo livro do escritor chileno já parece entregar a sua essência no título: ele defende a tese que, se no Brasil todos somos futebolistas em potencial, na terra de Neruda, o grande sonho coletivo é a poesia. É por isso que a sua trama – que perpassa a vida de Gonzalo com sua namorada, Carla, e o filho dela, Vicente – é repleto de nomes de poetas chilenos reais e ficcionais.

Mas aqui estamos diante de um romance que flerta com o coming of age, por conta do amadurecimento de dois desses personagens. O primeiro é Gonzalo, um jovem que descobre a sexualidade com a bela Carla, bem mais atraente que ele. Os dois adolescentes acabam não ficando juntos, mas, nove anos depois, eles se reencontram numa boate gay e novamente vão parar na cama.

Zambra, com a delicadeza que é característica de sua literatura, nos descreve assim o reencontro: “Santiago é uma cidade grande e suficientemente segregada para que Carla e Gonzalo nunca mais voltassem a se reencontrar, mas uma noite, nove anos mais tarde, os dois se viram de novo, e é graças a esse reencontro que esta história alcança a quantidade necessária de páginas para ser considerada um romance”.

O corpo dela entrega ao ex-namorado que Carla tem um filho. Surge então na história Vicente, um menino de quatro anos que, nesse segundo round do relacionamento, torna-se seu enteado. Gonzalo, consequentemente, torna-se seu padrasto, palavra feia que ele logo descobre que não dá conta da relação que está sendo construída pelos dois. A linguagem, ambos reconhecem, não é suficiente flexível para que os dois possam existir, a não ser pela brincadeira: tornam-se então a “familiadrasta”.

Gonzalo, aliás, é mais um chileno em busca do sonho de ser poeta – objetivo esse que vai em certo momento interferir nos rumos dessa família. Vem então à frente da narrativa a própria poesia, vista menos como um gênero textual e mais como uma forma de estar do mundo.

A descoberta do mundo pela poesia

Capa da edição brasileira de ‘Poetas Chilenos’. Imagem: Companhia das Letras / Arte: Escotilha.

Um dos grandes trunfos de Poeta Chileno é que toda essa história nos é entregue por uma narrativa que transita entre o lírico e o humor.

Mas há um segundo protagonista na trama, o adolescente Vicente – que, na segunda etapa do livro, está com 18 anos e sonha ele também ser um poeta, o que lhe traz um lugar desencaixado no mundo, como tentam a todo custo esclarecer seu pai e sua mãe. Mas este não é um país qualquer, e sim uma nação que acredita que é assim, por poucas palavras, ao invés dos romances, que a realidade pode enfim se desnudar.

Vicente tateia um futuro possível para ele e, enquanto não decide o que fazer da vida, cruza com Pru, uma “gringa” que visita o Chile por uma série de erros e acaba se tornando uma espécie de ferramenta narrativa para tratar dos poetas chilenos e suas diferentes formas de decifrar o tema. Trata-se de uma parte riquíssima do romance quando Pru, que é jornalista, entrevista vários poetas cujas descrições daquilo que tentam fazer destoam enormemente entre si.

Um deles, por exemplo, diz: “é melhor escrever do que não escrever. A poesia é subversiva porque ela expõe você, te despedaça. Você ousa desconfiar de si mesmo. Você ousa desobedecer. Essa é a ideia, desobedecer a todos. Desobedecer a si mesmo. Não sei se gosto dos meus poemas, mas sei que se não os tivesse escrito eu seria mais burro, mais inútil, mais individualista. Eu os publico porque eles estão vivos. Não sei se eles são bons, mas eles merecem viver”.

Um dos grandes trunfos de Poeta Chileno é que toda essa história nos é entregue por uma narrativa que transita entre o lírico e o humor – é impossível não ter que segurar o riso durante quase todo esse longo romance de mais de 400 páginas. Com seu talento que o colocou entre os grandes nomes da literatura latina contemporânea, Alejandro Zambra consegue tanto nos divertir quanto nos levar às lágrimas. No fim das contas, para além da poesia, Zambra nos fala aqui das formas infinitas do amor, que nos possibilitam configurar a nossa própria família.

POETA CHILENO | Alejandro Zambra

Editora: Companhia das Letras;
Tradução: Miguel Del Castillo;
Tamanho: 432 págs.;
Lançamento: Outubro, 2021.

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Tags: Alejandro ZambraCompanhia das LetrasLiteraturaLiteratura ChilenaPoesiaPoeta Chileno

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