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Home Literatura

Ricardo Chacal é o eterno poeta marginal

porMarilia Kubota
16 de janeiro de 2018
em Literatura
A A
Ricardo Chacal - Tudo (e mais um pouco)

Poeta Ricardo Chacal. Foto: Reprodução.

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Tudo (e mais um pouco) – Poesia Reunida (1971-2016), de Chacal, lançado pela Editora 34, é uma antologia que reúne a obra do poeta carioca. Chacal, ou Ricardo de Carvalho Duarte, é o principal sobrevivente da Poesia Marginal. Lá está seu primeiro livro, Muito Prazer (1971/2), e o último, Alô, Poeta (2016), totalizando 15 livros de poesia e um de teatro, que narra sua autobiografia.

Muito Prazer foi um dos primeiros livros a usar o mimeógrafo para imprimir poesia. O mimeógrafo era um equipamento usado para copiar e divulgar textos de jovens poetas nos anos 70. O mercado editorial não estava aberto a autores independentes. O critério não era apenas de qualidade, mas também ideológico. Os editores não queriam ser barrados pela censura. A poesia que celebra a vida contrasta com a rigidez da ditadura militar:

“rápido e rasteiro
vai ter uma festa
que eu vou dançar
até o sapato pedir pra parar.
aí eu paro
tiro o sapato
e danço o resto da vida” (Página 340)

A Poesia Marginal é herdeira direta do Tropicalismo. O Tropicalismo juntou conceitos do modernismo à Música Popular Brasileira, conquistando um público jovem para a poesia. A censura às obras artísticas provocadas pelo AI-5 anulou qualquer tipo de contestação política. A Poesia Marginal ou Geração Mimeógrafo é uma resposta a este tempo de repressão e medo.

Chacal rodou um segundo livro com o mimeógrafo, Preço da Passagem, que ele vendeu em bares e teatros, para pagar a passagem para a Inglaterra. Neste livro aparece o personagem Orlando Tacapau, um de seus alter egos:

“falô

……até que um dia
pisaram o pé dele
orlando tirou a identidade do bolso
e disse:
pra vocês basta isso de mim.
foi embora assoviando

a palavra ilegal afinal” (Página 318)

Em 1973, viu Allen Ginsberg em Londres e ficou impressionado com a performance do poeta beat. Quis trazer as performances para o Rio, inventando o Artimanhas Poéticas, e criando o grupo Nuvem Cigana, com Charles Peixoto, Bernardo Vilhena e Ronaldo Bastos.

O reconhecimento de Heloísa, colocando-o ao lado de Ana Cristina César e Chico Alvim, o livrou das críticas que a Poesia Marginal costumava sofrer.

Em 1976, teve poemas incluídos na antologia 26 poetas hoje, de Heloísa Buarque de Hollanda. Em seguida, lançou um outro alter ego, Quampérius:

“Quampatour

quampérius era amigo de átila, rei dos hunos, cavalgou com ele, bebeu com ele,com ele aprendeu as artes a guerra e devastou países inteiros. saqueou estuprou tacou fogo. até que um dia cansado virou beque da seleção sueca. depois conheceu thor que lhe martelou tanto a cabeça que foram conhecer juntos o infinito.” (página 267)

O reconhecimento de Heloísa, colocando-o ao lado de Ana Cristina César e Chico Alvim, o livrou das críticas que a Poesia Marginal costumava sofrer. Mas até os anos 80 as críticas persistiram. O poeta Paulo Leminski, por exemplo, dizia que era um tipo de poesia “ignorante, infanto-juvenil, tecnicamente inferior a seus antecessores.”

Ignorância não é o que se vê nos poemas de Chacal. Comício de Tudo (1986) – crônicas que escreveu para o jornal Correio Brasiliense – transborda em ironia contra uma sociedade regrada pelas aparências:

“Chá e sorriso

oh! que grata surpresa
mas limpe os pés no tapete
as torradinhas estão quase quentes
espere até a hora do chá

seu vestido combina
com a bolsa e o sapato
cabelos presos dente escovado
dê um sorriso e um olá

não enfie o dedo no nariz
nem diga aquilo que sempre quis
se porte como uma atriz

é…aqui o que vale é mise-en-scène
retoque a pintura passe um creme
cante um trechinho de la bohème

sente-se no sofá
que é de herança e família
seja fina converse com a gente
até a hora do chá

oh! que grata surpresa
mas limpe os pés no tapete
as torradinhas estão quase quentes
espere até a hora do chá” (Páginas 187 e 188)

Para continuar o fascínio pela performance, Chacal criou o CEP 20.000, Centro de Experimentação Poética, em 1990  – um acontecimento multimídia mensal, que revela nomes no cenário musical, poético e dramático do Rio.

Tudo é a segunda reunião de suas poesias. Em 2007, Belvedere, sua obra até então, foi publicada pela Editora Cosac Naify (Prêmio APCA 2008). Em 2010, publicou suas memórias pela editora 7 Letras em Uma história à margem. Em 2012, saiu pela Companhia das Letras, o livro para adolescentes Murundum.

Em abril de 2016, a dupla novaiorquina Sofi Tukker, lançou a canção “Drinkee“, inspirada no poema “Relógio”. A canção foi indicada ao Grammy na categoria melhor gravação de dança na 59ª cerimônia. Depois do sucesso de “Drinkee”, a dupla lançou a canção “Energia”, adaptação do poema “Jeep Lunar”.

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TUDO (E MAIS UM POUCO) | Ricardo Chacal

Editora: 34;
Tamanho: 408 págs.;
Lançamento: Junho, 2016.

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Tags: Artimanhas PoéticasChacalCrítica LiteráriaEditora 34LiteraturaNuvem CiganaPoesiapoesia brasileirapoesia marginalResenhaRicardo ChacalTropicalismoTudo (e mais um pouco)

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