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Home Literatura

‘Os Fatos’ da vida de Philip Roth

porJonatan Silva
4 de novembro de 2016
em Literatura
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Philip Roth

Philip Roth. Foto: Divulgação.

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Nosso Vampiro, durante uma (das raras) entrevista em 1965 à Folha, disse preferir que sua família não lesse seus livros, que poderia confundi-lo com seus personagens. E Dalton estava certo, foi exatamente o que aconteceu. O escritor norte-americano Philip Roth passou por algo muito parecido quando publicou o polêmico O Complexo de Portnoy (1969), uma sátira dos costumes e da cultura judaica. Anos a fio, Roth foi acusado de ser Alexander Portnoy. Na autobiografia, Os Fatos (Companhia das Letras, 206 páginas), recém lançada por aqui, mas publicada originalmente em 1988, Roth relembra o caso que quase o fez romper com sua família.

Apesar do tratamento traumático dado ao caso, o escritor usaria seu alter ego, Nathan Zuckerman, para exorcizar o demônio que possuiu toda a comunidade judaica de Newark, fazendo-o passar algo semelhante com o livro fictício Carnovsky. Zuzkerman, que se tornaria um personagem recorrente de Roth desde a sua aparição em O Escritor Fantasma (1979), é o principal endereçado d’Os Fatos e, assim como seu criador, é um sujeito debochando e cínico – tentando convencê-lo de não publicar o livro.

Ainda que tenha sido escritor às portas da década de 1990, a autobiografia avança pouco além da polêmica de Portnoy, mas esmiúça o suficiente os anos de formação do escritor, além de comentar sobre o conturbado casamento com a problemática Josie – na verdade, Margaret Martinson Williams – e apresentar ao leitor cenas reais que acabariam por aparecer em seus livros. Como deu para perceber, Roth é elegante – juridicamente precavido – e muda certos nomes. Quem estiver interessado em noticías del corazón no livro Roth Libertado, de Claudia Roth Pierpont.

O escritor é visceral até mesmo quando conta que, durante viagem com uma namorada a Londres, prefere deixá-la passear sozinha e se enfiar com uma prostituta no Ritz.

Conversas

Os Fatos é uma interessante conversa com Philip Roth, não o escritor, mas o homem comum, o animal agonizante. Por mais que toda autobiografia carregue consigo já a questão-problema de ser uma interpretação unilateral dos fatos, o autor de A Marca Humana (2000) deixa o tom chapa-branca ameno e reconhece seus próprios deslizes. Essa abordagem de si mesmo faz com que ele seja o Médico e também o Monstro, ou seja, Zuckerman, Portnoy, Kepesh têm muito de Roth. Eles são protótipos e, ao mesmo tempo, um ajuste de contas com o mundo real.

O escritor é visceral até mesmo quando conta que, durante viagem com uma namorada a Londres, prefere deixá-la passear sozinha e se enfiar com uma prostituta no Ritz. A naturalidade com que conta e com que muda de assunto é brutal. E isso está presente na tetralogia “Nemisis” – Homem Comum (2006), Indignação (2008), A Humilhação (2009) e Nêmeses (2010). A maestria de sua narrativa faz Roth ser – há tempos – um dos favoritos ao Nobel de Literatura, que neste ano ficou com Bob Dylan.

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Tags: A Humilhaçãoa marca humanaBob DylanCarnovskyClaudia Roth PierpontCompanhia das LetrasCríticaCrítica LiteráriaDalton TrevisanHomem ComumIndignaçãoLiteraturaLiteratura Norte-AmericanaNathan ZuckermanNêmesesNobel de LiteraturaO Complexo de PortnoyO Escritor FantasmaOs FatosPhilip RothRoth Libertado

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