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Coelhos revela a violência do prazer oprimido

porAline Vaz
3 de julho de 2015
em Teatro
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A Téssera Companhia de Dança da Universidade Federal do Paraná, criada em 1981, remonta Coelhos, com coreografia de Rafael Pacheco e trilha sonora de Helen de Aguiar, criando uma linguagem poética fundamentada nos conceitos do movimento, do espaço-tempo e da forma.

Coelhos estreou no último dia 01 de julho, quarta-feira, às 21h, no Teatro da Reitoria. Cheguei às 19h para acompanhar o aquecimento do elenco, conduzido pela coreógrafa Cristiane Wosniak, que também aqueceu meu coração, demonstrando o profissionalismo e encanto com o qual o espetáculo é preparado. Esfregamos as mãos e soltamos as energias; estamos prontos para entrar em cena, eles no palco e eu junto a grande plateia que logo se formou, em uma coreografia de sensações.

Coelhos podem significar a fertilidade, também nos remete à Alice no País das Maravilhas, que ao seguir o animal apressado encontra um mundo de sonhos e maldades. Os coelhos da Téssera Companhia de Dança desencadeiam ações violentas no espaço coreografado pelas mulheres de vestidos esvoaçantes.

Coelhos
Panfleto de divulgação da peça. Reprodução.

Em um misto de atração e violência, imergimos em um conflito interno entre o medo que sentimos dos seres que vestem ternos e cabeças bizarras, ao passo em que somos seduzidos pelos movimentos das mulheres que habitam a trilha sonora (e a trilha sonora que as habita).

No leque estésico do espetáculo, se considerarmos que os coelhos representam fertilidade, eles podem ser também uma parte dessas mulheres.

No leque estésico do espetáculo, se considerarmos que os coelhos representam fertilidade, eles podem ser também uma parte dessas mulheres, que sentem prazer, mas são oprimidas por regras violentas que as convencem da culpa de sentir. Quando a mulher assume que também é um coelho, ela internaliza uma ação externa, ao vestir uma máscara social que a reprime.

Em Coelhos, há uma dança que coloca todos os seres no palco da opressão cotidiana, atraídos pelos instintos sensual e sexual, armas de sedução que não encontram limites para o bem e para o mal.

Volto para casa com a satisfação de quem vivenciou experiências estéticas que colocaram reflexões em movimento, que serão coreografadas por muito tempo em minha memória.

Tags: CoelhosCristiane WosniakCríticaEspetáculoHelen de AguiarOpressãoRafael PachecosextaTeatroTeatro da ReitoriaTéssera Companhia de DançaViolência

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