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‘Justiça Ancilar’: ópera espacial para o novo milênio

Lançamento da editora Aleph, 'Justiça Ancilar' empolga e suscita reflexões sobre papéis sociais de gênero e sexo.

porLuciano Simão
14 de maio de 2018
em Literatura
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'Justiça Ancilar': ópera espacial para o novo milênio

Imagem: Reprodução.

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Quando escrevi a lista “5 Livros de Sci-fi que Precisam ser Publicados no Brasil“, não houve dúvidas sobre a inclusão de Justiça Ancilar, romance de estreia da americana Ann Leckie, grande vencedora dos prêmios Hugo, Nebula, Arthur C. Clarke e Locus. Na época, escrevi: “Uma das melhores e mais inovadoras óperas espaciais dos últimos anos[…] Em 2014, a editora Aleph adquiriu os direitos de tradução da obra para o Brasil, mas, três anos depois, Ancillary Justice ainda não foi publicada no país. Uma pena!”

Quase um ano depois, meus pedidos foram atendidos, e a Aleph agora traz às prateleiras brasileiras esta que é uma das melhores leituras recentes para fãs de óperas espaciais. As space operas são um subgênero do sci-fi, caracterizadas pelo escopo épico, heróis arquetípicos e aventuras com ênfase em grandiosas batalhas espaciais. Star Wars, o mais célebre exemplo desse tipo de narrativa, renega a base sci-fi e aposta nos aspectos fantásticos e românticos como propulsores da aventura. O que torna Justiça Ancilar uma história tão interessante é justamente a habilidade de Leckie de mesclar o que funciona em Star Wars com o potencial analítico da ficção científica clássica.

O que torna Justiça Ancilar uma história tão interessante é justamente a habilidade de Leckie de mesclar o que funciona em Star Wars com o potencial analítico da ficção científica clássica.

No livro, o primeiro de uma trilogia, a autora apresenta uma das mais inovadoras protagonistas do gênero. Após uma tentativa de ocultação de uma grande conspiração intergalática, a hiperinteligente nave militar Justiça de Toren, uma hive mind (consciência coletiva) dotada de centenas de corpos humanos interligados, é completamente destruída em uma explosão – exceto por um único corpo. A misteriosa Breq, última soldada sobrevivente carregando os resquícios dessa inteligência artificial, é uma excelente narradora, e sua busca por justiça e vingança contra aqueles que a destruíram é constantemente empolgante ao longo de todo o romance.

O principal êxito de Leckie nesse romance de estreia é o fluxo quase cinematográfico da narrativa, especialmente nos flashbacks, em que a espaçonave Justiça de Toren, ainda intacta, alterna constantemente entre os múltiplos pontos de vista de seus inúmeros corpos, criando um fluxo de consciência bastante fluido e inovador. Além da protagonista memorável, a antagonista é simplesmente uma das mais implacáveis adversárias dos últimos tempos. As personagens secundárias, por sua vez, também têm personalidades marcantes, e é provável que cada leitor tenha suas favoritas ao término da leitura.

Outro diferencial da obra é a análise que Leckie desenvolve sobre os papéis de gênero e sexo nessa hipotética civilização futura, o Império Radch. Assim como A Mão Esquerda da Escuridão, Justiça Ancilar se destaca tanto como aventura exímia quanto como aguçado comentário político-social (embora Leckie, escritora estreante, ainda tenha muito caminho a percorrer para chegar ao nível filosófico de Ursula K. Le Guin). No Império Radch, não há barreira entre os gêneros, e todos – não importa o sexo biológico – são designados pelo pronome feminino. Desta forma, é inevitável que o leitor projete nessas personagens características consideradas “femininas”, e que tenha essas expectativas sociais quebradas ao descobrir, por exemplo, que uma personagem chamada de “ela” por diversos capítulos é, na verdade, biologicamente masculina.

Justiça Ancilar não é um hard sci-fi, ou seja, o rigor técnico-científico não é o objetivo da autora, cujas preocupações estão mais voltadas aos aspectos culturais e sociais da narrativa. Portanto, esta não é uma leitura recomendada para quem busca grande precisão científica em suas leituras de sci-fi, mas é um livro ideal para qualquer entusiasta de épicos espaciais ou narrativas fictícias com foco em teoria de gênero. Para quem terminar o livro, ficará a dura tarefa de aguardar a publicação do próximo volume da trilogia, ainda sem previsão.

JUSTIÇA ANCILAR | Ann Leckie

Editora: Aleph;
Tradução: Fábio Fernandes;
Tamanho: 384 págs.;
Lançamento: Maio, 2018.

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Tags: Ann LeckieBook ReviewCrítica LiteráriaEditora AlephFicção CientíficaJustiça AncilarLiteraturaOpera espacialResenhasci-fiSpace operaStar Wars

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