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Lugar não convencional

porBernard Freire
1 de dezembro de 2017
em Teatro
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Espetáculo "Esse corpo que me veste", Casa Cuíra. Foto: Gabi Morgado.

Espetáculo "Esse corpo que me veste", Casa Cuíra. Foto: Gabi Morgado.

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[highlight color=”yellow”]Viver de arte ultrapassa os sentidos da realidade presente nos dias que seguem um tempo conturbado de informações.[/highlight] Chegamos a condições de desgaste físico, saturada pelas criações de nossos pensamentos. Movemos o tempo de traz pra frente num cenário onde os representantes se camuflam para o desconhecimento do publico. A cada cena, o improviso joga com o real de nossas situações que compõem a performance vista numa tela de cinema. A resistência impede o avanço, mas as atuações de nossas imaginações movimentam a vida para além do amanhã.

Em alguns territórios, o fazer teatral é irreconhecível, não estão nos livros. A história desconhece, evidencia uma parte se enganado do total que influenciou no andamento contemporâneo das interpretações. Tudo é ensaiado, movimento contínuo da história de nossas vidas. Diante do presente, o conteúdo desinforma o que nossa mente consome, gravam as cores que expressam o grito silencioso dos sentimentos aglutinados em nós. Falamos o texto que decoramos antes do dia amanhecer, onde o tempo não consegue segurar os acontecimentos dessa desterritorialização.

[highlight color=”yellow”]Fazer teatro não condiz somente com o que temos em nossos pensamentos está além do atual; do capital que movimenta nossa rotina.[/highlight] O teatro está nas ruas onde o povo encena o que a arte copia. O incômodo é real, resiste porque sente fome. Sonha com a mudança e se desfaz em artes gritantes exposta para o mundo consumir. O sentido está no umbigo esquecido pelo tempo, nas energias cansadas que ralentam a apresentação cênica de nosso século.

Casas, porões, prédios dão lugar a atuação que a vida esconde, nossa intimidade se revela nos cantos onde a poeira brilha com a luz do cenário.

Para outras interpretações, o incômodo escapa para lugares onde nos recolhemos. Nossos espaços representam a condição física e imaginativa de nossas obras. A criação é evidente em nosso próprio ambiente familiar. Casas, porões, prédios dão lugar à atuação que a vida esconde, nossa intimidade se revela nos cantos onde a poeira brilha com a luz do cenário.

A resistência está na coletividade, no trabalho conjunto que movimenta a cena local. [highlight color=”yellow”]É preciso fazer teatro nos lugares inusitados para um público desconhecido da arte que temos dentro de nós.[/highlight] Temos que despertar a verdade de cada ser, mostrar sua intimidade para o mundo e revelar outra referência que não está no meio dos livros. Devemos tirar o teatro das coisas, dos lugares violentos sem acesso às informações reais do mundo. É preciso ampliar a rede, o rizoma de nossas vivências para a construção de nosso próximo espetáculo.

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Tags: Artecênicoencenaçãoespaço não convencionalEspetáculointerpretaçãoresistênciaTeatroTerritório

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