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‘A gente mira no amor e acerta na solidão’: o amor pelo que ele é (e não é)

Em 'A gente mira no amor e acerta na solidão', um livro potente que transita entre o ensaio e a crônica, Ana Suy usa de linguagem clara e envolvente para falar sobre amor e psicanálise.

porMaura Martins
14 de julho de 2022
em Literatura
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'A gente mira no amor e acerta na solidão': o amor pelo que ele é (e não é)

A escritora, psicanalista e professora Ana Suy. Imagem: Divulgação.

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A escritora Ana Suy é uma pesquisadora do impossível: ela investiga o amor. Esta informação já aparece no início do livro A gente mira no amor e acerta na solidão, quarta obra desta escritora, psicanalista e professora universitária.

Este é o quinto livro de Ana Suy. Diferente dos outros – ela tem três de crônicas poéticas publicadas pela editora Patuá, além de um baseado em sua dissertação de mestrado – aqui Ana nos traz uma série de pequenas crônicas que abordam temas psicanalíticos densos de forma leve e compreensível a nós, leigos.

O adjetivo “leve” não sugere aqui que este livro seja fácil. Pelo contrário: ele aborda o leitor no seu âmago, tocando em temas que, por vezes, ele prefere não tocar. Nada menos leve, aliás, do que falar sobre o que é o amor, uma ideia que escapa a toda tentativa de enquadrá-la em linguagem.

Por isso, Ana Suy muitas vezes propõe pensarmos sobre o que é amor sobre a perspectiva do que ele não é. E o que ele não é fica muito claro ao final do livro: não é completude, não é aquele ideal de encontrar a sonhada cara metade que irá nos afastar de nossos buracos existenciais. Estas, na verdade, são as fórmulas perfeitas para o fracasso amoroso.

Conceitos psicanalíticos para todas e todos

Ainda que seja permanente difuso e esteja sempre em movimento, tal como a água, o amor é um assunto infinito. Em A gente mira no amor e acerta na solidão, Ana fala sobre ele fazendo uso de uma linguagem dialógica, que interpela diretamente o leitor, para abordar conceitos centrais da psicanálise (como o complexo de Édipo, o mito de Narciso, o conceito de transferência, etc.) ao mesmo tempo que tece considerações construídas durante seus mestrado e doutorado em Psicologia e Pesquisa e Clínica em Psicanálise.

A gente mira no amor e acerta na solidão também é uma ode às tantas modalidades de amor que não são reconhecidas como tal.

Outra estratégia usada no livro é a aproximação com produtos midiáticos contemporâneos, deixando claro que há muita profundidade no que, para muitos olhares, envolve apenas entretenimento. São livros, músicas e filmes (sobretudo Cisne Negro, filme de 2010 de Darren Aronofsky, citado em vários momentos) que acabam por nos mostrar o quanto a psicanálise está próxima de todos nós.

Esta obra híbrida – que transita entre o ensaio e a crônica – é repleto de frases que permanecem com o leitor depois que as páginas se fecham. Ana escreve sobre como o amor contém solidão em uma brincadeira astuta: a de que amor tem dentro de si a solidão (ideia mais difícil de assentar dentro de nós) e de que a solidão é contida pelo amor (perspectiva voltada ao senso comum, e fonte de muita ansiedade daqueles que não se completam ao encontrar um par amoroso, uma vez que isto é impossível).

De forma pungente, Ana nos esclarece: “é preciso que nos sintamos a sós com a gente mesmo para nos dirigirmos ao outro e amá-lo, e, inevitavelmente, mesmo em uma experiência bem-sucedida de um amor que, por sorte, encontre reciprocidade, não há amor que nos livre da solidão. Sempre amamos sozinhos, pois cada um ama a seu próprio modo, cada um ama com sua história, com seu sintoma, com suas perebas psíquicas, com seus perrengues transgeracionais. No amor a gente sempre comparece com a gente mesmo”.

Uma ode ao amor

A gente mira no amor e acerta na solidão também é uma ode às tantas modalidades de amor que não são reconhecidas como tal. Afastando-se dos “ideais Disney” do amor romântico, Ana Suy se refere à amizade como o tipo de amor “que mais salva pessoas e que, no entanto, costuma ficar em segundo plano”.

As razões para sustentar esta afirmação são bem plausíveis: o amor da amizade compartilha e divide, é menos possessivo, dominador. E numa linda metáfora, Ana crava: as amizades são muitas vezes as escadas de incêndio que podem nos salvar quando o prédio está pegando fogo.

Constantemente almejado, mas nunca capturado, o fato é que o amor é o mistério que nos mantêm vivos desde o dia que nascemos. “Difícil não é falar de amor, difícil é parar de falar ele”, nos lembra Ana Suy, ao fim de sua delicada e contundente obra, que merece ser lida e relida de tempos em tempos.

A GENTE MIRA NO AMOR E ACERTA NA SOLIDÃO | Ana Suy

Editora: Paidós;
Tamanho: 160 págs.;
Lançamento: Maio, 2022.

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Tags: A gente mira no amor e acerta na solidãoAna SuyBook ReviewCrônicaEnsaioLiteraturaPaidóspsicanálisepsicologiaResenha

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