• Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
Escotilha
Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
Escotilha
Home Literatura

Os passeios de Paul Auster em ‘A Trilogia de Nova York’

Com personagens à deriva de si mesmos, 'A Trilogia de Nova York' é uma metáfora de Paul Auster para a busca de identidade.

porJonatan Silva
31 de agosto de 2018
em Literatura
A A
Os passeios de Paul Auster em 'A Trilogia de Nova York'

Imagem: Reprodução.

Envie pelo WhatsAppCompartilhe no LinkedInCompartilhe no FacebookCompartilhe no Twitter

Paul Auster começou sua carreira como poeta. Não deu muito certo. Lançou uns poucos livros e não chamou muita atenção. Sua obra em verso, que está reunida em Todos os poemas, só ganhou holofotes quando seu autor já era um romancista renomado anos mais tarde. Frustrado e precisando de dinheiro, Auster escreveu A Cidade de Vidro (1985), primeira parte d’A Trilogia de Nova York (1987). Ainda que não pretendesse escrever ficção, foi vencido pelo sucesso que alcançou.

A Cidade de Vidro inaugura um tema que se tornaria caro ao escritor: a questão da identidade. Daniel Quinn, um autor de livros policiais, recebe um telefonema à procura de alguém chamado… Paul Auster – que no caso seria um detetive particular. Cansado de negar que ali não existe ninguém com aquele nome, Quinn assume o lugar daquele que é procurado e acaba envolvido em uma trama rocambolesca. O cenário dessa sátira dos livros noir: o bairro do Brooklyn, cenário que seria usado ao longo de todos seus livros e filmes.

Em Fantasmas (1986), Auster usa o jogo de espelhos – metaforizado por uma janela – para discutir novamente a questão de identidade. Blue é contratado por White para espionar Black. Seu ponto de observação é a sala de um apartamento vazio. Do outro lado da rua, White se deixa observar em uma espécie de jogral bizarro. O Quarto Fechado (1986), terceiro livro da trilogia, é uma releitura de Hawthorne. Fanshawe desaparece, deixando para trás sua vida confortável com esposa e filhos e uma obra literária considerada “notável”, cuja publicação só aconteceu após o seu sumiço. Cabe a um amigo de infância resolver esse mistério.

Os três romances d’A Trilogia deixam o leitor como insetos em volta da lâmpada.

Doença

Auster, amplamente influenciado pela literatura do absurdo e pela ficção de polpa, é sagaz ao construir sua própria identidade por meio da ausência – ou nulidade – de consciência de si em seus personagens. Como em Viagens no scriptorium, Paul Auster usa o vazio que acomete a humanidade para, justamente, humanizar suas criações.

E o seu poder de criação parece surgir do desconhecido. Sem saber exatamente para onde o livro segue, o escritor deixa – como fazia Nabokov – que a história guie a ela própria. Como disse à revista Estante, por ocasião do lançamento do seu livro mais recente, 4, 3, 2, 1, ninguém escolhe ser escritor: a profissão é quem o escolhe. “Ser artista de qualquer tipo é algo que se apodera de nós. É como uma doença. Somos infectados cedo e nunca recuperamos”, comentou.

Os três romances d’A Trilogia deixam o leitor como insetos em volta da lâmpada. O que menos importa é o desfecho, já que o canto da sereia de Auster vai levando o leitor pela mão página por página. Enrique Vila-Matas, durante uma conversa com o amigo, fez a melhor definição de Auster: passear é desenhar. Os personagens que se movimentam no Brooklyn desenham seus passos pela rua – e em uma das histórias isso é literal – como se fizessem da caminhada um mapa visível.

Silêncio

A falsa simplicidade de Auster é um dos seus segredos. A sua literatura é seca, ao melhor modo de Kafka – mas não é burocrática ou sombria –, não tem a pompa de Ian McEwan ou as metáforas elucubradas de Roth. É um fazer literário muito particular.

O silêncio é um grande narrador em seus livros. A maneira como narra descende da forma como escreve: somente em cadernos. Resistente às máquinas de escrever, Auster não passa nem perto dos computadores para criar seus livros. “Eu tenho fetiche por cadernos com páginas quadriculadas”, revelou à The Paris Review.  Aos 70 aos, escreve como fazia aos 20. Esse modus operandi inegavelmente dá unidade à sua produção literária.

É fácil se apegar aos personagens de Auster. Como todos eles, estamos também à procura de nossa identidade e independência. E A Trilogia de Nova York é um bom começo para ser iniciado no passeio de Paul Auster.

A TRILOGIA DE NOVA YORK | Paul Auster

Editora: Companhia das Letras;
Tradução: Rubens Figueiredo;
Tamanho: 344 págs.;
Lançamento: Janeiro, 1999.

COMPRE O LIVRO E AJUDE A ESCOTILHA

Tags: A Trilogia de Nova YorkBook ReviewCompanhia das LetrasCríticaCrítica LiteráriaEnrique Vila-MatasIan McEwanLiteraturaLiteratura Norte-AmericanaPaul AusterPhilip RothResenhaResenha de LivrosThe Paris Review

VEJA TAMBÉM

Jornalista é repórter na revista piauí. Imagem: Diego Bresani / Divulgação.
Literatura

‘Filho’ faz da memória materna uma denúncia social

28 de setembro de 2026
O escritor Alexandre Vidal Porto. Imagem: Alexia Fidalgo / Divulgação.
Literatura

Alexandre Vidal Porto investiga os vestígios do amor em ‘Só Depois Entenderei’

10 de setembro de 2026

FIQUE POR DENTRO

Nova adaptação do romance de John Steinbeck foi conduzida por neta de Elia Kazan. Imagem: Netflix Studios / Divulgação.

‘A Leste do Éden’ renova Steinbeck em adaptação excepcional

19 de outubro de 2026
Imagem: Unsplash.

Editorial: veículos de jornalismo se unem pela democracia

14 de outubro de 2026
As participantes de 'Sua Mãe Te Conhece?'. Imagem: Nat Odenbreit / Netflix.

‘Sua Mãe Te Conhece?’ diverte ao explorar as neuroses da maternidade

7 de outubro de 2026
Jornalista é repórter na revista piauí. Imagem: Diego Bresani / Divulgação.

‘Filho’ faz da memória materna uma denúncia social

28 de setembro de 2026
Instagram Twitter Facebook YouTube TikTok
Escotilha

  • Sobre
  • Apoie
  • Política de Privacidade
  • Contato
  • Agenda
  • Artes Visuais
  • Colunas
  • Cinema
  • Entrevistas
  • Literatura
  • Crônicas
  • Música
  • Teatro
  • Política
  • Reportagem
  • Televisão

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.

Sem Resultados
Veja Todos Resultados
  • Reportagem
  • Política
  • Cinema
  • Televisão
  • Literatura
  • Música
  • Teatro
  • Artes Visuais
  • Sobre a Escotilha
  • Contato

© 2015-2023 Escotilha - Cultura, diálogo e informação.